Mostrando postagens com marcador patti smith. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador patti smith. Mostrar todas as postagens

17 de setembro de 2026

Fotografias que mudaram padrões

 




 

Fashion is about who you want to be, not who you are.

(Moda é sobre quem você quer ser e não sobre quem você é.)

–– Richard Avedon.  


Um dos mais importantes teóricos da fotografia, e também um dos pensadores da cultura mais influentes desde a segunda metade do século 20, o francês Roland Barthes nunca concluiu sua tese de doutorado. Uma parte dela foi publicada em 1967 no livro “O Sistema da Moda” – análise minuciosa a partir de revistas para tentar decifrar a moda como um sistema de significados, um código retórico de imagens e palavras que estabelecem gostos de consumo e tendências culturais. “O Sistema da Moda” não propõe uma história da indumentária e muito menos uma sociologia da moda ou uma psicologia da moda. O que Barthes apresenta é uma semiótica da moda, um estudo sobre a linguagem e os sentidos do que seja a moda e do que seja “estar na moda”.

Alguns dos pressupostos de Barthes, que deram à moda um verniz de assunto nobre e universitário, poderiam servir como epígrafe para uma retrospectiva em formato de reportagem fotográfica feita recentemente pelo jornal The New York Times em sua revista “T” (abreviação para The New York Times Style Magazine – veja link para a reportagem no final desta página). Um dos editores da revista, Nick Haramis, convidou um time de especialistas, que incluiu fotógrafos, estilistas, designers de moda, jornalistas e modelos, para elaborar uma lista com as fotografias de moda mais influentes do último século. Tendo como critérios para a seleção as questões de impacto e de originalidade, a proposta partiu de um desafio potencialmente impossível: nomear uma seleção de imagens que mudaram padrões sobre beleza, estilo e comportamento.










Fotografias que mudaram padrões: no alto da página,
a capa do álbum “Homogenic”, de Björk, lançado em 1997,
com fotografia de Nick Knight que teve direção de arte
do estilista Alexander McQueen. Acima, a
fotografia
original de Björk antes da pós-produção. A foto, na
verdade, é uma recriação, com poucas alterações,
de outra foto que Knight e McQueen produziram,
também em 1997, para a revista Visionaire,
com a modelo Devon Aoki (uma das imagens
que estão nesta seleção de 25 fotografias).

Abaixo, a 
capa desdobrável de julho de 2005
da Vogue Itália com
fotografia de Steve Meisel









Nomes de referência


Como em toda lista, as imagens selecionadas estão sujeitas aos mais variados questionamentos e podem levar a argumentos sobre rejeições e dúvidas diante de outras fotografias igualmente marcantes que não foram incluídas. As possíveis ressalvas também servem para confirmar que esta não é uma lista definitiva e sim um conjunto mais ou menos memorável para reforçar alguns nomes como referência e apresentar um acervo de imagens e mensagens que provocaram polêmicas e rupturas em sua época e que foram normalizadas, realmente adotadas como norma ou diluídas pela profusão de imitadores que veio depois. A lista não está restrita à publicidade nem a editoriais de moda, desde que a foto tenha de alguma forma inspirado o mundo da moda ou promovido alterações importantes nos critérios sobre estilo e comportamento.

A lista das 25 fotografias marcantes que mudaram padrões sobre beleza e estilo, segundo os critérios da reportagem, inclui imagens muito conhecidas que vêm de fotojornalismo, fotos autorais sobre temas diversos, fotos que se tornaram capas de disco, ou que foram produzidas com esta finalidade, e até um registro feito por um paparazzo. Pelos critérios de votação, em que cada convidado escolhia 10 fotografias sem ordem de classificação, houve o caso do fotógrafo Steven Meisel, que aparece selecionado com mais de uma fotografia.

Na lista, a fotografia mais antiga é de 1951, de Irving Penn, e a mais recente é de Deana Lawson, de 2009. No conjunto de imagens selecionadas, as décadas mais lembradas são a de 1990, com sete fotografias, seguida dos anos 1970, com seis, e dos anos 1980, com cinco imagens selecionadas. Os perfis dos fotógrafos e as análises sobre cada fotografia, reproduzidas a seguir, em ordem cronológica, foram feitos por mim. E, sendo uma revista norte-americana, nenhuma surpresa pela constatação de que tanto a maioria dos fotógrafos como a maior parte das fotografias serem dos Estados Unidos.

 



Irving Penn, “Manga larga em Sunny Harnett”, Nova York, 1951


O norte-americano Irving Penn (1917-2009), um dos nomes mais importantes da fotografia de moda do século 20, muitas vezes copiado e tomado como referência por sua trajetória de excelência, trabalhou por mais de 60 anos para a revista Vogue e ficou conhecido tanto por seus enquadramentos inesperados como pelas suas perspectivas e seus enquadramentos incomuns que trouxeram mudanças radicais em relação à tradição centralizada que sempre dominou as fotos do mundo da moda. Nesta foto de 1951, a modelo Sunny Harnett tem o rosto cortado na altura dos olhos e o destaque vai para os detalhes da roupa que aparecem de forma quase inevitável.




