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17 de setembro de 2026

Fotografias que mudaram padrões

 




 

Fashion is about who you want to be, not who you are.

(Moda é sobre quem você quer ser e não sobre quem você é.)

–– Richard Avedon.  


Um dos mais importantes teóricos da fotografia, e também um dos pensadores da cultura mais influentes desde a segunda metade do século 20, o francês Roland Barthes nunca concluiu sua tese de doutorado. Uma parte dela foi publicada em 1967 no livro “O Sistema da Moda” – análise minuciosa a partir de revistas para tentar decifrar a moda como um sistema de significados, um código retórico de imagens e palavras que estabelecem gostos de consumo e tendências culturais. “O Sistema da Moda” não propõe uma história da indumentária e muito menos uma sociologia da moda ou uma psicologia da moda. O que Barthes apresenta é uma semiótica da moda, um estudo sobre a linguagem e os sentidos do que seja a moda e do que seja “estar na moda”.

Alguns dos pressupostos de Barthes, que deram à moda um verniz de assunto nobre e universitário, poderiam servir como epígrafe para uma retrospectiva em formato de reportagem fotográfica feita recentemente pelo jornal The New York Times em sua revista “T” (abreviação para The New York Times Style Magazine – veja link para a reportagem no final desta página). Um dos editores da revista, Nick Haramis, convidou um time de especialistas, que incluiu fotógrafos, estilistas, designers de moda, jornalistas e modelos, para elaborar uma lista com as fotografias de moda mais influentes do último século. Tendo como critérios para a seleção as questões de impacto e de originalidade, a proposta partiu de um desafio potencialmente impossível: nomear uma seleção de imagens que mudaram padrões sobre beleza, estilo e comportamento.










Fotografias que mudaram padrões: no alto da página,
a capa do álbum “Homogenic”, de Björk, lançado em 1997,
com fotografia de Nick Knight que teve direção de arte
do estilista Alexander McQueen. Acima, a
fotografia
original de Björk antes da pós-produção. A foto, na
verdade, é uma recriação, com poucas alterações,
de outra foto que Knight e McQueen produziram,
também em 1997, para a revista Visionaire,
com a modelo Devon Aoki (uma das imagens
que estão nesta seleção de 25 fotografias).

Abaixo, a 
capa desdobrável de julho de 2005
da Vogue Itália com
fotografia de Steve Meisel









Nomes de referência


Como em toda lista, as imagens selecionadas estão sujeitas aos mais variados questionamentos e podem levar a argumentos sobre rejeições e dúvidas diante de outras fotografias igualmente marcantes que não foram incluídas. As possíveis ressalvas também servem para confirmar que esta não é uma lista definitiva e sim um conjunto mais ou menos memorável para reforçar alguns nomes como referência e apresentar um acervo de imagens e mensagens que provocaram polêmicas e rupturas em sua época e que foram normalizadas, realmente adotadas como norma ou diluídas pela profusão de imitadores que veio depois. A lista não está restrita à publicidade nem a editoriais de moda, desde que a foto tenha de alguma forma inspirado o mundo da moda ou promovido alterações importantes nos critérios sobre estilo e comportamento.

A lista das 25 fotografias marcantes que mudaram padrões sobre beleza e estilo, segundo os critérios da reportagem, inclui imagens muito conhecidas que vêm de fotojornalismo, fotos autorais sobre temas diversos, fotos que se tornaram capas de disco, ou que foram produzidas com esta finalidade, e até um registro feito por um paparazzo. Pelos critérios de votação, em que cada convidado escolhia 10 fotografias sem ordem de classificação, houve o caso do fotógrafo Steven Meisel, que aparece selecionado com mais de uma fotografia.

Na lista, a fotografia mais antiga é de 1951, de Irving Penn, e a mais recente é de Deana Lawson, de 2009. No conjunto de imagens selecionadas, as décadas mais lembradas são a de 1990, com sete fotografias, seguida dos anos 1970, com seis, e dos anos 1980, com cinco imagens selecionadas. Os perfis dos fotógrafos e as análises sobre cada fotografia, reproduzidas a seguir, em ordem cronológica, foram feitos por mim. E, sendo uma revista norte-americana, nenhuma surpresa pela constatação de que tanto a maioria dos fotógrafos como a maior parte das fotografias serem dos Estados Unidos.

 



Irving Penn, “Manga larga em Sunny Harnett”, Nova York, 1951


O norte-americano Irving Penn (1917-2009), um dos nomes mais importantes da fotografia de moda do século 20, muitas vezes copiado e tomado como referência por sua trajetória de excelência, trabalhou por mais de 60 anos para a revista Vogue e ficou conhecido tanto por seus enquadramentos inesperados como pelas suas perspectivas e seus enquadramentos incomuns que trouxeram mudanças radicais em relação à tradição centralizada que sempre dominou as fotos do mundo da moda. Nesta foto de 1951, a modelo Sunny Harnett tem o rosto cortado na altura dos olhos e o destaque vai para os detalhes da roupa que aparecem de forma quase inevitável.




