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Fashion is about who you want to be, not who you are.
(Moda é sobre quem você quer ser e não sobre quem você é.)
–– Richard Avedon.
Um dos mais importantes teóricos da fotografia, e também um dos pensadores da cultura mais influentes desde a segunda metade do século 20, o francês Roland Barthes nunca concluiu sua tese de doutorado. Uma parte dela foi publicada em 1967 no livro “O Sistema da Moda” – análise minuciosa a partir de revistas para tentar decifrar a moda como um sistema de significados, um código retórico de imagens e palavras que estabelecem gostos de consumo e tendências culturais. “O Sistema da Moda” não propõe uma história da indumentária e muito menos uma sociologia da moda ou uma psicologia da moda. O que Barthes apresenta é uma semiótica da moda, um estudo sobre a linguagem e os sentidos do que seja a moda e do que seja “estar na moda”.
Alguns dos pressupostos de Barthes, que deram à moda um verniz de assunto nobre e universitário, poderiam servir como epígrafe para uma retrospectiva em formato de reportagem fotográfica feita recentemente pelo jornal The New York Times em sua revista “T” (abreviação para The New York Times Style Magazine – veja o link para a reportagem no final desta página). Um dos editores da revista, Nick Haramis, convidou um time de especialistas, que incluiu fotógrafos, estilistas, designers de moda, jornalistas e modelos, para elaborar uma lista com as 25 fotografias de moda mais influentes do último século. Tendo como critérios para a seleção as questões de impacto e de originalidade, a proposta partiu de uma tarefa potencialmente impossível: nomear uma série de imagens que mudaram padrões sobre beleza e estilo.
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Fotografias
que mudaram padrões: no alto da página,
a
capa do álbum “Homogenic”, de Björk, lançado em 1997,
com
fotografia de Nick Knight que teve direção de arte
do
estilista Alexander McQueen. Acima, a fotografia
original de Björk antes da pós-produção. Abaixo, a
capa
desdobrável de julho de 2005 da
Vogue Itália
com fotografia
de
Steve Meisel
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Nomes de referência
Como em toda lista, as imagens selecionadas estão sujeitas aos mais variados questionamentos e podem levar a argumentos sobre rejeições e dúvidas diante de outras fotografias igualmente marcantes que não foram incluídas. As possíveis ressalvas também servem para confirmar que esta não é uma lista definitiva e sim um conjunto mais ou menos memorável para reforçar alguns nomes como referência e apresentar um acervo de imagens e mensagens que provocaram polêmicas e rupturas em sua época e que foram normalizadas, realmente adotadas como norma ou diluídas pela profusão de imitadores que veio depois. A lista não está restrita à publicidade nem a editoriais de moda, desde que a foto tenha de alguma forma inspirado o mundo da moda ou promovido alterações importantes nos critérios sobre estilo e comportamento.
A lista das 25 fotografias marcantes que mudaram padrões sobre beleza e estilo, segundo os critérios da reportagem, inclui imagens muito conhecidas que vêm de fotojornalismo, fotos autorais sobre temas diversos, fotos que se tornaram capas de disco, ou que foram produzidas com esta finalidade, e até um registro feito por um paparazzo. Pelos critérios de votação, em que cada convidado escolhia 10 fotografias sem ordem de classificação, houve o caso do fotógrafo Steven Meisel, que aparece selecionado com mais de uma fotografia.
Na
lista, a fotografia mais antiga é de 1951, de Irving Penn, e a mais
recente é de Deana Lawson, de 2009. No conjunto de imagens
selecionadas, as décadas mais lembradas são a de 1990, com sete
fotografias, seguida dos anos 1970, com seis, e dos anos 1980, com
cinco imagens selecionadas. Os perfis dos fotógrafos e as análises
sobre cada fotografia, reproduzidas a seguir, em ordem cronológica,
foram feitos por mim. E, sendo uma revista norte-americana, nenhuma
surpresa pela maioria dos fotógrafos e das cenas registradas serem
dos Estados Unidos.