Robert Frank, “Rodeio”, Nova York, 1954


Nascido na Suíça e radicado nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra,
Robert Frank (1924-2019) conseguiu uma bolsa da Fundação Guggenheim para viajar por 30 estados do país fotografando pessoas comuns. Seu primeiro trabalho, depois da guerra, foi como fotógrafo de moda para a Harper’s Bazaar e outras revistas, mas ele não se ajustava às limitações das pautas e partiu para a fotografia documental, registrada em sua obra-prima “The Americans” – livro de 1958 que virou obra de referência e inclui a foto do cowboy anônimo de chapéu, jeans e botas e couro encostado na cesta de lixo na cidade grande. 





Melvin Sokolsky, “Bolha no Sena” para a Harper's Bazaar, 1963


Nascido em Nova York, Melvin Sokolsky (1933-2022) dedicou-se a fotografias de moda e de publicidade. Em 1963, produziu um editorial de moda de 12 páginas para a
revista Harper’s Bazaar que tornou-se um acontecimento: inspiradas em um detalhe da pintura monumental “O Jardim das Delícias Terrenas” (1490), do holandês Hieronymus Bosch, as fotos apresentavam a modelo Simone D'Aillencourt, vestindo peças da coleção do estilista Philippe Venet, dentro de uma bolha de plástico, em vários cenários das ruas de Paris.





Diane Arbus, “Jovem com bobes em casa”, Nova York, 1966


Fotógrafa e escritora, Diane Arbus (1923-1971) começou trabalhando para revistas de moda, produzindo editorias e anúncios publicitários com o marido, Allan Arbus, mas terminou abandonando a parceria para fotografar as ruas de Nova York e ficou conhecida por seus registros sobre pessoas anônimas e marginalizadas. Na fotografia de 1966, feita com uma câmera Rolleyflex, muito próxima do personagem, a impressão é que estamos presenciando a conversa.








Ed van der Elsken, “Zwitserland”, Alpes Suíços, 1967


O fotógrafo e cineasta holandês Ed van der Elsken (1925-1990)
trabalhou com Henri Cartier-Bresson e Robert Capa na Agência Magnum, em Paris, e viajou por diversos países. Seu foco principal eram as pessoas comuns em cenas urbanas e os marginalizados, abrangendo da Segunda Guerra até os anos 1980. Nesta foto enigmática de 1967, publicada em um editorial sobre viagens da revista Avenue, de Amsterdã, a jovem com a perna engessada contempla a paisagem na janela com uma sensualidade que era incomum para a época. Sofia Coppola reproduz esta imagem nos fotogramas iniciais do filme de 2003 "Lost in Translation" (Encontros e Despedidas).




Ron Galella, “Jackie ao Vento”, Nova York, 1971 

Chamado de “padrinho da cultura dos paparazzi dos Estados Unidos”, Ron Galella (1931-2022) era considerado o paparazzo mais controverso de todos, com várias desavenças e processos judiciais movidos por celebridades como Jacqueline Kennedy Onassis, Marlon Brando, Elvis Presley ou o casal Richard Burton e Elizabeth Taylor, entre outros. Ele dizia que a foto da ex-primeira dama passeando em Nova York era sua “Mona Lisa”, depois de permanecer como uma presença incômoda durante anos na vida cotidiana de Jackie.





Helmut Newton, “Yves Saint Laurent, Rue Aubriot”, 1975


O fotógrafo alemão Helmut Newton (1920-2004) ficou conhecido por seus estudos de nu feminino que são associados, com muita frequência, aos mais variados fetiches. Depois da Segunda Guerra, ele fixou residência na Austrália, mas seguiu durante décadas trabalhando em editoriais para revistas de moda, especialmente para a Vogue francesa. Nesta foto emblemática, a modelo Vibeke Knudsen está inteiramente vestida, em uma pose em estilo andrógino, para o catálogo da Saint Laurent, em uma rua deserta do centro histórico de Paris, tarde da noite ou de madrugada.





Robert Mapplethorpe, “Patti Smith”, Nova York, 1975


Patti Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe (1946-1989) foram amantes, no final da década de 1960, quando moravam no lendário Chelsea Hotel e iniciavam suas carreiras, e depois foram amigos muito próximos. Nesta foto, produzida para a capa de “Horses”, álbum de estreia de Patti Smith, é notável a complexidade da composição por trás de um retrato aparentemente simples. No contraste suave entre preto e branco, a luz ilumina somente metade do rosto de Patti e os punhos da camisa foram cortados. Uma fita pende do seu pescoço até a cintura, como se fosse uma gravata desfeita e o paletó masculino está jogado sobre o ombro. Patti declarou, em uma entrevista, que a foto “tem um pouco de Baudelaire, um pouco de garoto católico, um pouco de Frank Sinatra e muito de Robert”.