Robert Frank, “Rodeio”, Nova York, 1954


Nascido na Suíça e radicado nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra,
Robert Frank (1924-2019) conseguiu uma bolsa da Fundação Guggenheim para viajar por 30 estados do país fotografando pessoas comuns. Seu primeiro trabalho, depois da guerra, foi como fotógrafo de moda para a Harper’s Bazaar e outras revistas, mas ele não se ajustava às limitações das pautas e partiu para a fotografia documental, registrada em sua obra-prima “The Americans” – livro de 1958 que virou obra de referência e inclui a foto do cowboy anônimo de chapéu, jeans e botas e couro encostado na cesta de lixo na cidade grande. 





Melvin Sokolsky, “Bolha no Sena” para a Harper's Bazaar, 1963


Nascido em Nova York, Melvin Sokolsky (1933-2022) dedicou-se a fotografias de moda e de publicidade. Em 1963, produziu um editorial de moda de 12 páginas para a
revista Harper’s Bazaar que tornou-se um acontecimento: inspiradas em um detalhe da pintura monumental “O Jardim das Delícias Terrenas” (1490), do holandês Hieronymus Bosch, as fotos apresentavam a modelo Simone D'Aillencourt, vestindo peças da coleção do estilista Philippe Venet, dentro de uma bolha de plástico, em vários cenários das ruas de Paris.





Diane Arbus, “Jovem com bobes em casa”, Nova York, 1966


Fotógrafa e escritora, Diane Arbus (1923-1971) começou trabalhando para revistas de moda, produzindo editorias e anúncios publicitários com o marido, Allan Arbus, mas terminou abandonando a parceria para fotografar as ruas de Nova York e ficou conhecida por seus registros sobre pessoas anônimas e marginalizadas. Na fotografia de 1966, feita com uma câmera Rolleyflex, muito próxima do personagem, a impressão é que estamos presenciando a conversa.








Ed van der Elsken, “Zwitserland”, Alpes Suíços, 1967


O fotógrafo e cineasta holandês Ed van der Elsken (1925-1990)
trabalhou com Henri Cartier-Bresson e Robert Capa na Agência Magnum, em Paris, e viajou por diversos países. Seu foco principal eram as pessoas comuns em cenas urbanas e os marginalizados, abrangendo da Segunda Guerra até os anos 1980. Nesta foto enigmática de 1967, publicada em um editorial sobre viagens da revista Avenue, de Amsterdã, a jovem com a perna engessada contempla a paisagem na janela com uma sensualidade que era incomum para a época. Sofia Coppola reproduz esta imagem nos fotogramas iniciais do filme de 2003 "Lost in Translation" (Encontros e Despedidas).




Ron Galella, “Jackie ao Vento”, Nova York, 1971 

Chamado de “padrinho da cultura dos paparazzi dos Estados Unidos”, Ron Galella (1931-2022) era considerado o paparazzo mais controverso de todos, com várias desavenças e processos judiciais movidos por celebridades como Jacqueline Kennedy Onassis, Marlon Brando, Elvis Presley ou o casal Richard Burton e Elizabeth Taylor, entre outros. Ele dizia que a foto da ex-primeira dama passeando em Nova York era sua “Mona Lisa”, depois de permanecer como uma presença incômoda durante anos na vida cotidiana de Jackie.





Helmut Newton, “Yves Saint Laurent, Rue Aubriot”, 1975


O fotógrafo alemão Helmut Newton (1920-2004) ficou conhecido por seus estudos de nu feminino que são associados, com muita frequência, aos mais variados fetiches. Depois da Segunda Guerra, ele fixou residência na Austrália, mas seguiu durante décadas trabalhando em editoriais para revistas de moda, especialmente para a Vogue francesa. Nesta foto emblemática, a modelo Vibeke Knudsen está inteiramente vestida, em uma pose em estilo andrógino, para o catálogo da Saint Laurent, em uma rua deserta do centro histórico de Paris, tarde da noite ou de madrugada.





Robert Mapplethorpe, “Patti Smith”, Nova York, 1975


Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe (1946-1989) foram amantes, no final da década de 1960, quando moravam no lendário Chelsea Hotel e iniciavam suas carreiras, e depois foram amigos muito próximos. Nesta foto, produzida para a capa de “Horses”, álbum de estreia de Patti Smith, é notável a complexidade da composição por trás de um retrato aparentemente simples. No contraste suave entre preto e branco, a luz ilumina somente metade do rosto de Patti e os punhos da camisa foram cortados. Uma fita pende do seu pescoço até a cintura, como se fosse uma gravata desfeita e o paletó masculino está jogado sobre o ombro. Patti declarou, em uma entrevista, que a foto “tem um pouco de Baudelaire, um pouco de garoto católico, um pouco de Frank Sinatra e muito de Robert”.






