sábado, 18 de agosto de 2012

Unanimidade em Nelson Rodrigues





Autor de clássicos absolutos como "Vestido de Noiva" e "Toda Nudez Será Castigada", Nelson Rodrigues (1912-1980), que completaria 100 anos no dia 23 de agosto, é uma unanimidade como maior nome do teatro moderno brasileiro e maior dos nossos cronistas esportivos, além de ter passado à história como um dos maiores polemistas do Brasil do século 20. Um destaque que, por certo, desmente ou, no mínimo, abre exceções para um dos muitos bordões consagrados pelo próprio Nelson, que gostava de repetir: “Não sou um escritor unânime, porque toda unanimidade é burrice”.

Além de seu lugar de destaque no panteão da dramaturgia e da crônica esportiva, foi também consagrado como autor de frases que ganharam o imaginário nacional e como ficcionista, especialmente com suas histórias populares publicadas primeiro na imprensa, a exemplo das centenas de contos reunidos sob os títulos "Confissões" e "A Vida como Ela É", ou em romances como "Asfalto Selvagem", “Meu Destino é Pecar” e "O Casamento". Sobre a trajetória de Nelson Rodrigues, também jornalista nascido em uma família de jornalistas, muito já foi escrito – em especial por Ruy Castro, na polêmica biografia "O Anjo Pornográfico" (Companhia das Letras). 

Ao relatar a vida do jornalista e escritor – que nasceu em Recife, em 1912, quinto de 14 irmãos, e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1916 – Ruy Castro revela algumas tragédias na trajetória de Nelson e uma sucessão espantosa de ocorrências dramáticas, com muito mais risos e lágrimas do que qualquer uma das conhecidas histórias burlescas do autor, todas recheadas com as mais variadas obsessões sobre sexo e morte. Nelson Rodrigues teve uma biografia que é, no mínimo, incomum. Nasceu em uma família de jornalistas e seu pai, Mário Rodrigues, fundou na década de 1920 o jornal carioca "A Manhã". Seu irmão, Mário Filho, também celebrado como um dos principais cronistas esportivos do Brasil, foi homenageado com a criação do estádio do Maracanã.






Desde a infância o futuro cronista e dramaturgo, como ele mesmo disse, certa vez, viu o mundo pelo "buraco da fechadura". Sua infância e adolescência são pontuadas por episódios bizarros: entre eles, a morte de um dos irmãos, Roberto, assassinado na redação do jornal. Com a Revolução de 1930, o jornal da família é embargado. Nos anos seguintes, o jovem Nelson passa a escrever crônicas policiais e sobre futebol, depois investe na criação de peças teatrais. Tudo, segundo ele mesmo, tão somente para "pagar o leite das crianças".

O próprio Nelson Rodrigues demorou anos para percebeu o valor real de suas crônicas e peças, mas seu centenário terá, ao que tudo indica, comemorações em pompa e circunstância, com novas montagens nos palcos do eixo Rio-São Paulo e um programa da Funarte para tradução da íntegra de suas 17 peças para o espanhol e o inglês. Há também uma nova versão nos cinemas de “Bonitinha, Mas Ordinária” com direção de Moacyr Góes e com Leandra Leal e João Miguel no elenco, uma grande exposição itinerante sobre a carreira do dramaturgo nas sedes do Instituto Itaú Cultural e a reformulação do site oficial www.nelsonrodrigues.com.br, que passará a ter em destaque o tópico “Nelson por Ele Mesmo”, com trechos de entrevistas e crônicas, a maioria ainda inédita em livro.

No cenário literário, entretanto, há controvérsias. Sônia Rodrigues, filha do escritor e gestora do site oficial, prepara o lançamento da autobiografia póstuma “Nelson Rodrigues por Ele Mesmo” (Nova Fronteira). No livro, a voz do escritor surge em trechos de entrevistas e relatos pessoais em que Nelson cada uma de suas peças e apresenta suas ideias personalíssimas sobre o Brasil e os brasileiros, enquanto investe contra o divórcio, contra a imoralidade e o que mais o incomodava na sociedade.