Joseph Szabo, “O Beijo”, Nova York, 1977

Nascido em Ohio, em 1944, Joseph Szabo concluiu seu mestrado em Belas Artes no Pratt Institute, no Brooklyn, e começou a trabalhar como professor em uma escola pública de ensino médio em Long Island. Suas fotos mais conhecidas registram seus alunos em situações cotidianas e junto de outros adolescentes e jovens suburbanos, namorando ou passeando por Nova York, segundo ele próprio com inspiração nas célebres fotos dos libertinos e modernos parisienses nas décadas de 1920 e 1930 feitas pelo húngaro Brassaï. As atitudes rebeldes presentes em suas fotos foram reproduzidas por diversos anúncios publicitários e estilistas de moda.






Cindy Sherman, “Fotografia sem título nº 21”, Nova York, 1978


A fotógrafa Cindy Sherman também é a modelo nesta fotografia de 1978, da série de retratos sem título em que a ela interpreta diferentes atrizes promovendo filmes fictícios. Nascida em 1954 em Nova Jersey, Cindy especializou-se em criar personas fictícias para criticar estereótipos de gênero, papéis sociais e hábitos de consumo. Embora ela tenha colaborado com publicações de moda em editoriais de sátira, seu foco central é a reflexão sobre identidade e representação visual, como neste retrato da jovem que tem os arranha-céus emoldurando seu rosto preocupado e seu olhar fixo em algo fora do enquadramento da fotografia.








Guy Bourdin, “Mulher com um retrato de John Travolta”, 1979


O francês Guy Bourdin (1928-1991) ficou conhecido por suas fotos publicadas em revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar, mas também conquistou reconhecimento por sua obra experimental e fora dos padrões do mercado da moda e da publicidade. Influenciado pelas experiências estéticas dos mestres do surrealismo, especialmente por Man Ray, Bourdin criou fotos ousadas por seus enredos enigmáticos, eróticos, com cores fortes e provocantes – como nesta imagem, feita para um anúncio publicitário da marca francesa de calçados Charles Jourdan, em que a modelo está reclinada sobre o sofá em uma pose provocante e tem uma foto emoldurada de John Travolta entre suas pernas. Madonna reproduz a pose e a cena no videoclipe de "Hollywood", sob a direção de Jean-Baptiste Mondino.





Nan Goldin, “O Abraço”, Nova York, 1980


Nascida em 1953 em Washington, Nan Goldin tinha 20 anos quando começou a fotografar a si e a seus amigos anônimos, artistas, músicos e drag queens em situações cotidianas de intimidade. Seu diário visual resultaria nas imagens confessionais de uma exposição, apresentada pela primeira vez em 1979 e como fotolivro em 1986, com o título “A Balada da Dependência Sexual” – uma coleção de centenas de fotos que causaram polêmica e a consagraram como uma das fotógrafas e artistas visuais mais importantes de sua geração. Nesta fotografia, a luz do flash projeta a sombra das figuras e dissolve as fronteiras entre documento e autobiografia.





Richard Avedon, “Brooke Shields para Calvin Klein Jeans”, 1980


Talvez Richard Avedon (1923-2004) tenha feito uma concessão ao fotografar Brooke Shields em cores para uma campanha da Calvin Klein Jeans em 1980, já que ele sempre foi conhecido por suas fotos em preto e branco para editoriais de moda, anúncios de publicidade e retratos de celebridades. Na foto, ela tinha apenas 15 anos e a exposição do anúncio na mídia e em outdoors intensificou as controvérsias sobre a sexualização de menores na mídia – Brooke Shields já estava no centro da polêmica, por seu papel de criança coagida à prostituição quando tinha 12 anos no filme de 1978 “Pretty Baby”, de Louis Malle. Não é a foto mais marcante na trajetória de Avedon, mas foi um divisor de águas na publicidade, destacando um estilo de campanhas com foco na provocação e no erotismo que traria fama e fortuna para fotógrafos e publicitários que vieram depois, como o italiano Oliviero Toscani e suas fotos polêmicas criadas
para a grife Benetton. No Brasil houve um episódio semelhante em 1987, com a campanha publicitária “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, criada por Washington Olivetto para a marca de lingerie Valisére; Patricia Lucchesi, atriz dos anúncios, na época tinha 12 anos.





Jean-Paul Goude, “Grace Jones, Azul-Preto sobre Marrom”, 1981

Nascido em 1938 na França, o fotógrafo, designer e cineasta Jean-Paul Goude conheceu a jamaicana Grace Jones nos anos 1970, quando ele era um respeitado diretor de arte da revista “Esquire” e ela se apresentava no Les Mouches, um bar e discoteca que era um reduto da comunidade LGBT em Nova York. Eles se tornaram um casal inseparável. Goude passou a produzir seu estilo estético e a apresentou a artistas como Andy Warhol e Keith Haring. “Ela se tornou minha obsessão”, declarou Goude em entrevista recente. Foram muitas colaborações entre os dois, de videoclipes a shows e capas de álbum. Esta imagem foi a capa de “Nightclubbing”, quinto disco de Grace Jones, lançado em 1981. O corte de cabelo geométrico, a maquiagem, o smoking Armani e a pele pintada com pigmento azul brilhante mudaram o visual de Grace Jones e da beleza negra desde então.