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Irving Penn, “Manga larga, Sunny Harnett”, Nova York, 1951
O
norte-americano Irving Penn (1917-2009), um dos mais importantes
fotógrafos de moda do século 20, muitas vezes copiado e tomado como
referência por sua trajetória de excelência, trabalhou por mais de
60 anos para a revista Vogue e ficou conhecido tanto por seus
enquadramentos inesperados como pelas perspectivas e enquadramentos
incomuns que foram mudanças radicais em relação à tradição
centralizada que sempre dominou as fotografias do mundo da moda.
Nesta foto de 1951, a modelo Sunny Harnett tem o rosto cortado na
altura dos olhos e o destaque vai para os detalhes da
roupa.

Robert Frank, “Rodeio”, Nova York, 1954
Nascido
na Suíça e radicado nos Estados Unidos depois da Segunda Guerra,
Robert
Frank (2024-2019) conseguiu uma bolsa da Fundação
Guggenheim para
viajar por 30 estados do país fotografando pessoas comuns. Seu
primeiro trabalho, depois da guerra, foi como fotógrafo de moda para
a Harper’s Bazaar e outras revistas, mas ele não se ajustava
às limitações das pautas e partiu para a fotografia documental,
registrada em sua obra-prima “The Americans” – livro de
1958 que
inclui a foto do
cowboy anônimo de chapéu, jeans e botas e couro encostado em uma
lata de lixo na cidade grande.
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Nascido
em Nova York, Melvin Sokolsky (1933-2022) dedicou-se a fotografias de
moda e de publicidade. Em 1963, produziu um editorial de moda de 12
páginas para a revista
Harper’s
Bazaar que tornou-se
um
acontecimento: inspiradas em um detalhe da pintura monumental “O
Jardim das Delícias Terrenas” (1490), do holandês Hieronymus
Bosch, as
fotos apresentavam
a
modelo Simone D'Aillencourt, vestindo peças da coleção do estilista Philippe Venet, dentro de uma bolha
de plástico, em vários cenários das ruas de Paris.
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Diane Arbus, “Jovem com bobes em casa”, Nova York, 1966
Fotógrafa
e escritora, Diane Arbus (1923-1971) começou trabalhando para
revistas de moda, produzindo editorias e anúncios publicitários com
o marido, Allan Arbus, mas terminou abandonando a parceria para
fotografar as ruas de Nova York. Ficou conhecida por seus registros
sobre pessoas anônimas e marginalizadas. Na fotografia de 1966,
feita com uma câmera Rolleyflex, muito próxima do personagem, a
impressão é que estamos presenciando a conversa.
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Ed van der Elsken, “Zwitserland”, Alpes Suíços, 1967
O
fotógrafo e cineasta holandês Ed van der Elsken (1925-1990)
trabalhou
com Henri Cartier-Bresson e Robert Capa na Agência Magnum, em
Paris,
e viajou por diversos países. Seu foco principal eram as
pessoas
comuns
em cenas urbanas e os
marginalizados,
abrangendo
da Segunda Guerra até os anos 1980.
Nesta
foto enigmática de 1967, publicada
em um editorial sobre viagens da revista Avenue, de Amsterdã, a
jovem com a perna engessada contempla a paisagem na
janela com
uma
sensualidade que
era incomum
para a época. Sofia Coppola reproduz esta imagem nos fotogramas iniciais do filme "Lost in Translation" (Encontros e Despedidas).
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Ron Galella, “Jackie ao Vento”, Nova York, 1971
Chamado de “padrinho da cultura dos paparazzi dos Estados Unidos”, Ron Galella (1931-2022) era considerado o paparazzo mais controverso de todos, com várias desavenças e processos judiciais movidos por celebridades como Jacqueline Kennedy Onassis, Marlon Brando, Elvis Presley ou o casal Richard Burton e Elizabeth Taylor, entre outros. Ele dizia que a foto da ex-primeira dama passeando em Nova York era sua “Mona Lisa”, depois de permanecer como uma presença incômoda durante anos na vida cotidiana de Jackie.