Nelson Rodrigues Filho: livro
sobre a relação com o pai nos
tempos da ditadura militar


Nelsinho, outro filho, também prepara um livro: "Nelson Rodrigues – Pai e filho", sobre a relação entre eles, em especial durante a ditadura militar, quando o pai conservador viveu agoniado com o filho esquerdista mantido na prisão pelos militares por quase oito anos. Outros lançamentos e relançamentos, entretanto, ainda não foram confirmados, por conta principalmente de desentendimentos entre os herdeiros e a editora Nova Fronteira, que atualmente detém os direitos de publicação. 

 

Nelson, o Pensador



Nelson teve seis filhos: Joffre (morto em 2010) e Nelsinho, de seu casamento com Elza Bretanha; Maria Lúcia, Sonia e Paulo César, do casamento com Yolanda; e Daniela, com Lúcia. Hoje, os herdeiros, que já viveram uma trajetória de muitos impasses decorrentes de brigas sérias, até conseguem se reunir, mas há divergências sobre a cessão de direitos autorais para novas montagens, reedições ou publicação dos textos inéditos. Mais de mil crônicas de Nelson ainda não foram publicadas em livro. 



 
Entre tantas homenagens, há também as novas facetas que vêm reforçar o mito do dramaturgo e cronista de primeira grandeza. Uma delas foi proposta e defendida por um especialista: segundo o escritor e jornalista Luís Augusto Fischer, professor de literatura na UFRGS e doutor em Nelson Rodrigues, as crônicas do autor de "Vestido de Noiva" provam que ele foi, além de tudo, um dos grandes pensadores do Brasil.

Em seu mais recente livro, "Inteligência com Dor - Nelson Rodrigues Ensaísta", lançamento da editora gaúcha Arquipélago, Fischer analisa as crônicas do autor reunidas sob o título "Confissões" (publicadas em livros como "O Óbvio Ululante", "A Cabra Vadia", "O Reacionário", "A Menina Sem Estrela" e "O Remador de Ben-Hur", entre outros) para defender a tese: Nelson Rodrigues não era apenas cronista, mas também um pensador e ensaísta de primeira grandeza.

Para Fischer, o autor de “Toda Nudez Será Castigada” marcou época no Brasil do século 20 como uma espécie de Montaigne (1533-1592), pensador francês considerado o fundador do gênero ensaio. Autor do divertido "Dicionário de Porto-Alegrês", dos ensaios "Literatura Brasileira – Modos de Usar" e "Machado e Borges", além da premiada novela "Quatro Negros", Fischer se debruçou sobre as crônicas de Nelson Rodrigues com a intenção de estudá-las dentro da tradição do ensaio. Sua tese, controversa para alguns, foi defendida no doutorado da UFRGS e agora ganhou nova versão para o formato livro.





Montaigne do Brasil



O pai da ideia do estudo, revela Fischer, foi o jornalista, roteirista e professor de cinema Aníbal Damasceno Ferreira. "Ele sempre dizia que Nelson é o Montaigne do Brasil". Fischer investe fundo na ideia – e localiza nos textos em questão características marcantes dos melhores ensaístas, além de "acertar os relógios da crítica" diante de qualidades das crônicas-ensaios de Nelson Rodrigues como a intencionalidade quase profética de convicções e a incorporação da linguagem mais coloquial à literatura brasileira.

Luís Augusto Fischer argumenta que os textos de Nelson Rodrigues, lidos hoje, têm sua permanência assegurada por sua agudeza, densidade, coragem e maestria no trato com a linguagem. A tese de Fischer é corajosa, criativa e fundamentada em expressivo aparato teórico. Mas não há como negar que ela também soa contraditória no seu argumento principal – basta lembrar que as crônicas de Nelson, revalorizadas depois que Ruy Castro organizou os textos em vários volumes, constituem a face menos celebrada do autor.






Foi através das crônicas, por exemplo, que Nelson Rodrigues escreveu contra a organização das minorias pelos direitos civis e contra a esquerda, em plena Ditadura Militar. Por essas e outras, acabou ficando marcado pelo título de reacionário. Ainda assim, mesmo que a personalidade de Nelson sempre se destaque pela polêmica e cercada pelas muitas contradições, é difícil ficar indiferente diante do estudo que Fischer apresenta.