Joseph Szabo, “O Beijo”, Nova York, 1977

Nascido em Ohio, em 1944, Joseph Szabo concluiu seu mestrado em Belas Artes no Pratt Institute, no Brooklyn, e começou a trabalhar como professor em uma escola pública de ensino médio em Long Island. Suas fotos mais conhecidas registram seus alunos em situações cotidianas e junto de outros adolescentes e jovens suburbanos, namorando ou passeando por Nova York, segundo ele próprio com inspiração nas célebres fotos dos libertinos e modernos parisienses nas décadas de 1920 e 1930 feitas pelo húngaro Brassaï. As atitudes rebeldes presentes em suas fotos foram reproduzidas por diversos anúncios publicitários e estilistas de moda.






Cindy Sherman, “Fotografia sem título nº 21”, Nova York, 1978


A fotógrafa Cindy Sherman também é a modelo nesta fotografia de 1978, da série de retratos sem título em que a ela interpreta diferentes atrizes promovendo filmes fictícios. Nascida em 1954 em Nova Jersey, Cindy especializou-se em criar personas fictícias para criticar estereótipos de gênero, papéis sociais e hábitos de consumo. Embora ela tenha colaborado com publicações de moda em editoriais de sátira, seu foco central é a reflexão sobre identidade e representação visual, como neste retrato da jovem que tem os arranha-céus emoldurando seu rosto preocupado e seu olhar fixo em algo fora do enquadramento da fotografia.








Guy Bourdin, “Mulher com um retrato de John Travolta”, 1979


O francês Guy Bourdin (1928-1991) ficou conhecido por suas fotos publicadas em revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar, mas também conquistou reconhecimento por sua obra experimental e fora dos padrões do mercado da moda e da publicidade. Influenciado pelas experiências estéticas dos mestres do surrealismo, especialmente por Man Ray, Bourdin criou fotos ousadas por seus enredos enigmáticos, eróticos, com cores fortes e provocantes – como nesta imagem, feita para um anúncio publicitário da marca francesa de calçados Charles Jourdan, em que a modelo está reclinada sobre o sofá em uma pose provocante e tem uma foto emoldurada de John Travolta entre suas pernas. Madonna reproduz a pose e a cena no videoclipe de "Hollywood", sob a direção de Jean-Baptiste Mondino.





Nan Goldin, “O Abraço”, Nova York, 1980


Nascida em 1953 em Washington, Nan Goldin tinha 20 anos quando começou a fotografar a si e a seus amigos anônimos, artistas, músicos e drag queens em situações cotidianas de intimidade. Seu diário visual resultaria nas imagens confessionais de uma exposição, apresentada pela primeira vez em 1979 e como fotolivro em 1986, com o título “A Balada da Dependência Sexual” – uma coleção de centenas de fotos que causaram polêmica e a consagraram como uma das fotógrafas e artistas visuais mais importantes de sua geração. Nesta fotografia, a luz do flash projeta a sombra das figuras e dissolve as fronteiras entre documento e autobiografia.





Richard Avedon, “Brooke Shields para Calvin Klein Jeans”, 1980


Talvez Richard Avedon (1923-2004) tenha feito uma concessão ao fotografar Brooke Shields em cores para uma campanha da Calvin Klein Jeans em 1980, já que ele sempre foi conhecido por suas fotos em preto e branco para editoriais de moda, anúncios de publicidade e retratos de celebridades. Na foto, ela tinha apenas 15 anos e a exposição do anúncio na mídia e em outdoors intensificou as controvérsias sobre a sexualização de menores na mídia – Brooke Shields já estava no centro da polêmica, por seu papel de criança coagida à prostituição quando tinha 12 anos no filme de 1978 “Pretty Baby”, de Louis Malle. Não é a foto mais marcante na trajetória de Avedon, mas foi um divisor de águas na publicidade, destacando um estilo de campanhas com foco na provocação e no erotismo que traria fama e fortuna para fotógrafos e publicitários que vieram depois, como o italiano Oliviero Toscani e suas fotos polêmicas criadas
para a grife Benetton. No Brasil houve um episódio semelhante em 1987, com a campanha publicitária “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, criada por Washington Olivetto para a marca de lingerie Valisére; Patricia Lucchesi, atriz dos anúncios, na época tinha 12 anos.





Jean-Paul Goude, “Grace Jones, Azul-Preto sobre Marrom”, 1981

Nascido em 1938 na França, o fotógrafo, designer e cineasta Jean-Paul Goude conheceu a jamaicana Grace Jones nos anos 1970, quando ele era um respeitado diretor de arte da revista “Esquire” e ela se apresentava no Les Mouches, um bar e discoteca que era um reduto da comunidade LGBT em Nova York. Eles se tornaram um casal inseparável. Goude passou a produzir seu estilo estético e a apresentou a artistas como Andy Warhol e Keith Haring. “Ela se tornou minha obsessão”, declarou Goude em entrevista recente. Foram muitas colaborações entre os dois, de videoclipes a shows e capas de álbum. Esta imagem foi a capa de “Nightclubbing”, quinto disco de Grace Jones, lançado em 1981. O corte de cabelo geométrico, a maquiagem, o smoking Armani e a pele pintada com pigmento azul brilhante mudaram o visual de Grace Jones e da beleza negra desde então.





