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3 de setembro de 2026

Feminismo por Gloria Steinem

 




Revoluções, como árvores, crescem de baixo para cima.

–– Gloria Steinem

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Assisti há alguns dias ao filme “As Vidas de Gloria” (“The Glorias”, de 2020) e fiquei pensando no capítulo importante que a jornalista, ativista, líder e pioneira do feminismo Gloria Steinem representa para o movimento feminista e para a autoestima de mulheres no mundo inteiro nas batalhas contra o sexismo, pelo respeito e pela igualdade no trabalho, em casa e na vida em sociedade. Hoje sou surpreendido com a notícia da morte de Gloria, aos 92 anos, e recordei algumas cenas do filme. A questão central, que a diretora e roteirista Julie Taynor destaca, em quatro fases da vida da ativista, é a complexidade do que seja o feminismo e como Gloria Steinem incorpora esta complexidade do movimento feminista durante décadas.

Julie Taynor vem de filmes notáveis, especialmente a cinebiografia de Frida Kahlo com Salma Hayek (“Frida”, de 2002) e um conto musical de guerra e paz e romance que tem as canções dos Beatles como fio condutor (“Across the Universe”, de 2007). Em “As Vidas de Gloria”, com roteiro baseado no livro autobiográfico “My Life on the Road”, publicado no Brasil como “Minha vida na estrada” (Editora Bertrand Brasil), são quatro atrizes para interpretar períodos da história de Gloria: na infância e na adolescência, Ryan Kiera Armstrong e Lulu Wilson; na juventude e na maturidade, Alicia Vikander e Julianne Moore. Também são notáveis as participações de duas cantoras e atrizes: Bette Midler, no papel da deputada feminista Bella Abzug, e Janelle Monáe como Dorothy Pitman Hughes, parceira de Gloria na fundação da publicação que foi um divisor de águas, a revista Ms. (abreviação para “senhorita”).










Feminismo por Gloria Steinem: no alto,
Gloria e sua parceira na fundação da revista M
s.,
Dorothy Pitman Hughes
, em um evento em 1971.
A
cima, Gloria na marcha do Dia da Mulher,
em 7 de março de 1985 em Nova York.

Abaixo, Julianne Moore no papel de Gloria no
filme
“As Vidas de Gloria” (The Glorias) e o cartaz
original
do filme dirigido por Julie Taymor








Viagem no tempo


“As Vidas de Gloria” salta para frente e para trás na trajetória dos personagens, com Julianne Moore na maior número de cenas, vivendo a protagonista a partir dos anos 1970, mas as outras fases da vida da ativista são fundamentais. São elas que iluminam sua formação a partir de algumas experiências que resultam no seu idealismo e sua sabedoria no papel de liderança no movimento pela igualdade e pela liberação feminina. Uma destas experiências é um episódio célebre: em 1963, Gloria trabalhou no anonimato, disfarçada como coelhinha da Playboy, em uma das casas noturnas do poderoso império de Hugh Hefner durante 11 dias – para escrever uma longa reportagem que expõe os dramas e as baixarias a que todas as trabalhadoras eram forçadas. A reportagem conquistou prêmios e reconhecimento para o trabalho da jornalista.

A experiência de Gloria como jornalista no episódio da reportagem sobre as casas noturnas da Playboy em Nova York foi transformada em 1985 no filme “Diário de uma Coelhinha” (A Bunny’s Tale), com equipe técnica na maioria feminina, caso raro naquela época – com roteiro de Deena Goldstone e Lynn Roth, direção de Karen Arthur e com Kirstie Alley como protagonista. Produzido pela rede ABC, o filme foi lançado apenas no formato VHS no mercado brasileiro, no final da década de 1980, e atualmente não está disponível nos serviços de streaming no Brasil.

A trajetória de Gloria Steinem surgiu em outras produções na última década. A primeira foi “Gloria: Em suas próprias palavras”, de 2011, documentáriodirigido por Peter W. Kunhardt para a HBO (disponível no Brasil pelo Prime Vídeo), com imagens raras de arquivo e entrevistas com a jornalista, na época com 77 anos. Um outro documentário, “Makers: Women Who Make America”, de 2013, com roteiro e direção de Barak Goodman, disponível pela MUBI, tem três episódios, com narração de Meryl Streep e depoimentos de Gloria em destaque em uma retrospectiva sobre as últimas décadas do século 20.