Andy Warhol, “Jean-Michel Basquiat”, Nova York, 1982


Multiartista, produtor cultural e principal referência da Pop Art, Andy Warhol (1928-1987) trabalhou em todas as mídias e todas as formas da arte em seu tempo, o que inclui o universo da moda através de seu estúdio The Factory, que misturava arte, música e publicidade. Também produziu milhares de fotografias de celebridades, algumas delas com câmeras Polaroid, que revelam e imprimem a imagem segundos após o clique fotográfico. Este retrato em Polaroid foi feito após o primeiro encontro do jovem e desconhecido Basquiat, aos 21 anos, com o marchand de arte suíço Bruno Bischofberger. O marchand levou o trabalho de Basquiat para a Europa e o transformou em uma lenda das artes plásticas.

 




Hans Feurer, “Susan Hess para Comme des Garçons”, 1983


O fotógrafo suíço Hans Feurer (1939-2024) era um nome de referência no mundo da moda quando produziu esta foto surpreendente para um catálogo da estilista japonesa Rei Kawakubo e sua grife Comme des Garçons em 1983. A silhueta do vestido preto perde a forma e esconde o corpo da modelo Susan Hess, que usa luvas pretas e calça tênis; na pose do salto, uma echarpe de cor clara enrolada em várias voltas cobre totalmente o rosto da modelo. A foto foi tão imprevisível e tão marcante que colocou a Comme des Garçons no radar da moda mundial e alterou o estilo de Rei Kawakubo, que passou a adotar roupas desconstruídas e ousadas que desafiam os cânones da alta-costura e as formas tradicionais do corpo.





Carrie Mae Weems, “Série Mesa de Cozinha”, Nova York, 1990


Nascida em 1953 no Oregon, a fotógrafa e artista multimídia produziu um ensaio com 20 fotografias em que ela própria é personagem diante de uma mesa transformada em palco da vida de uma mulher. Ao redor da mesa, sob a luz de uma luminária suspensa, Weems abordou temas conceituais profundos como maternidade, racismo, sexismo, gênero, identidade e classe social. As fotos deste ensaio de 1990 deram visibilidade para o trabalho de Weems, que em 2014 seria a primeira mulher negra a ter sua obra apresentada em uma retrospectiva no Museu Guggenheim de Nova York.





Corinne Day, “O 3º Verão do Amor”, revista The Face, 1990


A britânica Corinne Day (1965-2010) atuava como modelo, fotógrafa e documentarista quando realizou este ensaio
com Kate Moss, na época uma modelo desconhecida de 16 anos, para a revista londrina The Face. As fotos foram um sucesso e provocaram alterações nos padrões da produção de moda ao rejeitar a maquiagem, os cabelos penteados e o glamour tradicional, introduzindo luz natural e imperfeições que criaram um estilo polêmico, seguido por outros fotógrafos como Craig McDean, Glen Luchford e David Sims. O novo estilo passou a ser chamado de forma pejorativa de “heroin chic” e rompeu drasticamente com o padrão de beleza anterior. 





Peter Lindbergh, “Os anos 1990”, Vogue britânica, 1990


Fotógrafo de moda e cineasta, o alemão Peter Lindbergh (1944-2019) foi responsável por lançar e consagrar super-modelos como Naomi Campbell, Linda Evangelista, Tatjana Patitz, Cindy Crawford e Christy Turlington, que nesta foto sintetizam o estilo de Lindbergh: uso de matizes em preto e branco, sem excesso de retoques e com pouca maquiagem. A foto, feita à luz do dia no Meatpacking District de Nova York, famoso por suas lojas de luxo e sua vida noturna agitada, foi feita para a primeira Vogue britânica da década de 1990. O fotógrafo dispensou os figurinos de grife e cada modelo posou com suas roupas cotidianas. A foto foi capa da revista e inspiração para George Michael gravar também em 1990 o videoclipe de “Freedom' 90” com as cinco modelos em cena e direção de David Fincher.






Rineke Dijkstra, “Kolobrzeg", Polônia, 1992


O portfólio “Beach Portraits”, com centenas de adolescentes anônimas de maiô e biquini nas praias cidades da Europa, na década de 1990, trouxe prestígio à fotógrafa Rineke Dijkstra, nascida em 1959 na Holanda, e há quem destaque em sua obra referências à tradição dos mestres da pintura holandesa, como Vermeer e Rembrandt. A série fotográfica nas praias teve início como uma encomenda para um jornal holandês e terminou impulsionando o trabalho de Rineke Dijkstra. Na imagem, a modelo demonstra timidez e vulnerabilidade, em evidente situação de desconforto. A iluminação com flash na maioria das fotos da série destaca cada personagem e traz um equilíbrio entre figura e fundo que remete à composição clássica de retratos muito conhecidos na história da arte.





Steven Meisel, “Atitude Anglo-Saxônica”, Vogue britânica, 1993


Nascido em Nova York, em 1954, Steven Meisel é um dos mais influentes fotógrafos de moda e de retratos de celebridades, com trabalhos marcantes para a revista Vogue, edições da Itália e do Reino Unido, para as quais fotografou muitas capas e os principais editoriais das últimas três décadas. Esta foto foi a estreia da modelo Stella Tennant, que vivia em uma fazenda de criação de cabras na Escócia. A editora de moda Isabella Blow acrescentou à beleza original da modelo um estilo andrógino com cabelos curtos, maquiagem com contorno preto nos olhos e um piercing no nariz, na época um acessório usado apenas pelos punks mais radicais. Quando a revista foi lançada, Stella Tennant surgiu como novo padrão de beleza, o estilo passou a ser imitado por modelos e fotógrafos influentes e ela ganhou exclusividade com a Versace.