Andy Warhol, “Jean-Michel Basquiat”, Nova York, 1982


Multiartista, produtor cultural e principal referência da Pop Art, Andy Warhol (1928-1987) trabalhou em todas as mídias e todas as formas da arte em seu tempo, o que inclui o universo da moda através de seu estúdio The Factory, que misturava arte, música e publicidade. Também produziu milhares de fotografias de celebridades, algumas delas com câmeras Polaroid, que revelam e imprimem a imagem segundos após o clique fotográfico. Este retrato em Polaroid foi feito após o primeiro encontro do jovem e desconhecido Basquiat, aos 21 anos, com o marchand de arte suíço Bruno Bischofberger. O marchand levou o trabalho de Basquiat para a Europa e o transformou em uma lenda das artes plásticas.

 




Hans Feurer, “Susan Hess para Comme des Garçons”, 1983


O fotógrafo suíço Hans Feurer (1939-2024) era um nome de referência no mundo da moda quando produziu esta foto surpreendente para um catálogo da estilista japonesa Rei Kawakubo e sua grife Comme des Garçons em 1983. A silhueta do vestido preto perde a forma e esconde o corpo da modelo Susan Hess, que usa luvas pretas e calça tênis; na pose do salto, uma echarpe de cor clara enrolada em várias voltas cobre totalmente o rosto da modelo. A foto foi tão imprevisível e tão marcante que colocou a Comme des Garçons no radar da moda mundial e alterou o estilo de Rei Kawakubo, que passou a adotar roupas desconstruídas e ousadas que desafiam os cânones da alta-costura e as formas tradicionais do corpo.





Carrie Mae Weems, “Série Mesa de Cozinha”, Nova York, 1990


Nascida em 1953 no Oregon, a fotógrafa e artista multimídia produziu um ensaio com 20 fotografias em que ela própria é personagem diante de uma mesa transformada em palco da vida de uma mulher. Ao redor da mesa, sob a luz de uma luminária suspensa, Weems abordou temas conceituais profundos como maternidade, racismo, sexismo, gênero, identidade e classe social. As fotos deste ensaio de 1990 deram visibilidade para o trabalho de Weems, que em 2014 seria a primeira mulher negra a ter sua obra apresentada em uma retrospectiva no Museu Guggenheim de Nova York.





Corinne Day, “O 3º Verão do Amor”, revista The Face, 1990


A britânica Corinne Day (1965-2010) atuava como modelo, fotógrafa e documentarista quando realizou este ensaio
com Kate Moss, na época uma modelo desconhecida de 16 anos, para a revista londrina The Face. As fotos foram um sucesso e provocaram alterações nos padrões da produção de moda ao rejeitar a maquiagem, os cabelos penteados e o glamour tradicional, introduzindo luz natural e imperfeições que criaram um estilo polêmico, seguido por outros fotógrafos como Craig McDean, Glen Luchford e David Sims. O novo estilo passou a ser chamado de forma pejorativa de “heroin chic” e rompeu drasticamente com o padrão de beleza anterior. 





Peter Lindbergh, “Os anos 1990”, Vogue britânica, 1990


Fotógrafo de moda e cineasta, o alemão Peter Lindbergh (1944-2019) foi responsável por lançar e consagrar super-modelos como Naomi Campbell, Linda Evangelista, Tatjana Patitz, Cindy Crawford e Christy Turlington, que nesta foto sintetizam o estilo de Lindbergh: uso de matizes em preto e branco, sem excesso de retoques e com pouca maquiagem. A foto, feita à luz do dia no Meatpacking District de Nova York, famoso por suas lojas de luxo e sua vida noturna agitada, foi feita para a primeira Vogue britânica da década de 1990. O fotógrafo dispensou os figurinos de grife e cada modelo posou com suas roupas cotidianas. A foto foi capa da revista e inspiração para George Michael gravar também em 1990 o videoclipe de “Freedom' 90” com as cinco modelos em cena e direção de David Fincher.






Rineke Dijkstra, “Kolobrzeg", Polônia, 1992


O portfólio “Beach Portraits”, com centenas de adolescentes anônimas de maiô e biquini nas praias cidades da Europa, na década de 1990, trouxe prestígio à fotógrafa Rineke Dijkstra, nascida em 1959 na Holanda, e há quem destaque em sua obra referências à tradição dos mestres da pintura holandesa, como Vermeer e Rembrandt. A série fotográfica nas praias teve início como uma encomenda para um jornal holandês e terminou impulsionando o trabalho de Rineke Dijkstra. Na imagem, a modelo demonstra timidez e vulnerabilidade, em evidente situação de desconforto. A iluminação com flash na maioria das fotos da série destaca cada personagem e traz um equilíbrio entre figura e fundo que remete à composição clássica de retratos muito conhecidos na história da arte.