Para o autor de “Inteligência com Dor”, que teve primeira edição em 2009, o ensaio de Nelson Rodrigues, como também o ensaio em geral, pode ser compreendido como um canto de cisne: majestoso, altivo e desesperado. "Ele foi sim um reacionário, por vezes obtuso, medonho ou até risível, mas também era rigoroso e cruel consigo mesmo", argumenta Fischer, destacando que Nelson encerra um projeto construtivista moderno na literatura brasileira.

"Ele vem completar algo que teve início com os parnasianos, que prosseguiu com João do Rio, que alcançou os modernistas e que teve seu desfecho com os tropicalistas, contemporâneos das melhores crônicas de Nelson. O mais importante mesmo é reconhecer, diante do conjunto expressivo de suas crônicas, a obra maiúscula que Nelson produziu", conclui Fischer. "Ele definitivamente introduziu um patamar novo do ensaio no Brasil, e também fora daqui, por certo, quando sua obra for traduzida. É o trabalho de um mestre, um escritor de absoluto primeiro plano nas letras de língua portuguesa, ao lado dos maiores", completa.



Sapiência em cena



Enquanto Luís Augusto Fischer localiza em Nelson Rodrigues o pensador e ensaísta, o veterano Jacó Guinsburg, mestre do teatro no Brasil, também destaca que a obra de Nelson é singular, especialmente suas tragédias cariocas, elevando o autor, no último século, à condição de maior contribuição brasileira ao teatro universal. “Nelson é singular e construiu um lugar personalíssimo na dramaturgia que se faz no Brasil”, aponta em entrevista por telefone o crítico, ensaísta e mentor da Editora Perspectiva.








Vida e obra: no alto, o casal de noivos
Nelson Rodrigues e Elza Bretanha
 em 1940, e cenas da primeira montagem
de "Vestido de Noiva", apresentada
em 1943, no Teatro Municipal do Rio
de Janeiro, com Maria Fernanda e
Stella Perry, do grupo Os Comediantes,
sob direção de Zbigniew Ziembinski,
diretor, ator e comediante polonês
que fugiu da Segunda Guerra e veio
para o Brasil, em 1941, onde provocou
revoluções no teatro, no cinema e na TV



Extremamente lúcido e bem-humorado, aos 92 anos, Jacó Guinsburg, que foi homenageado na última edição do Prêmio Shell, pela contribuição ao pensamento crítico do teatro no Brasil, esteve recentemente em Belo Horizonte como convidado especial do Ecum – Centro Internacional de Pesquisa sobre a Formação em Artes Cênicas. Além do elogio à permanência de Nelson Rodrigues em cena, Guinsburg também destacou alguns dos requisitos para a qualidade e a atualidade do teatro.

"O primeiro requisito para qualquer dedicação ao teatro tem que ser, em primeiro lugar, gostar de teatro", adverte. "Teatro é ação e reação. É a menos permanente das artes e a mais intensa, porque depende da relação presencial. O teatro é a arte do aqui e do agora, representado a partir do corpo do ator", completa o sábio veterano que nasceu na Bessarábia (hoje território da Moldávia, no Leste Europeu) e emigrou para o Brasil com os pais em 1924, aos 3 anos de idade.

Nas décadas seguintes, Guinsburg ganharia destaque como o principal teórico do teatro brasileiro, além de tradutor e editor de mais de uma centena de tratados de teoria e história das artes e do teatro em particular. Autor de dezenas de grandes clássicos sobre as artes cênicas, como "Stanislavski e o Teatro de Arte de Moscou", "Semiologia do Teatro", "Dicionário do Teatro Brasileiro" e obras sobre Diderot, Lessing e Nietzsche, entre outros, Guinsburg também é sempre destacado como fundador e editor da Perspectiva, uma das mais respeitadas editoras do Brasil, voltada para obras de vanguarda e teoria. 












Grandes momentos de Nelson Rodrigues
no cinema: acima, cenas de A Falecida,
filme de 1965 com Fernanda Montenegro
e Paulo Gracindo e com roteiro e direção
de Leon Hirszman. Abaixo, Toda Nudez
Será Castigada, filme de 1973 com
Darlene Glória e Paulo Porto e com
roteiro e direção de Arnaldo Jabor









 

Recordes de adaptações



Jacó Guinsburg recorda na entrevista que sua maior aproximação com a arte dramática e seu ensino começou em 1964, na Escola de Arte Dramática (EAD), onde ministrou a cadeira de crítica teatral e, posteriormente, em 1967, no então recém-criado Departamento de Teatro, mais tarde de Artes Cênicas, da Escola de Comunicações e Artes da USP. Sob este novo prisma, passou a concentrar seus estudos em teoria e estética teatral e nos grandes clássicos do teatro russo, judeu e iídiche, além da dedicação ao chamado teatro do absurdo.