David LaChapelle, “Tupac Shakur: Solitário II”, 1996


Nascido em Connecticut, em 1963, David LaChapelle foi contratado por Andy Warhol, quando estava no começo da carreira, e ficou conhecido por suas fotografias de produção irreverente, de cores intensas, em cenários surreais que muitas vezes misturam temas religiosos ou renascentistas, trabalhando com frequência para grifes do primeiro time e para uma variedade de publicações, da Vanity Fair à Interview, Vogue, The Face e Rolling Stone. Neste retrato de 1996, sob encomenda para a revista Details, o rapper Tupac Shakur, recém-libertado da prisão por abuso sexual, e que seria assassinado em Las Vegas em setembro daquele ano, mostra a tatuagem “Thug Life” (Vida de bandido) deitado dentro da banheira, em uma pose provocante, com a nudez coberta apenas por muitas joias de ouro.
 




Nick Knight, “Devon Aoki”, revista Visionaire, 1997


O britânico Nick Knight, nascido em 1958 em Londres, atua como fotógrafo de moda e como professor na University of the Arts de Londres, sendo um pioneiro no uso de manipulações digitais e entusiasta de recursos tecnológicos de ponta como escaneamento 3D e intervenções por Inteligência Artificial. Nesta foto, produzida para a revista Visionaire, a modelo Devon Aoki veste uma criação de Alexander McQueen. Em um de seus olhos, uma lente de contato; na testa, um alfinete gigante indica um corte profundo com flores, tudo adicionado em pós-produção. A mistura de fragilidade e estranheza levou Björk a contratar Knight e McQueen para recriar a imagem com ela própria como modelo para a capa do disco “Homogenic”, lançado também em 1997.
 

 



Steven Meisel, “Febre de transformação”, Vogue italiana, 2005


Na foto da capa da revista e no ensaio editorial de Steven Meisel, as modelos estão em ambiente de hospital ou em camas de quartos luxuosos com bandagens e curativos, e algumas se contorcem em agonia ou êxtase em cenas de lipoaspiração, injeções faciais, cirurgias estéticas e implantes. O que era provocativo e chocante em 2005, hoje soa como quase banal: as intervenções no corpo deixaram de ser segredo ou exceção e se tornaram símbolos de status. O que talvez pudesse parecer estranho e incomum em 2005, na atualidade se tornou procedimento corriqueiro em nome da beleza.






Deana Lawson, “Binky & Tony Forever”, 2009


Nascida em Nova York, em 1979, Deana Lawson segue a pauta identitária da estética negra em temas como família, sexualidade e espiritualidade com detalhes de composição que fogem aos padrões tradicionais da fotografia de moda. Embora não produza com frequência fotos para revistas do mundo da moda ou para o mercado publicitário, seu trabalho como fotógrafa e artista visual já foi pauta de diversas reportagens em revistas como a Vogue ou a Vanity Fair. A foto de 2009 expressa o que Lawson chamou de “uma cena de amor de jovens negros” e faz parte de um projeto mais amplo que registra momentos de beleza na vida cotidiana que tenham relação com questões políticas e históricas da diáspora negra. Em 2016, esta foto estampou a capa do disco de jazz experimental “Freetown Sound”, de Blood Orange.


por José Antônio Orlando.

Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Fotografias que mudaram padrões. In: Blog Semióticas, 17 de setembro de 2026. Disponível em: https://semioticas1.blogspot.com/2026/09/fotografias-que-mudaram-padroes.html (acesso em .../.../…).


 Para acessar a fotorreportagem da  T  Magazine,  clique aqui








Fotografias que mudaram padrões: acima,
Diane Arbus em autorretrato em Nova York, 1968.

Abaixo, Ron Galella perseguindo Jackie Onassis
nas ruas em 1971 (Ron Galella Collection)









11 de abril de 2026

Intimidades do Chelsea Hotel

 







Bem me lembro de você no Chelsea Hotel.

Você famosa, seu coração era uma lenda.

Você disse que preferia homens bonitos.

Mas, por mim, abriria sim uma exceção.
  

–– Leonard Cohen, “Chelsea Hotel” (1974)   



No livro autobiográfico “Só Garotos” (Just Kids), de Patti Smith, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, o mítico Chelsea Hotel, em Nova York, é mais do que um cenário de muitas histórias e mais do que um lar onde ela morou durante anos na companhia de Robert Mapplethorpe, antes que ele se tornasse um célebre fotógrafo e ela uma das figuras centrais do rock e da cultura pop. O Chelsea Hotel é um personagem, uma entidade que Patti Smith descreve com a nostalgia de um sonho bom – “um antro de vanguarda”, um ambiente de “elegância decadente” com uma estranha magia que atraía gente famosa e também artistas jovens e talentosos, na maioria sem grana, que naquela convivência rotativa amadureciam ideias e criavam arte nas formas mais experimentais e imprevisíveis.