Steven Meisel, “Atitude Anglo-Saxônica”, Vogue britânica, 1993


Nascido em Nova York, em 1954, Steven Meisel é um dos mais influentes fotógrafos de moda e de retratos de celebridades, com trabalhos marcantes para a revista Vogue, edições da Itália e do Reino Unido, para as quais fotografou muitas capas e os principais editoriais das últimas três décadas. Esta foto foi a estreia da modelo Stella Tennant, que vivia em uma fazenda de criação de cabras na Escócia. A editora de moda Isabella Blow acrescentou à beleza original da modelo um estilo andrógino com cabelos curtos, maquiagem com contorno preto nos olhos e um piercing no nariz, na época um acessório usado apenas pelos punks mais radicais. Quando a revista foi lançada, Stella Tennant surgiu como novo padrão de beleza, o estilo passou a ser imitado por modelos e fotógrafos influentes e ela ganhou exclusividade com a Versace.





David LaChapelle, “Tupac Shakur: Solitário II”, 1996


Nascido em Connecticut, em 1963, David LaChapelle foi contratado por Andy Warhol, quando estava no começo da carreira, e ficou conhecido por suas fotografias de produção irreverente, de cores intensas, em cenários surreais que muitas vezes misturam temas religiosos ou renascentistas, trabalhando com frequência para grifes do primeiro time e para uma variedade de publicações, da Vanity Fair à Interview, Vogue, The Face e Rolling Stone. Neste retrato de 1996, sob encomenda para a revista Details, o rapper Tupac Shakur, recém-libertado da prisão por abuso sexual, e que seria assassinado em Las Vegas em setembro daquele ano, mostra a tatuagem “Thug Life” (Vida de bandido) deitado dentro da banheira, em uma pose provocante, com a nudez coberta apenas por muitas joias de ouro.
 




Nick Knight, “Devon Aoki”, revista Visionaire, 1997


O britânico Nick Knight, nascido em 1958 em Londres, atua como fotógrafo de moda e como professor na University of the Arts de Londres, sendo um pioneiro no uso de manipulações digitais e entusiasta de recursos tecnológicos de ponta como escaneamento 3D e intervenções por Inteligência Artificial. Nesta foto, produzida para a revista Visionaire, a modelo Devon Aoki veste uma criação de Alexander McQueen. Em um de seus olhos, uma lente de contato; na testa, um alfinete gigante indica um corte profundo com flores, tudo adicionado em pós-produção. A mistura de fragilidade e estranheza levou Björk a contratar Knight e McQueen para recriar a imagem com ela própria como modelo para a capa do disco “Homogenic”, lançado também em 1997.
 

 



Steven Meisel, “Febre de transformação”, Vogue italiana, 2005


Na foto da capa da revista e no ensaio editorial de Steven Meisel, as modelos estão em ambiente de hospital ou em camas de quartos luxuosos com bandagens e curativos, e algumas se contorcem em agonia ou êxtase em cenas de lipoaspiração, injeções faciais, cirurgias estéticas e implantes. O que era provocativo e chocante em 2005, hoje soa como quase banal: as intervenções no corpo deixaram de ser segredo ou exceção e se tornaram símbolos de status. O que talvez pudesse parecer estranho e incomum em 2005, na atualidade se tornou procedimento corriqueiro em nome da beleza.






Deana Lawson, “Binky & Tony Forever”, 2009


Nascida em Nova York, em 1979, Deana Lawson segue a pauta identitária da estética negra em temas como família, sexualidade e espiritualidade com detalhes de composição que fogem aos padrões tradicionais da fotografia de moda. Embora não produza com frequência fotos para revistas do mundo da moda ou para o mercado publicitário, seu trabalho como fotógrafa e artista visual já foi pauta de diversas reportagens em revistas como a Vogue ou a Vanity Fair. A foto de 2009 expressa o que Lawson chamou de “uma cena de amor de jovens negros” e faz parte de um projeto mais amplo que registra momentos de beleza na vida cotidiana que tenham relação com questões políticas e históricas da diáspora negra. Em 2016, esta foto estampou a capa do disco de jazz experimental “Freetown Sound”, de Blood Orange.


por José Antônio Orlando.

Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Fotografias que mudaram padrões. In: Blog Semióticas, 17 de setembro de 2026. Disponível em: https://semioticas1.blogspot.com/2026/09/fotografias-que-mudaram-padroes.html (acesso em .../.../…).


 Para acessar a fotorreportagem da  T  Magazine,  clique aqui








Fotografias que mudaram padrões: acima,
Diane Arbus em autorretrato em Nova York, 1968.

Abaixo, Ron Galella perseguindo Jackie Onassis
nas ruas em 1971 (Ron Galella Collection)









29 de julho de 2022

Retratos de August Sander






Nenhuma obra de arte é contemplada tão atentamente 

em nosso tempo como a imagem fotográfica de nós mesmos, 

de nossos parentes próximos, de nossos seres amados.

–– Alfred Lichtwark (1852-1914).   