Feminismo por Gloria Steinem: acima,
o cartaz do documentário de 2011 sobre
a trajetória da jornalista, nomeada como
“a feminista mais famosa do mundo”.

Abaixo, Gloria (Rose Byrne) e outras
lideranças feministas em cenas da série
“Mrs. América”, ambientada nos anos 1970



       






Direitos iguais



Além dos documentários, há uma 
minissérie, “Mrs. América”, de 2020, com criação e roteiro de Dahvi Waller para o canal FX/Hulu (disponível pela Disney + no Brasil). São nove episódios, em formato de ficção, com a trama baseada em um acontecimento histórico que na época alcançou grande repercussão: a mobilização nacional organizada por Gloria Steinem e outras lideranças feministas (Betty Friedan, Shirley Chisholm, Bella Abzug, Jill Ruckelshaus), no começo da década de 1970, para enfrentar a militância conservadora na luta pela aprovação da Emenda dos Direitos Iguais (Equal Rights Amendment).

A emenda em questão tornou-se um capítulo à parte na história do movimento feminista e dos direitos humanos e teve repercussão no mundo inteiro. Escrita e apresentada ao Congresso dos EUA em 1923 pela sufragista Alice Paul, a emenda estabelecia garantias para a igualdade de gênero – igualdade legal de direitos de homens e mulheres, proibindo qualquer discriminação baseada no sexo. Foi apresentada em 1923, mas só foi aprovada após décadas de debates, em 1972, e até atualmente, mais de 50 anos depois, ainda enfrenta obstáculos e controvérsias sobre sua aplicação. “Mrs. América” conta com Rose Byrne no papel de Gloria Steinem e um elenco de estrelas vivendo personagem que ganharam destaque naquele momento histórico, incluindo Cate Blanchett, Tracy Ullman, Sarah Paulson, Melanie Lynskey, Elizabeth Banks, Margo Martindale e Uzo Aduba.





Feminismo por Gloria Steinem: no alto,
Gloria no palanque de um evento do
Partido Democrata em 1972. Acima,
a partir da esquerda, Gloria, as deputadas
feministas
Bella Abzug (de pé) e Shirley Chisholm,
e a escritora e ativista
Betty Friedan em Nova York,
em 1971, no evento de fundação da bancada
política nacional das mulheres na política.
Abaixo, Gloria e Betty Friedan em 1971






Mulheres na política


Polêmica e corajosa, Gloria Steinem se transformou aos poucos em uma referência, um ícone do feminismo, uma ativista de um amplo espectro de mobilizações sobre questões femininas no movimento social em muitas lutas e causas, incluindo desde os direitos reprodutivos às batalhas pela igualdade e pela participação das mulheres na política, além de fundar diferentes organizações e publicações que marcaram época e continuam em plena atuação. No informe publicado como obituário nas redes sociais pela fundação que leva seu nome, Gloria é nomeada como expoente da “segunda onda” do feminismo – “com quase um século de vida bem vivido, trabalhando pela igualdade até o fim”.

Convém lembrar que se convencionou dividir o feminismo em “ondas”, cada uma com pautas específicas, como o direito ao voto, a libertação sexual, a igualdade no mercado de trabalho e as discussões sobre raça e classe social. A primeira onda, também nomeada como “precursoras”, inclui ativistas e escritoras com foco de atuação nos direitos civis das mulheres, no direito à educação formal e no direito ao voto feminino, movimento que surgiu na Inglaterra, no século 19, e no qual as militantes, conhecidas como sufragistas, chamavam a atenção em público com marchas, greves e protestos. O primeiro país a garantir o voto das mulheres foi a Nova Zelândia, em 1893. Mais de três décadas depois, em 1928, o voto foi aprovado no Reino Unido. No Brasil, as mulheres conquistaram o direito de votar em 1932.

No período considerado como começo dos ideais pelos direitos femininos, a partir do século 17 e até o começo do século 20, alcançam destaque nomes como Sor Juana Inés de la Cruz (1648–1695), pioneira do protofeminismo nas Américas, nascida no México, que transformou a vida religiosa no convento em dedicação para estudar e escrever poesias, peças de teatro e ensaios que desafiavam o patriarcado e defendiam o direito das mulheres ao conhecimento, ou Mary Wollstonecraft (1759-1797), escritora nascida na Inglaterra, esposa do célebre precursor do anarquismo, o filósofo William Godwin, e mãe da também escritora Mary Shelley, autora de “Frankenstein”.