Patti Smith também retorna às memórias sobre o Chelsea Hotel no recente "Pão dos Anjos" (Cia. das Letras) e escreve que, nos anos 1960 e na década seguinte, as boas energias do Chelsea se espalhavam e atraíam famosos e anônimos que depois seriam astros e estrelas da música, do cinema, da literatura e de outras artes, incluindo Janis Joplin, Nico, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Bob Dylan, Lou Reed, Iggy Pop, Sam Shepard, Andy Warhol, Jack Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs, Robert Crumb, Robert Frank, Jackson Pollock, Jonas Mekas, Stanley Kubrick, Wim Wenders, Milos Forman, Grace Slick, Leonard Cohen, entre outros. Nas memórias de Patti Smith, o Chelsea surge iluminado, “um refúgio energético e desesperado para dezenas de crianças talentosas e batalhadoras de todas as camadas sociais. Viciados em guitarra e beldades chapadas em trajes vitorianos. Poetas viciados, dramaturgos, cineastas falidos, atores franceses. Todos que passam por aqui são alguém, mesmo que ninguém no mundo exterior.”

 

 













Intimidades do Chelsea Hotel: no alto e acima,
Robert Mapplethope e Patti Smith no quarto
em que viveram durante anos no Chelsea Hotel,
fotografados por Albert Scopin em 1970.

Abaixo, o jovem Mapplethorpe, que na época,
antes de descobrir seu estilo único na fotografia,
produzia colagens com imagens eróticas
recortadas de revistas. Também abaixo,
Patti e Robert em 1969, quando tiveram
o primeiro encontro com Scopin.

Todas as imagens desta página estão publicadas no
fotolivro de Albert Scopin sobre o Chelsea Hotel










 
















Personagens lendários



Não é por acaso que Patti Smith e Robert Mapplethorpe, seu companheiro inseparável daqueles tempos, estejam em destaque em um novo fotolivro que tem o hotel como tema central: “Scopin: Chelsea Hotel”, de Albert Scopin, lançamento da editora Kerber Verlag, com 176 páginas e mais de 100 imagens inéditas do lugar e de seus hóspedes incomuns, personagens lendários que circulavam pelo prédio no período entre 1969 e 1971. O autor, atualmente um nome conhecido das artes plásticas, na época era fotógrafo iniciante e um dos moradores do hotel, hospedado em um quarto muito simples, sem banheiro privativo e mobiliado apenas com uma cama de solteiro, um armário, um abajur, mesa e cadeira. 
O casal Patti Smith e Robert Mapplethorpe havia se mudado para o Chelsea Hotel meses antes da chegada de Albert Scopin. Antes, eles dividiam um pequeno e também muito modesto apartamento na Hall Street, bairro de Clinton Hill, no Brooklyn. Com pouco ou nenhum dinheiro, os dois conseguiram se hospedar no menor dos quartos do Chelsea, de número 1017, que ficava no anexo do hotel, antes era usado como depósito. Robert ficava no térreo, transformado em ateliê, e Patti no segundo piso. No fotolivro, Scopin descreve as lembranças e utopias que suas fotos traduzem e as fortes impressões que o casal Patti e Robert provocaram nele e na maioria dos hóspedes do Chelsea Hotel.







Anônimos entre famosos


"Era um casal muito marcante, muito peculiar: Robert, bonito, descolado, cínico, distante; Patti, com roupas punk, rosto expressivo, franca, cheia de vida”, recorda Scopin, destacando que os dois eram figuras-chave naquela comunidade boêmia. “Eles eram diferentes. Todos no Chelsea queriam ser estrelas, mas eles eram mais sérios e mais motivados. Ela escrevia poemas e lia em voz alta com uma intensidade expressiva que me impressionava. Com Patti, tudo estava presente desde o início. Robert era mais reservado, mais difícil de se aproximar. Tinha um ar elegante, calças de couro, colete de abotoamento duplo e um cordão de prata. Um dia uma artista chamada Sandy Daley, do quarto ao lado, emprestou a ele uma câmera Polaroid e ele começou a descobrir seu estilo único na fotografia”.

Na época em que as fotos foram feitas, Patti Smith e Mapplethorpe eram dois anônimos circulando no Chelsea entre outros hóspedes mais conhecidos como artistas e figuras públicas, muitos deles ricos e famosos. Mas as fotos do casal inseparável, e especialmente as de Patti Smith, permanecem entre as preferidas de Scopin, que reconhece o destaque e justifica sua preferência. "Reencontrar esta coleção de fotos foi uma emoção muito forte e algumas delas continuam a me emocionar quando olho devagar para elas. Se eu tivesse de selecionar algumas, entre todas, eu diria que as fotografias de Patti Smith em seu quarto são especialmente importantes para mim. Elas contêm algo que me interessa muito no momento: a conexão entre uma pessoa e o mundo que ela cria ao seu redor".