A arte do retrato fotográfico, que teve início em meados do século 19, ganhou um capítulo especial no século 20 com as fotografias do alemão August Sander (1876-1964). Considerados um caso exemplar de fotografia documental, os retratos feitos por Sander são abordados como referência importante em alguns dos principais estudos já realizados sobre fotografia: ele é citado como “corpus extraordinário” por Walter Benjamin em “Pequena história da fotografia” (1931) e é um dos fotógrafos selecionados para as análises que Roland Barthes apresenta em “A câmara clara” (1980), assim como está destacado por suas “imagens de arquétipo” no estudo não menos célebre de Susan Sontag (em “Sobre a fotografia”, de 1973) e também surge como parâmetro e analogia para uma “idealização do poder” na leitura de John Berger (em “Para entender uma fotografia”, de 2013).

Um “revival” em homenagem à arte de August Sander aconteceu recentemente com uma exposição itinerante aberta no Museu de Arte Contemporânea da cidade de Siegen, na Alemanha. Depois de Siegen, a exposição seguirá uma extensa agenda em outros importantes museus da Europa e de outros continentes. Trata-se da primeira grande exposição sobre o acervo de Sander desde a década de 1960, quando depois de sua morte foram realizadas retrospectivas de seus retratos nos museus de Siegen (1964), de Herdorf (1965), terra natal do fotógrafo, e no MoMA de Nova York (1969). Nos anos seguintes, houve apenas pequenas amostragens da obra de Sander em exposições nos museus da Alemanha e de outros países.









Retratos de August Sander: no alto da página,
"Agricultores, 1914", uma das fotografias
destacadas por John Berger. Acima, "Notário",
o trabalhador do cartório na fotografia analisada
por Roland Barthes em A câmara clara;
e August Sander em autorretrato
da década de 1950.

Abaixo, "Desempregado, 1928";
e um quadro com as 70 fotografias do arquivo
de August Sander selecionadas pelo próprio
fotógrafo e apresentadas na exposição do
Museu de Arte Contemporânea
da cidade de Siegen, Alemanha
 










A nova exposição em Siegen traz uma seleção de 70 ampliações dos retratos de August Sander – seleção que havia sido feita pelo próprio fotógrafo no início da década de 1960. Com o título de “70 Porträts aus, Menschen des 20. Jahrhunderts” (70 retratos de pessoas do século 20), a exposição já é considerada a mais importante e mais abrangente já realizada com o trabalho de August Sander. A homenagem à arte do retrato segundo Sander ainda traz como atração adicional um evento paralelo incomum: a exposição acontece simultaneamente a uma outra mostra, apresentada no mesmo museu, chamada de “Nach August Sander, Menschen des 21. Jahrhunderts” (Depois de August Sander, pessoas do século 21), que reúne retratos feitos por 13 fotógrafos contemporâneos e que tem a proposta de estabelecer um diálogo conceitual com o acervo de Sander, com curadoria de Thomas Thiel.


Traduções de uma época


Durante décadas, August Sander fotografou grupos profissionais e classes sociais com um método muito planejado e com rigor de estudo antropológico. Ele começou a fotografar ainda na adolescência, quando acompanhava o pai, que era trabalhador em uma mina em Herdorf, e aprendeu os primeiros passos no ofício da fotografia ajudando fotógrafos profissionais que trabalhavam para a empresa que explorava as minas. Com apoio de um tio, comprou sua primeira câmera antes de prestar o serviço militar. Mais tarde, no exército, entre 1897 e 1899, atuou como assistente de fotografia e, nos anos seguintes, viajou por cidades da Alemanha trabalhando como fotógrafo e aperfeiçoando seu ofício.







Retratos de August Sander: acima, o casal
em fotografia de 1912 nomeada como
"Criação e Harmonia".

Abaixo, "Faxineira", fotografia de 1928;
"Lavadeira", fotografia de 1930; e
"Garota em uma carroça na feira",
fotografia de 1932















Em 1901, Sander foi contratado por um estúdio fotográfico na cidade de Linz, onde permaneceu durante uma década, primeiro como funcionário e depois como sócio da empresa. Em 1909, abriu seu próprio estúdio na cidade de Colônia, iniciando a série “Retratos do século 20”, seu projeto ambicioso para montar um amplo catálogo fotográfico sobre a sociedade alemã. No projeto, chegou a reunir um grande acervo de centenas de retratos em 45 portfólios temáticos organizados em sete categorias identificadas como “O fazendeiro”, “O artesão”, “A mulher”, “As fazendas” (listando os trabalhadores pelas tarefas que desempenhavam), “Os artistas”, “A grande cidade” (moradores e trabalhadores das cidades) e “À margem”, que talvez represente a parte mais radical e mais polêmica de seu trabalho, com ciganos, imigrantes, andarilhos e pessoas que, por algum motivo, estavam marginalizadas pela sociedade de sua época.