Feminismo por Gloria Steinem: acima,
Gloria e outras ativistas participam de
um ato público em Washington em 1979.
Abaixo, as sufragistas
Annie Kenney e
Christabel Pankhurst, lideranças do movimento
pelo voto feminino no Reino Unido em 1903







Antecedentes na História


Entre outros nomes, sempre lembradas como pioneiras do feminismo, estão Olympe de Gouges (1748-1793), pseudônimo de Marie Gouze, também escritora, nascida na França, com importante atuação na Revolução Francesa, militante da democracia e da atuação das mulheres na política; e Sojourner Truth (1797-1883), nascida escravizada em Nova York, que conseguiu escapar com sua filha pequena para a liberdade em 1826 e conquistar considerável projeção como abolicionista e ativista dos direitos das mulheres afro-americanas. Dos seus textos mais conhecidos, é especialmente comovente seu discurso “E não sou uma mulher?”, que expôs a exclusão das mulheres negras dentro dos primeiros movimentos feministas.

Há alguns livros publicados no Brasil que ajudam a entender a cronologia, os conceitos e os nomes que moldaram cada onda do feminismo e os nomes por trás de cada período, com destaque para “Feminismo em Comum: Para todas, todes e todos” (Editora Rosa dos Tempos, 2018), da filósofa brasileira Marcia Tiburi; e “O feminismo é para todo mundo: Políticas arrebatadoras” (Editora Rosa dos Tempos, 2018), de bell hooks, pseudônimo adotado por Gloria Jean Watkins (1952-2021) para homenagear sua avó chamada Bell Blair Hooks, uma mulher conhecida por falar a verdade sem medo. A autora, nascida em Kentucky, Estados Unidos, decidiu assinar sob pseudônimo, em letras minúsculas, para tentar, segundo ela própria, colocar o foco de seus leitores nas suas ideias e não na fama de seu nome ou de sua imagem pessoal.






Feminismo por Gloria Steinem: acima,
Gloria em fotografia da década de 1970.
Abaixo, em fotografia da década de 1920,
a sufragista
Alice Paul, que apresentou
ao Congresso dos EUA, em 1923,
a emenda constitucional que estabelecia
garantias para a igualdade
de gênero







O Segundo Sexo


Também merece recomendação, entre os estudos didáticos sobre o tema, “Feminismos: Uma história global” (Companhia das Letras, 2022), da historiadora britânica Lucy Delap, que parte de oito grandes temas ― sonhos, ideias, espaços, objetos, visuais, sentimentos, ações e canções ― para examinar as diferentes formas pelas quais mulheres se mobilizaram pela igualdade de gênero ao redor do mundo, abrangendo diversas revoluções, religiões e lutas anticoloniais. Há outros livros importantes, que se tornaram referência sobre o feminismo, escritos por autoras da “segunda onda”.

Entre as autoras deste período que produziram obras que ganharam a condição de clássicos sobre a questão feminina estão a filósofa existencialista francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), autora de “O Segundo Sexo”, de 1949, publicado pela editora Nova Fronteira; a historiadora austríaca Gerda Lerner (1920-2013), autora de “A Criação do Patriarcado” e “A Criação da Consciência Feminista”, ambos publicados pela Editora Cultrix; e a escritora e ativista do feminismo Betty Friedan (1921-2006), nascida em Illinois, EUA, autora de “A Mística Feminina”, de 1963, publicado pela Rosa dos Tempos.

Outra escritora e pensadora do mesmo período é Susan Sontag (1933-2004), que não era considerada uma militante tradicional do feminismo, mas sim uma intelectual independente e “dissonante”. Embora sempre tivesse apoiado publicamente e de maneira firme as causas da emancipação feminina e a autonomia das mulheres, Sontag, que recusava a militância organizada, publicou ensaios brilhantes que são referências fundamentais sobre o tema. A maioria destas reflexões foi escrita e publicada na década de 1970, em jornais e revistas, durante a segunda onda do feminismo, e depois reunida no livro póstumo de 2023 “Sobre as Mulheres” (On Women), organizado por seu filho David Rieff e publicado no Brasil pela Companhia das Letras.