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Helmut Newton, “Yves Saint Laurent, Rue Aubriot”, 1975
O
fotógrafo alemão Helmut Newton (1920-2004) ficou conhecido por seus
estudos de nu feminino que são associados, com muita frequência, a
fetiches. Depois da Segunda Guerra, ele fixou residência na
Austrália, mas seguiu durante décadas trabalhando para revistas de
moda, especialmente para a Vogue francesa. Nesta foto emblemática, a
modelo Vibeke
Knudsen está inteiramente vestida, em
uma pose em estilo andrógino, para o catálogo da Saint
Laurent.
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Robert Mapplethorpe, “Patti Smith”, Nova York, 1975
Patti
Smith e o fotógrafo Robert Mapplethorpe (1946-1989) foram amantes,
no final da década de 1960, quando moravam no lendário Chelsea
Hotel e iniciavam suas carreiras, e depois foram amigos muito
próximos. Nesta foto, produzida para a capa de “Horses”, álbum
de estreia de Patti Smith, é notável a complexidade da composição
por trás de um retrato aparentemente simples. No contraste suave
entre preto e branco, a luz ilumina somente metade do rosto Patti, os
punhos da camisa foram cortados, uma fita pende do pescoço como se
fosse uma gravata e o paletó masculino está jogado sobre o ombro.
Patti declarou, em uma entrevista, que a foto “tem um pouco de
Baudelaire, um pouco de garoto católico, um pouco de Frank Sinatra e
muito de Robert”.
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Joseph Szabo, “O Beijo”, Nova York, 1977
Nascido em Ohio, em 1944, Joseph Szabo concluiu seu mestrado em Belas Artes no Pratt Institute, no Brooklyn, e começou a trabalhar como professor em uma escola pública de ensino médio em Long Island. Suas fotos mais conhecidas registram seus alunos em situações cotidianas e outros adolescentes e jovens suburbanos namorando ou passeando por Nova York, segundo ele próprio com inspiração nas célebres fotos dos libertinos e modernos parisienses nas décadas de 1920 e 1930 feitas pelo húngaro Brassaï. As atitudes rebeldes presentes em suas fotos foram reproduzidas por anúncios publicitários e estilistas de moda.
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Cindy Sherman, “Fotografia sem título nº 21”, Nova York, 1978
A
fotógrafa Cindy Sherman também é a modelo nesta fotografia de
1978, da série de retratos sem título em que a ela interpreta
diferentes atrizes promovendo filmes fictícios. Nascida em 1954 em
Nova Jersey, Cindy especializou-se em criar personas fictícias para
criticar estereótipos de gênero, papéis sociais e hábitos de
consumo. Embora ela tenha colaborado com publicações de moda em
editoriais de sátira, seu foco central é a reflexão sobre
identidade e representação visual, como neste retrato da jovem que
tem os arranha-céus emoldurando seu rosto preocupado e seu olhar
fixo em algo fora do enquadramento da fotografia.
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Guy Bourdin, “Mulher com um retrato de John Travolta”, 1979
O
francês Guy Bourdin (1928-1991) ficou conhecido por suas fotos
publicadas em revistas como a Vogue e a Harper’s Bazaar, mas também
conquistou reconhecimento por sua obra experimental e fora dos
padrões do mercado da moda e da publicidade. Influenciado por
mestres do surrealismo, especialmente por Man Ray, Bourdin criou
fotos ousadas por seus enredos enigmáticos, eróticos, com cores
fortes e provocantes – como nesta imagem feita para um anúncio
publicitário da marca francesa de calçados Charles Jourdan em que a
modelo tem uma foto emoldurada de John Travolta entre suas pernas. Madonna reproduz a pose e a cena no videoclipe de "Hollywood", sob a direção de Jean-Baptiste Mondino.