A primeira seleção dos retratos de August Sander foi feita por ele mesmo, em 1929, quando publicou uma seleção de 60 fotografias em “Antlitz der Zeit” (Rostos do nosso tempo), um livro que inspirou trabalhos similares de fotógrafos do primeiro time de outros países, entre eles os norte-americanos Walker Evans (1903-1975), Robert Frank (1924-2019) e Diane Arbus (1923-1971) ou o francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004). Porém, com a chegada dos nazistas ao poder, na Alemanha, o trabalho de Sander passou a sofrer censura e perseguições. Seu filho Erich, militante de um partido de esquerda, foi preso em 1934 e condenado a 10 anos de prisão. Em 1936, seu livro “Antlitz der Zeit” foi recolhido e proibido, tendo todas as matrizes de impressão destruídas, sob o argumento de que o fotógrafo promovia somente os pobres e as exceções da sociedade, e não os alemães “legítimos”.










Retratos de August Sander
: no alto, "Pugilistas",
fotografia de 1929; acima, "Estudante do ensino médio",
de 1926. Abaixo, "Meninas", fotografia de 1925;
e "Viúvo" (Witwer), fotografia de 1914












Fotografias e máscaras


Quando a Segunda Guerra Mundial começou, August Sander se mudou de Colônia para a área rural e durante anos passou a fotografar apenas a natureza e as paisagens. No pós-guerra, Sander retorna à vida nas cidades e monta um acervo extenso sobre a arquitetura e as ruas dos centros urbanos da Alemanha, mas não retornou ao projeto original de “Retratos do século 20”. Quando morreu, em 1964, deixou um valioso acervo com mais de 40 mil imagens, incluindo negativos e ampliações, que levaram à criação do Arquivo August Sander, com sede na cidade de Colônia. Uma amostragem de 650 fotografias selecionadas do arquivo foi publicada em um catálogo em 1999, com edição da Taschen e curadoria de Susanne Lange-Greve.

Nos retratos de August Sander, Walter Benjamin percebeu a “grandeza anônima” de um rosto humano, que aparece nas fotografias com uma significação nova e, em suas palavras, “incomensurável”, ressaltada pelo prefácio da primeira edição de “Rostos do nosso tempo”, escrito por Alfred Düblin. Segundo a análise de Benjamin, “August Sander reuniu uma série de rostos que em nada ficam a dever à poderosa galeria fisionômica de um Eisenstein ou de um Pudovkin, e ele realizou este trabalho numa perspectiva científica” (Benjamin, “Pequena história da fotografia”. In: “Obras escolhidas”, vol. 1, editora Brasiliense, p. 102-103). Benjamin também elogia a “atualidade insuspeitada” da obra de Sander reunida no livro, que ele define como “mais que um livro de imagens, é um atlas, no qual podemos exercitar-nos”.














Retratos de August Sander: no alto,
"Três gerações de uma família", fotografia
de 1912; acima, "As irmãs Fuchs", de 1912.

Abaixo, "Trabalhadores na região de Ruhr",
fotografia de 1928; e "Mestre de obras", de 1926 
 







Assim como Benjamin, Roland Barthes também considera o impacto da galeria fisionômica de August Sander, que ele nomeia como “máscaras”, figuras que revelam mitologias antes insuspeitadas. “Os grandes retratistas são grandes mitólogos: Nadar (a burguesia francesa), Sander (os alemães da Alemanha pré-nazista), Avedon (a ‘high-class’ nova-iorquina). A máscara é, no entanto, a região difícil da fotografia, porque a Fotografia da Máscara é, de fato, suficientemente crítica para inquietar (em 1934, os nazistas censuraram Sander porque seus ‘rostos da época’ não correspondiam ao arquétipo nazista da raça), mas por outro lado, é muito discreta (ou muito ‘distinta’) para constituir verdadeiramente uma crítica social eficaz, pelo menos segundo as exigências do militantismo: qual ciência engajada reconheceria o interesse da fisiognomonia?” (Barthes, “A câmara clara”, editora Nova Fronteira, p. 58-62). Uma das fotografias que Barthes toma como exemplo e parâmetro de sua abordagem é o retrato do “notário” de Sander, sobre o qual ele questiona e provoca: “A aptidão para perceber o sentido, político ou moral, de um rosto não é, em si mesma, um desvio de classe?”


Mundo em desaparecimento


As “máscaras” que August Sander registrou também estão em destaque na análise de Susan Sontag, para quem os célebres retratos que o fotógrafo fez das pessoas comuns não são apenas imagens documentais e sim, “apesar de seu realismo de classe, uma das obras mais verdadeiramente abstratas da história da fotografia” (Sontag, “Sobre a fotografia”, editora Arbor, p. 59-62). Sontag também ressalta que nas fotografias de Sander os pobres não deixam de ter um ar de dignidade, o que não se deve a qualquer altruísmo ou qualquer intenção de compaixão: eles têm dignidade, segundo Sontag, porque são vistos (e fotografados) do mesmo modo frio que qualquer outra pessoa de classes sociais mais abastadas. Susan Sontag também percebe que o fotógrafo não sabia que estava registrando um mundo em desaparecimento, provocado pelo avanço acelerado do nazismo: o próprio August Sander não pensava que estava revelando a verdade das pessoas, mas sim capturando, de uma forma técnica e isenta de preconceitos, as “máscaras sociais” de sua identidade e sua individualidade.















