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A
riqueza
de
uma nação
deve ser medida pela
riqueza
do povo e não pela riqueza dos príncipes.
................ –– Adam
Smith, “Investigação
sobre
a Natureza e
a Causa da Riqueza das Nações” (1776).
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Dom Pedro ficou: no alto, a pintura em óleo sobre tela Independência ou Morte, datada de 1888, mais conhecida como O Grito do Ipiranga, de autoria de Pedro Américo (1843-1905). Acima, detalhes destacados da tela e indicações para identificação de alguns personagens principais retratados na cena: 1. Sargento-mor Antonio Ramos Cordeiro; 2. Paulo Bregaro; 3. Francisco Gomes da Silva, o Chalaça; 4. Antônio Leite Pereira da Gama Lobo; 5. Brigadeiro Manuel Rodrigues Jordão; 6. Luís Saldanha da Gama; 7. Dom Pedro I; 8. Capitão-mor Manoel Marcondes Mello; 9. Pedro Américo (em autorretrato); 10. Casa do Grito; 11. Córrego do Ipiranga;
12. Trabalhador anônimo (destaque abaixo).
Também abaixo, duas pinturas históricas de Antônio Parreiras que reconstituem movimentos populares pela Independência do Brasil que antecedem o 7 de setembro de 1822: a prisão de José Peregrino, líder da Paraíba que apoiou a Revolução Pernambucana de 1817, em pintura de 1918; e o julgamento de Felipe dos Santos, líder da Revolta de Vila Rica de 1720, em Minas Gerais, em pintura de 1923 ![]() |
"Creio que são livros bem-sucedidos comercialmente e que ficaram popular porque, em primeiro lugar, tenho em mente um leitor modelo que é um estudante adolescente", responde Laurentino Gomes, na entrevista que fiz com ele por telefone para o jornal Hoje em Dia. Laurentino esteve em Belo Horizonte por vezes consecutivas, por conta de convites do Sempre Um Papo e de outros projetos de cultura para autografar seus livros e debater com os leitores. Ele conta, feliz, que também tem viajado muito pelas capitais para as sessões de autógrafos e lançamentos, e confessa que ultimamente ter a agenda sempre cheia de compromissos em várias cidades pelo Brasil afora não é uma problema. "Muito pelo contrário", ele diz, com alegria e satisfação.
Sem jornal e sem TV
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Dom
Pedro ficou: no alto, nota de 200 Cruzeiros, Abaixo,
a cerimônia de Coroação de Dom Pedro 1º |
A mudança do trabalho como jornalista para o trabalho de escritor começou a tomar forma no final dos anos 1990. Laurentino trabalhava como editor na revista Veja quando um projeto foi cancelado pela direção. O projeto era a produção de encartes especiais sobre a história do Brasil que seriam distribuídos junto com as edições semanais da revista. Foi quando ele criou coragem e decidiu investir a sério na pesquisa sobre 1808, sobre a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil.
Campeão de vendas
Dom Pedro ficou: acima, a charge que o cartunista Jaguar publicou em O Pasquim, em 1970, em plena ditadura militar, e pela qual ficou preso por dois meses: uma versão iconoclasta e muito bem-humorada de um dos símbolos do patriotismo desde o século 19, a pintura de Pedro Américo, Independência ou Morte. Abaixo, retrato do jovem Dom Pedro I em pintura de 1816 de Jean-Baptiste Debret ![]() Laurentino
Gomes se diz honrado com as premiações conquistadas no Jabuti e muito
orgulhoso de estar presente com muita frequência, nos últimos anos, nas
listas dos mais vendidos do Brasil com livros que não são apelativos nem
banais, como costuma ser comum entre campeões de
venda. Modesto e dedicado diariamente à pesquisa, ele também
reconhece sua condição de autodidata em questões de
historiografia, já que depois do curso superior de Comunicação
passou mais de três décadas exclusivamente atuando na imprensa. "Para escrever os livros não busco apenas a pesquisa bibliográfica, acadêmica. Tento apurar os fatos, vou aos locais em que o evento histórico aconteceu, entrevisto pessoas", ele explica, enquanto faz questão de homenagear na entrevista dois nomes que tem como referência, Otávio Tarquínio de Souza e Oliveira Lima, dois célebres historiadores – os livros e artigos do primeiro, ele reconhece, foram fundamentais para o livro "1822", enquanto o segundo, importante especialista sobre a vinda da Corte Portuguesa para o Brasil, foi o norte e o fio condutor para Laurentino nas pesquisas e na escrita de "1808". |
Uma notável combinação
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ORLANDO, José Antônio. Dom Pedro ficou. In: Blog Semióticas, 20 de outubro de 2011. Disponível no link http://semioticas1.blogspot.com/2011/10/dom-pedro-ficou.html (acessado em … /… /...).
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Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, no ano anterior, o rei D João VI, havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas ou munições para sustentar uma guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. Nesta nova obra, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, sobre a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, relata como o Brasil de 1822 acabou dando certo por uma notável combinação de sorte, improvisação, acasos e também de sabedoria dos homens responsáveis pelas condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos.
O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória, mas de modo algum significa que os problemas foram resolvidos. Ao contrário. A Independência foi apenas o primeiro passo de um caminho que se revelaria difícil, longo e turbulento nos dois séculos seguintes. As dúvidas a respeito da viabilidade do Brasil como nação coesa e soberana, capaz de somar os esforços e o talento de todos os seus habitantes, aproveitar suas riquezas naturais e pavimentar seu futuro persistiram ainda muito tempo depois da Independência. Convicções e projetos grandiosos, que ainda hoje fariam sentido na construção do país, deixaram de se realizar em 1822 por força das circunstâncias."
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