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Nan Goldin, “O Abraço”, Nova York, 1980
Nascida
em 1953 em Washington, Nan Goldin tinha 20 anos quando começou a
fotografar a si e a seus amigos anônimos, artistas, músicos e drag
queens em situações de intimidade. Seu diário visual resultaria
nas imagens confessionais de uma exposição, apresentada pela
primeira vez em 1979 e como fotolivro em 1986, com o título “A
Balada da Dependência Sexual” – uma coleção de centenas de
fotos que a consagraram como uma das fotógrafas e artistas visuais
mais importantes de sua geração. Nesta fotografia, a luz do flash
projeta a sombra das figuras e dissolve as fronteiras entre documento
e autobiografia.
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Richard Avedon, “Brooke Shields para Calvin Klein Jeans”, 1980
Talvez
Richard Avedon (1923-2004) tenha feito uma concessão ao fotografar
Brooke Shields em cores para uma campanha da Calvin Klein Jeans em
1980, já que ele sempre foi conhecido por suas fotos em preto e
branco para editoriais de moda, anúncios de publicidade e retratos
de celebridades. Na foto, ela tinha apenas 15 anos e a foto
intensificou as controvérsias sobre a sexualização de menores na
mídia – Brooke Shields já estava no centro da polêmica, por seu papel de
criança coagida à prostituição quando tinha 12 anos no filme de
1978 “Pretty Baby”, de Louis Malle. Não é a foto mais marcante
na trajetória de Avedon, mas foi um divisor de águas na
publicidade, destacando um estilo de campanhas que traria fama e fortuna para outros
fotógrafos e publicitários que vieram depois, como o italiano
Oliviero Toscani e suas fotos polêmicas criadas para a grife
Benetton. No
Brasil houve um episódio semelhante em 1987, com a campanha
publicitária “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, criada
por Washington Olivetto para a marca de lingerie Valisére; Patricia
Lucchesi, atriz dos anúncios, na época tinha 12 anos.
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Jean-Paul Goude, “Grace Jones, Azul-Preto sobre Marrom”, 1981
Nascido em 1938 na França, o fotógrafo, designer e cineasta Jean-Paul Goude conheceu a jamaicana Grace Jones nos anos 1970, quando ele era um respeitado diretor de arte da revista “Esquire” e ela se apresentava em um bar gay de pouca importância em Nova York. Eles se tornaram um casal inseparável e Goude a apresentou a artistas como Andy Warhol e Keith Haring. “Ela se tornou minha obsessão”, declarou Goude em entrevista recente. Foram muitas colaborações entre os dois, de videoclipes a capas de álbum. Esta imagem foi a capa de “Nightclubbing”, quinto disco de Grace Jones, lançado em 1981. O corte de cabelo geométrico, a maquiagem, o smoking Armani e a pele pintada com pigmento azul brilhante mudaram o visual de Grace Jones e da beleza negra desde então.
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Andy Warhol, “Jean-Michel Basquiat”, Nova York, 1982
Multiartista
e principal referência da Pop Art, Andy Warhol (1928-1987) trabalhou
em todas as mídias e todas as formas da arte em seu tempo, o que
inclui o universo da moda através de seu estúdio The Factory, que
misturava arte, música, moda e publicidade. Também produziu
milhares de fotografias de celebridades, algumas delas com câmeras
Polaroid, que revelam e imprimem a imagem segundos após o clique
fotográfico. Este retrato em Polaroid foi feito após o primeiro
encontro do jovem e desconhecido Basquiat, aos 21 anos, com o
marchand de arte suíço Bruno
Bischofberger. O
marchand
levou
o trabalho de Basquiat para a Europa e o transformou em uma lenda das
artes plásticas.
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Hans Feurer, “Susan Hess para Comme des Garçons”, 1983
O
fotógrafo suíço Hans Feurer (1939-2024) era um nome de referência
no mundo da moda quando produziu esta foto para um catálogo do
estilista japonês Rei Kawakubo e sua grife Comme des Garçons em
1983. A silhueta do vestido preto perde a forma e esconde o corpo da
modelo Susan Hess, que usa luvas pretas e calça tênis; na pose do
salto, um lenço cobre totalmente seu rosto. A foto foi tão
imprevisível e marcante que colocou a Comme des Garçons no radar da
moda mundial e alterou o estilo do próprio Kawakubo, que passou a
adotar roupas desconstruídas que desafiam os cânones da alta-costura e as formas tradicionais do
corpo.