Feminismo por Gloria Steinem: acima,
a partir da esquerda, Gloria, o comediante
Dick Gregory
, a escritora Betty Friedan e
a ativista
Patricia Roberts Harris na marcha
da Emenda da Igualdade de Direitos,
em Washington, 1978.
Abaixo, Gloria na
redação da
revista Ms. com as jornalistas
Freada Klein e Karen Savigne






Questões de gênero


Nas vertentes contemporâneas, também chamadas de terceira e quarta ondas do feminismo, no período que vem da segunda metade do século 20 à atualidade, além das autoras e ativistas citadas, conquistaram destaque nomes como Angela Davis, filósofa, professora e militante de esquerda nascida em 1944 no Alabama, EUA, autora de “Mulheres, Raça e Classe”, de 1981, publicado no Brasil pela Boitempo Editorial, que demonstra como a opressão pelas mulheres não pode ser separada da exploração econômica e do racismo estrutural.

Também são referências no cenário contemporâneo nomes como Judith Butler, filósofa e professora nascida em 1956 em Ohio, EUA, autora de “Problemas de Gênero”, de 2003 (publicado pela editora Civilização Brasileira), que apresenta uma crítica à questão da identidade, um dos fundamentos do feminismo, argumentando que o gênero é uma performance construída socialmente e culturalmente, e não uma essência biológica; e Naomi Wolf, jornalista nascida em San Francisco, EUA, em 1962, autora de “O Mito da Beleza”, de 1990, publicado no Brasil pela Rosa dos Tempos, em que revela como as imagens de beleza e juventude são cruelmente usadas contra as mulheres para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970.





Feminismo por Gloria Steinem: acima,
Gloria em uma conferência em Nova York
em 1979. Abaixo, uma policial revista e
prende Gloria
durante um protesto
contra
o apartheid do lado de fora da embaixada
da África do Sul em Washington, 1984





América Latina


Além das ativistas e autoras da Europa e dos Estados Unidos, há as autoras da América Latina e do Brasil que abordam as questões do feminismo, incluindo as pioneiras no século 19 e no começo do século 20, entre elas a brasileira Nísia Floresta (1810-1885), considerada a primeira feminista do Brasil, autora de “Direitos da Mulheres e Injustiças dos Homens” (1832), defendendo que a educação era a chave para a libertação feminina; Ana Betancourt (1932-1901), ativista da independência de Cuba que, em pleno século 19, discursou perante a Assembleia Constitucional exigindo que a libertação dos escravizados e a emancipação das mulheres fossem colocadas no mesmo patamar; Paulina Luisi (1875-1950), nascida no Uruguai, primeira mulher a se formar em medicina e uma das maiores líderes sufragistas da América Latina; e Teresa de La Parra (1889-1936), nascida na Venezuela, autora do romance revolucionário “Ifigênia” (1924), uma crítica severa e fundamentada contra a sociedade patriarcal.

Questões da interseccionalidade entre raça e classe social, diversidade cultural, identidade de gênero, feminismo decolonial, combate à violência e resistência às ditaduras militares em países latino-americanos também surgem em obras teóricas e no ativismo de nomes das brasileiras Lélia Gonzalez (1935-1994), que formulou o conceito de Amefricanidade e argumentava que o feminismo precisava “falar português com sotaque africano”, autora da coletânea de ensaios “Por um Feminismo Afro-Latino-Americano”; Eunice Paiva (1929-2018), advogada e ativista que se tornou um símbolo de resistência à Ditadura Militar após o desaparecimento de seu marido Rubens Paiva (tema do filme de Walter Salles “Ainda Estou Aqui”), atuando na defesa dos direitos indígenas e na luta por justiça e memória; e Conceição Evaristo, autora de “Ponciá Vicêncio” (2003) e outras obras que retratam as marcas da escravidão e do machismo na vida das mulheres negras do Brasil.





Feminismo por Gloria Steinem: acima,
Gloria durante um comício em Nova York,
em 1968. Abaixo, a capa da primeira
edição da
Ms. Magazine, lançada em 1972






Memórias da transgressão


A lista de nomes de autoras e ativistas do feminismo na América Latina, do final do século 19 à atualidade, é extensa e inclui, entre outros nomes, mulheres da Argentina (María Lugones, Rita Segato, Dora Barrancos, Samanta Schweblin, Mariana Enriquez, Chicha Mariani), do Uruguai (Idea Vilariño, Armonía Somers, Silvia Rodríguez Villamil, Lilian Celiberti, Mónica Michelena, Constanza Moreira), da Bolívia (Julieta Paredes), da Nicarágua (Gioconda Belli), de Honduras (Berta Cáceres), da República Dominicana (Yuderkys Espinosa Miñoso, Ochy Curiel), do México (Laureana Wright González, Hermila Galindo, Rosario Castellanos, Marcela Lagarde, Marta Lamas), de Cuba (Mariblanca Sabas Alomá, Vilma Espín, Haydée Santamaría, Teresa Díaz Canals, Mariela Castro Espín). Para concluir, retornamos à ativista e jornalista Gloria Steinem, que motivou este artigo, e que também tem importantes livros publicados sobre as questões e as lutas políticas do movimento feminista.