Intimidades do Chelsea Hotel: no alto,
Sandy Daley e Patti Smith, amigas e vizinhas
de quarto. Daley foi quem emprestou sua
câmera
 e introduziu Mapplethorpe nos
segredos da fotografia.

Acima, Patti Smith e um detalhe da parede
do quarto com o cabideiro improvisado
e decorado com retratos de seus três ídolos:
Antonin Artaud, Albert Camus e Dylan Thomas.

Abaixo, a portaria do hotel em fotografia de 1970
















Pouso na Lua


Albert Scopin vinha da Alemanha com a vaga intenção de se tornar fotógrafo profissional e chegou ao Chelsea Hotel aos 26 anos, no dia seguinte ao primeiro pouso de uma nave espacial na Lua. No primeiro bar em Nova York ele conheceu um músico que recomendou o Chelsea, um antigo hotel de Manhattan, construído em 1884, o preferido de escritores como Oscar Wilde e Mark Twain e que continuava a atrair como hóspedes os escritores, poetas, jornalistas, músicos de rock e todo tipo de artista. Quando Scopin chegou, descobriu um hotel de extremos: nos andares superiores, quartos amplos e requintados para artistas consagrados e celebridades, enquanto os quartos nos andares inferiores eram menores e hospedavam artistas anônimos da cena underground e estrangeiros que vinham tentar a sorte em Nova York. Scopin pertencia ao segundo grupo.













Intimidades do Chelsea Hotel: no alto,
um encontro de amigos em uma das sacadas
do hotel: a atriz transgênero dos filmes de
Andy Wahrol, 
Holly Woodlawn (que inspirou a
canção de Lou Reed “Walk on the Wild Side”), e os

cineastas Rosa von Praunheim e Shirley Clarke.

Acima, Shirley Clarke em seu quarto,
transformado em estúdio para edição e
montagem. Abaixo,
o disputado bazar de Natal
do Chelsea Hotel em 1970, com artigos que
alguns hóspedes colocavam à venda






O dossiê de imprensa para o lançamento do fotolivro “Scopin: Chelsea Hotel” traz um breve relato sobre os percalços do projeto e das fotografias desde os registros originais e informais de Scopin, no período de 1969 a 1971. Enquanto trabalhava ocasionalmente como assistente de fotógrafos na época renomados, como Mikel Avedon e Bill King, Scopin também escrevia um diário e fotografava o cotidiano agitado de seus vizinhos de quarto no Chelsea usando uma câmera amadora Kodak Instamatic. Durante sua longa temporada no hotel, Scopin foi contratado, em 1971, como fotógrafo freelancer por uma revista recém-fundada, a Zeit Magazin, a convite de um amigo da Alemanha. Para sua primeira publicação, ele selecionou suas melhores fotos sobre o Chelsea Hotel e enviou pelo correio. A fotorreportagem foi publicada e ele recebeu o pagamento conforme o combinado, mas os negativos e ampliações originais não foram devolvidos após a edição da revista. Provavelmente foram roubados e Scopin, durante décadas, acreditou que tudo estava definitivamente perdido.


Reviravolta inesperada



Foi somente em 2016, quando aquela coleção de fotografias era apenas uma lembrança do passado, que aconteceu uma reviravolta inesperada. O curador da Galerie Ahlers, Oliver Ahlers, da Baviera, na Alemanha, fez contato com Scopin para informar que havia localizado por acaso uma pasta com todas as fotografias, incluindo os negativos, as ampliações e os slides sobre os hóspedes do Chelsea Hotel. Oliver Ahlers havia comprado o pacote completo de um comerciante de arte na cidade de Bremen. O material redescoberto foi celebrado pelo fotógrafo com a apresentação em uma exposição em Berlim, na FWR Galerie (Feldbusch Wiesner Rudolph), e posteriormente deu origem ao fotolivro “Scopin: Chelsea Hotel”.
















Intimidades do Chelsea Hotel: no alto,
a artista das instalações Stella Waitzkin
em seu quarto no hotel, antes de conquistar
fama e prestígio com seus trabalhos no acervo
de museus como o MoMA e o Smithsonian.

Acima, o quarto em alto estilo de
Richard Bernstein, que se tornaria colaborador
importante 
de Andy Warhol. Abaixo, outra lenda:
o compositor George Kleinsinger, que durante
25 anos viveu no quarto transformado em viveiro
com pássaros tropicais, cobras, lagartos, insetos
exóticos e um pequeno hipopótamo. Kleinsinger
morreu no Chelsea e suas cinzas foram
lançadas pelos amigos no terraço do hotel









Ao impacto das imagens inéditas do livro, que retratam a vida cotidiana de hóspedes e funcionários em um curto período da história do Chelsea, Albert Scopin acrescenta breves textos poéticos e autobiográficos, além de uma longa entrevista, feita pelo historiador de arte e curador Michael Stoeber. Na entrevista, Scopin esclarece o contexto de algumas fotos e revela detalhes de sua pesquisa sobre a trajetória lendária das relações do hotel com a arte, a literatura e a contracultura. Além de ser o preferido de muitos escritores e celebridades, desde os primeiros anos de funcionamento, foi em seus quartos e saguões que obras importantes foram criadas por escritores, artistas plásticos, músicos e gente do teatro e do cinema. Entre outros eventos da mitologia do Chelsea, também há histórias trágicas envolvendo gente famosa, como a morte do poeta Dylan Thomas, encontrado caído no quarto, depois de escrever “Under Milk Wood”, ou o caso de Nancy Spungen, assassinada por Sid Vicious, da banda Sex Pistols, no quarto em que o casal estava hospedado.