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Carrie Mae Weems, “Série Mesa de Cozinha”, Nova York, 1990
Nascida
em 1953 no Oregon, a fotógrafa e artista multimídia produziu um
ensaio com 20 fotografias em que ela própria é personagem diante de
uma mesa transformada em palco da vida de uma mulher. Ao redor da
mesa, sob a luz de um abajur, Weems abordou temas conceituais
profundos como maternidade, racismo, sexismo, gênero, identidade e
classe social. As fotos da série deram visibilidade para o trabalho
de Weems, que em 2014 seria a primeira mulher negra a ter sua obra em
uma retrospectiva no Museu Guggenheim de Nova York.
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Corinne Day, “O 3º Verão do Amor” para a revista The Face, 1990
A
britânica Corinne Day (1965-2010) atuava como modelo, fotógrafa
e documentarista quando realizou este ensaio com
Kate Moss, na época uma modelo desconhecida de 16 anos, para
a
revista londrina The
Face. As
fotos foram um sucesso, mas alteraram os padrões da produção de
moda ao rejeitar a
maquiagem e o
glamour tradicional, introduzindo luz natural e imperfeições que
criaram um estilo polêmico, seguido por outros fotógrafos como
Craig McDean, Glen Luchford e David Sims, que
passou a ser chamado de
forma pejorativa de
“heroin chic” e que rompeu drasticamente com o padrão de beleza
anterior.
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Peter Lindbergh, “Os anos 1990” para a Vogue britânica, 1990
Fotógrafo
de moda e cineasta, o alemão Peter Lindbergh (1944-2019) foi
responsável por lançar e consagrar algumas
super-modelos como Naomi Campbell, Linda Evangelista, Tatjana
Patitz, Cindy Crawford e Christy
Turlington, que nesta foto sintetizam o estilo de Lindbergh: uso de
matizes em preto e branco, sem excesso de retoques e com pouca
maquiagem. A foto, feita à luz do dia no Meatpacking
District de
Nova York, famoso por suas lojas de luxo e sua
vida
noturna agitada, foi feita para a primeira Vogue britânica da década
de 1990. O fotógrafo dispensou os figurinos de grife e cada modelo
posou com suas
roupas cotidianas. A
foto foi capa da revista e inspiração para George Michael gravar
também em 1990 o videoclipe de “Freedom' 90” com as cinco modelos em cena e direção de David Fincher.
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Rineke Dijkstra, “Kolobrzeg", Polônia, 1992
O
portfólio “Beach Portraits”, com centenas de adolescentes de
maiô e biquini em várias cidades da Europa, na década de 1990,
trouxe prestígio à fotógrafa Rine Dijkstra, nascida em 1959 na
Holanda, e há quem destaque em sua obra referências à tradição
dos mestres da pintura holandesa, como Vermeer e Rembrandt. A série
fotográfica nas praias teve início como encomenda para um jornal
holandês e impulsionou o trabalho de Rine Kijkstra. Na imagem, a
modelo demonstra timidez e vulnerabilidade e a iluminação com flash
destaca cada personagem nas fotos e traz um equilíbrio entre figura
e fundo que remete à composição clássica de retratos muito
conhecidos na história da arte.
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Steven Meisel, “Atitude Anglo-Saxônica”, Vogue britânica, 1993
Nascido
em Nova York, em 1954, Steven Meisel é um dos mais influentes
fotógrafos de moda e de retratos de celebridades, com trabalhos
marcantes para a revista Vogue, edições da Itália e do Reino
Unido, onde fotografou muitas capas e os principais editoriais das
últimas três décadas. Esta foto foi a estreia da modelo Stella
Tennant, que vivia em uma fazenda de criação de cabras na Escócia.
A editora de moda Isabella Blow acrescentou à beleza original da
modelo um estilo andrógino com cabelos curtos, maquiagem com
contorno de preto nos olhos, e um piercing no nariz, na época um
acessório usado apenas pelos punks mais radicais. Quando a revista
foi lançada, Stella Tennant surgiu como novo padrão de beleza, o
estilo passou a ser imitado por modelos e fotógrafos influentes e
ela ganhou exclusividade com a Versace.