Dois dos principais livros de Gloria Steinem têm traduções no Brasil. O mais recente é “Minha Vida na Estrada” (Editora Bertrand Brasil), adaptado para o filme “As Vidas de Gloria”, relato autobiográfico e memorialista que apresenta sua jornada como jornalista, ativista e uma das vozes centrais da revolução feminista. O outro livro é “Memórias da Transgressão” (Outrageous Acts and Everyday Rebellions), de 1983, publicado pela Rosa dos Tempos em 1997, reunindo uma coleção de ensaios e artigos mais provocativos, incluindo a reportagem de 1963, de quando trabalhou disfarçada como coelhinha da Playboy para denunciar a exploração das mulheres, e o ensaio satírico e polêmico “Se os homens pudessem menstruar”, publicado em 1978 na revista Cosmopolitan.





Feminismo por Gloria Steinem: acima,
Gloria no apartamento em que morava,
em Nova York,
na década de 1970.
Abaixo,
participando de um protesto
nas ruas na década de 1980

No final de página, Gloria Steinem durante
uma
manifestação em Washington em 2004,
organizada p
or uma das entidades que Gloria
ajudou a criar,
a Equality Now, que luta pela
igualdade de direitos e equidade de gênero;
a editora da Vogue,
Anna Wintour, ao lado de
Gloria em um evento em Nova York em 2023;
e
Gloria com Kirsten Alley, atriz do filme
"Diário de uma Coelhinha”
, na redação da
Ms. Magazine, na época do lançamento do filme,
em 1985, com um pôster da foto de
1963 com
Gloria disfarçada de coelhinha da Playboy






Revolução e autoestima


Há ainda os célebres discursos de Gloria Steinem em manifestações e eventos, reportagens em jornais e revistas, e outros livros que aguardam publicação no Brasil, entre eles um estudo sobre o mito de Marilyn Monroe (“Marilyn: Norma Jean”, de 1986); um longo ensaio sobre a construção da autoestima e da autonomia das mulheres (“Revolução Interior: Um Livro sobre Autoestima”, de 1992); uma seleção de ensaios sobre questões de gênero, raça, idade e relações de poder (“Moving Beyond Words”, de 1994); um estudo sobre maturidade e envelhecimento (“Doing Sixty & Seventy”, de 2006); “James Baldwin, An Original”, perfil biográfico sobre o escritor e ativista, resultado de uma série de reportagens nos anos 1960 para a revista Vogue, transformada em livro publicado em 2016; e “The Truth Will Set You Free, But First It Will Piss You Off!” (“A verdade vai te libertar, mas primeiro vai te deixar uma fera!”), de 2019, com reflexões e palavras de ordem sobre o feminismo, a rebeldia e o ativismo social, com ilustrações de Samantha Dion Baker.

Muitos procuram a pessoa certa, mas poucos se esforçam para ser a pessoa certa” – a frase que foi um dos lemas de Gloria em várias ocasiões, está no início do livro de 2019. O recorte de algumas destas frases isoladas talvez possa levar os mais apressados, nos dias atuais, a confundir seu ativismo e suas palavras com o conteúdo dos famigerados manuais de autoajuda ou com a epidemia de “coaches” que infestam as redes sociais da internet, mas apenas um pouco de atenção se suficiente para entender que cada uma das frases ou das palavras de ordem traduz a perspectiva de encanto e coragem que ela veio construindo desde sua adolescência e juventude no final dos anos 1940. As ideias de Gloria Steinem também podem soar como diagnóstico e estímulo para o futuro. Um exemplo: “Os homens são mais apreciados quando vencem; as mulheres são mais apreciadas quando perdem; é assim que o patriarcado se impõe todos os dias”.


por José Antônio Orlando

Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Feminismo por Gloria Steinem. In: Blog Semióticas, 3 de setembro de 2026. Disponível em: https://semioticas1.blogspot.com/2026/09/feminismo-por-gloria-steinem.html (acesso em .../.../…).





 

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