As boas lembranças, no entanto, somam pontos a favor da mística do Chelsea. Foi durante uma temporada de duas ou três semanas no hotel que Jack Kerouac escreveu “On The Road”. E não apenas Kerouac, mas vários autores da Geração Beat, como William Burroughs, Allen Ginsberg, Gregory Corso e Charles Bukowski passaram longas temporadas no Chelsea, que também abrigou alguns dos lendários saraus promovidos pelo grupo. Arthur C. Clarke escreveu “2001, Uma Odisseia no Espaço” quando era hóspede do hotel, e outro escritor célebre, Arthur Miller, escreveu suas obras mais conhecidas quando morava no Chelsea, antes de se casar com Marilyn Monroe. Há também uma lista de canções que surgiram no hotel, entre elas alguns dos primeiros sucessos de Bob Dylan, quando ele era hóspede com sua primeira esposa, Sara Lownds. E foi no Chelsea que surgiu a primeira versão de “Walk on the Wild Side” de Lou Reed, inspirada por outra hóspede, Holly Woodlawn, atriz transgênero porto-riquenha.
















Intimidades do Chelsea Hotel: no alto,
dois cineastas exilados da Checoslováquia
e hóspedes durante anos no Chelsea,
Ivan Passer e Milos Forman. Acima,
o cineasta da Lituânia, Jonas Mekas, chamado
de “padrinho" do cinema de vanguarda nos
EUA e pioneiro na valorização dos filmes
com temática LGBT, hóspede do Chelsea
e vizinho de quarto de Scopin durante
todo o período que o fotógrafo viveu no hotel;
e o cineasta alemão Win Wenders, hóspede
do Chelsea na época da estreia de seu
primeiro longa, "Summer in the City".

Abaixo, o quarto da nudez irrestrita de
Jackie Curtis e seu amigo Freund,
colaboradores do círculo de Andy Warhol;
e uma performance de 1970, no Chelsea,
do espetáculo musical “
Vain Victory”,
escrito por Jackie Curtis, com participação
de Candy Darling, Mary Voronov,
Holly Woodlawn e outras estrelas
da Factory de Warhol.

No final da página, a artista performática
Chancy Dévaureaux e um amigo; a garota
no papel de palhaço com um amigo na
portaria do Chelsea; e a entrada do
hotel em fotografia de 1970
















Hóspedes da utopia



“Eu lembro bem de você no Chelsea Hotel”, diz Leonard Cohen no primeiro verso de “Chelsea Hotel”, uma das canções mais célebres sobre o hotel lendário – gravada em 1974 no álbum de Cohen “New Skin for the Old Experience”. A canção foi dedicada a Janis Joplin, hóspede frequente do Chelsea até sua morte em 1970. Diz a lenda que Leonard Cohen e Janis se conheceram no elevador do hotel, em algum dos 12 andares do prédio, e viveram a partir daí uma paixão arrebatadora e efêmera. No momento do encontro, ambos estavam à procura de outros hóspedes: Janis, que morava no quarto 411, estava à espera de Kris Kristofferson, que ficou de apresentar a ela a canção “Me and Bobby McGee”; Leonard Cohen, que estava hospedado no quarto 424, estava em busca de Brigitte Bardot, porque soube que ela também estava no Chelsea Hotel.

No começo de 1972, Albert Scopin deixou o Chelsea e, anos depois, trocou a fotografia pelas artes plásticas, com dedicação aos desenhos e às pinturas de paisagens abstratas com experimentos de materiais como asfalto e pigmentos de terra. “Todos no Chelsea eram pessoas interessantes, e atrás de cada porta havia um novo mistério. Foi uma época intensa e emocionante, e então, em certo momento, tudo acabou e cada um seguiu o seu caminho”, escreve Scopin no prefácio do livro. Mais do que apenas nostalgia em antigos registros sobre um momento vibrante da história do Chelsea Hotel, as fotografias de Scopin surgem como um documento importante da contracultura e como uma possibilidade utópica, um aceno de esperança para tempos de maior liberdade e de respeito às diferenças.


por José Antônio Orlando.

 

Como citar:


ORLANDO, José Antônio. Lisette Model contra os racistas. In: Blog Semióticas, 11 de abril de 2026. Disponível em: https://semioticas1.blogspot.com/2026/04/intimidades-do-chelsea-hotel.html (acesso em .../.../…).

 

Para comprar o fotolivro  "Scopin: Chelsea Hotel",  clique aqui.


 



Para comprar o livro  "Só Garotos",  de Patti Smith,  clique aqui.




Para comprar o livro  "Pão dos Anjos", de Patti Smith,  clique aqui.








 


 

Outras páginas de Semióticas