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David LaChapelle, “Tupac Shakur: Solitário II”, 1996
Nascido
em Connecticut, em 1963, David LaChapelle é conhecido por suas
fotografias irreverentes, de cores intensas, em cenários surreais
que muitas vezes misturam temas religiosos ou renascentistas,
trabalhando com frequência para grifes do primeiro time e para uma
variedade de publicações, da Vanity Fair à Interview, Vogue, The
Face e Rolling Stone. Neste retrato de 1996, sob encomenda para a
revista Details, o rapper Tupac Shakur, recém-libertado da prisão
por abuso sexual, e que seria assassinado em Las Vegas em setembro
daquele ano, mostra a tatuagem “Thug
Life” (Vida
de bandido) dentro da banheira, em
uma pose provocante, com
a nudez coberta apenas
por muitas
joias
de ouro.
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Nick Knight, “Devon Aoki”, revista Visionaire, 1997
O
britânico Nick Knight, nascido em 1958 em Londres, atua como
fotógrafo de moda e como professor na University of the Arts de
Londres, sendo um pioneiro do uso de manipulações digitais e
entusiasta de recursos tecnológicos de ponta como escaneamento 3D e
intervenções por Inteligência Artificial. Nesta foto, produzida
para a revista Visionaire, a modelo Devon Aoki veste uma criação de
Alexander McQueen. Em um de seus olhos, uma lente de contato; na
testa, um alfinete gigante indica um corte profundo com flores, tudo
adicionado em pós-produção. A mistura de fragilidade e estranheza
levou Björk a contratar Knight e McQueen para a capa do disco
“Homogenic”, lançado também em 1997.
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Steven Meisel, “Febre de transformação”, Vogue italiana, 2005
Na
foto da capa da revista e no ensaio editorial de Steven Meisel para
esta edição, as modelos estão em ambiente de hospital com
bandagens e curativos, e algumas se contorcem em agonia ou êxtase em
cenas de lipoaspiração, injeções faciais, cirurgias estéticas e
implantes. O que era provocativo e até chocante em 2005, hoje soa como quase banal:
as intervenções no corpo deixaram de ser segredo ou exceção e se tornaram
símbolos de status. O que talvez pudesse parecer estranho e incomum
em 2005, na atualidade se tornou procedimento corriqueiro em nome da beleza.
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Deana Lawson, “Binky & Tony Forever”, 2009
Nascida
em Nova York, em 1979, Deana Lawson segue a pauta identitária da
estética negra em temas como família, sexualidade e
espiritualidade com detalhes de composição que fogem aos padrões tradicionais da fotografia de
moda. Embora não produza com frequência fotos para revistas do mundo da moda
ou para o mercado publicitário, seu trabalho como fotógrafa e
artista visual já foi pauta de diversas reportagens em revistas como
a Vogue ou a Vanity Fair. A foto de 2009 expressa o que Lawson chamou
de “uma cena de amor de jovens negros”, parte de um projeto mais
amplo que registra momentos de beleza na vida cotidiana que tenham
relação com questões políticas e históricas da diáspora negra.
Em 2016, a foto estampou a capa do disco de jazz experimental
“Freetown Sound”, de Blood Orange.
por
José Antônio Orlando.
Como
citar:
ORLANDO, José Antônio. Fotografias que mudaram padrões. In: Blog Semióticas, 17 de setembro de 2026. Disponível em: https://semioticas1.blogspot.com/2026/09/fotografias-que-mudaram-padroes.html (acesso em .../.../…).
Para acessar a fotorreportagem da T Magazine, clique aqui
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Fotografias
que mudaram padrões: acima,
Diane
Arbus em autorretrato em Nova York, 1968.
Abaixo, Ron Galella
perseguindo Jackie Onassis
nas ruas em 1971 (Ron Galella
Collection)





