Retratos de August Sander: no alto,
"Carregador de tijolos", fotografia de 1928;
acima, "Fazendeiro", de 1910.

Abaixo, "Dois jovens boêmios
(Willi Bongard e Gottfried Brockmann)"
,
fotografia de 1925







John Berger foi outro teórico importante que não resistiu à analogia das fotografias com “máscaras”, apresentadas a partir dos retratos de August Sander como reveladoras da classe social, do lugar no mundo, das aspirações existenciais de cada indivíduo anônimo ou bem posicionado na escala da sociedade e da hierarquia de seu tempo. Berger vê o “retrato político” na obra de Sander, mas considerando um amplo alcance para o adjetivo “político”, nunca redutível à sedução das instâncias do poder na época ou à resistência diante do que fosse injusto ou opressivo – ainda que seja impossível não considerar a trajetória do projeto fotográfico de Sander frente ao avanço do nazi-fascismo, à destruição e à violência como programa de governo que teriam a Segunda Guerra como desfecho.

Para Berger, alguns dos retratos, na extensa galeria de tipos dos mais diversos extratos sociais que Sander fotografou, são especialmente evidentes quanto à idealização do “poder puramente sedentário” e podem ser destacados como uma ilustração da hegemonia que antecede a tomada do poder na Alemanha pelo nazismo (Berger, “Para entender uma fotografia”, editora Companhia das Letras, p. 63-66). Um dos exemplos, que Berger considera “cristalino” e “sedutor”, é a fotografia que mostra três camponeses felizes, vestindo terno, a caminho do baile. Trata-se, segundo Berger, de uma lição prática sobre a quantidade de informação que existe ali para ser descoberta e revelada.
















Retratos de August Sander: no alto,
"O artista austríaco Raoul Hausmann e suas
amigas Hedwig Mankiewitz e Vera Broido"
,
fotografia de 1929; acima, "Artista de circo",
de 1932; e "Artistas no Carnaval da cidade de
Colônia"
, de 1931. Abaixo, "Cigano", fotografia
de 1930, e "O confeiteiro", de 1928.

No final da página, três amostras das releituras
contemporâneas dos retratos de Sander, que
fazem parte da exposição 
Depois de August Sander,
pessoas do século 21
, também apresentada
no Museu de Arte Contemporânea de Siegen:
"Camouflage" (2006), de Hans Eijkelboom;
"Golden" (2018), de Tobias Zielony; e
"A possible mutation" (1994), de Collier Schorr











Diálogo contemporâneo


O plural de leituras que a galeria de retratos de August Sander proporciona foi a referência para a escolha dos 13 fotógrafos contemporâneos, alemães e estrangeiros, que tiveram suas obras selecionadas para a mostra “Depois de August Sander, pessoas do século 21”. Foram convidados pelos curadores: Mohamed Bourouissa, Jos de Gruyter & Harald Thys, Hans Eijkelboom, Omer Fast, Soham Gupta, Sharon Hayes, Bouchra Khalili, Ilya Lipkin, Sandra Schäfer, Collier Schorr, Tobias Zielony e Artur Żmijewski. O foco para a escolha dos retratos, feitos por cada um dos fotógrafos, foi a possibilidade de diálogo com as 70 fotografias selecionadas pelo próprio August Sander, no começo da década de 1960, agora apresentadas no Museu de Arte Contemporânea de Siegen.

Enquanto os retratos em preto e branco de August Sander ocupam as galerias principais do museu de Siegen, os convidados têm seus trabalhos, em cores, na grande maioria, apresentados em galerias paralelas. Na comparação entre o preto e branco das fotografias antigas e o colorido intenso dos retratos contemporâneos, o impacto das imagens de Sander permanece inalterado, mas os fotógrafos convidados surpreendem com retratos que atualizam o tema das classes sociais e suas ocupações com originalidade.

O salto no tempo, com um intervalo que tem aproximadamente 100 anos, entre os retratos de August Sander e os retratos contemporâneos selecionados, torna visíveis mudanças de atitude e de comportamento em relação à vida cotidiana e novas questões políticas sobre pessoas comuns. A observação atenta dos retratos de August Sander levou Susan Sontag, em “Sobre a fotografia”, a lembrar aquela máxima do poeta Sthépane Mallarmé de que tudo no mundo existe para terminar num livro. Parodiando Sontag e Mallarmé, podemos chegar à conclusão de que observar estes retratos, com um intervalo de quase um século, revela que todos os rostos do mundo existem para serem fotografados.


por José Antônio Orlando.


Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Retratos de August Sander. In: Blog Semióticas, 29 de julho de 2022. Disponível em https://semioticas1.blogspot.com/2022/07/retratos-de-august-sander.html (acessado em .../.../…).


Para fazer uma visita virtual à exposição no Museu de Siegen,  clique aqui.




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"Camouflage"
 (2006), de Hans Eijkelboom
     





"Golden" (2018), de Tobias Zielony

  



"A possible mutation" (1994), de Collier Schorr


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