"Fico extremamente honrado e feliz com a homenagem do Ecum, que apresentou uma curadoria impecável sobre o panorama do teatro russo", diz Guinsburg, que reconhece qualidades no "caminho trôpego" que o teatro brasileiro cultiva desde tempos remotos. "A grande contribuição do teatro do Brasil para o mundo são alguns momentos que refletiram genialidade e ousadia e que têm registros de reconhecimento no exterior”, explica Guinsburg.





Nelson Rodrigues no cinema: acima,
A Dama do Lotação (1978), adaptação
de um texto de Nelson Rodrigues com
roteiro e direção de Neville de Almeida,
com Sonia Braga como protagonista,
tornou-se um dos maiores campeões de
bilheteria do cinema brasileiro. Abaixo,
Nelson Rodrigues flagrado em um passeio
no calçadão da praia de Copacabana, em
1979; na ativa, na década de 1970; e o
túmulo do escritor no Cemitério São
João Batista, no Rio de Janeiro







A extensa obra de Nelson Rodrigues também conta com um número recorde de adaptações para o cinema e a TV, algumas com sucesso raro e imbatível de público e crítica. Mas é na cena do teatro que ela se revela como uma revolução na crônica de costumes e na série inédita de avanços que incorpora à carpintaria das artes cênicas, conforme destaca Guinsburg. Entre os grandes momentos de ousadia do teatro brasileiro, ele enumera a obra completa de Nelson Rodrigues, seguindo os mesmos critérios do crítico Sábato Magaldi, que agrupou as 17 peças do autor em três categorias: peças psicológicas, peças míticas e tragédias cariocas.

Não há como negar, reconhece Guinsburg, que Nelson Rodrigues mudou radicalmente a trajetória do teatro no Brasil e criou referências que ganharam destaque também no plano internacional, como no caso da montagem ímpar e revolucionária para “Vestido de Noiva”, com direção de Zigmund Ziembinski (1908–1978) e cenários originais de Tomás Santa Rosa (1909–1956), que estreou entre aplausos e vaias em 28 de dezembro de 1943 e inaugurou em grande estilo o teatro moderno brasileiro. “Nelson Rodrigues é um caso muito especial”, completa Guinsburg. “Mas o teatro é sempre singular e nem sempre a melhor qualidade tem a repercussão que merece. Igual a tudo na vida, afinal de contas..."


por José Antônio Orlando.


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15 comentários:

  1. João Pedro Magalhães18 de agosto de 2012 17:26

    Genial. Seu ensaio brilhante é uma demonstração de que sempre há o que descobrir na obra de autores como o monstro sagrado Nelson Rodrigues, mesmo quando o senso comum acredita que tudo já está dito. Também adorei saber do livro do professor Fischer sobre o Nelson ensaísta. Entrou na minha lista de leituras obrigatórias.
    Seu blog continua um espetáculo, José. E este perfil sobre Nelson mantém o alto nível. Parabéns.

    João Pedro Magalhães

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  2. Muito bom, Zé Antônio, como sempre... Difícil escrever sobre Nelson Rodrigues e o Teatro Brasileiro e você conseguiu com brilhantismo, o que aliás é sua marca!
    Abraços imensos
    Celina Beatriz Villanova

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  3. Sensacional, Zé!
    Sempre textos incríveis! Adorei!

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  4. Pois é, Zé, um autor que não foi superado no teatro brasileiro, não é?
    Neste seu aniversário, parabéns pelo blog. E muitas felicidades.
    Dê notícias!!!!

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  5. Parabéns, José. Encontrei o link para o seu blog no site oficial dedicado ao Nelson Rodrigues e cliquei pensando que eu iria encontrar uma resenha de livro reproduzida dos portais de jornais e revistas ou um daqueles perfis copiados do Wikipedia, como é comum acontecer na esmagadora maioria dos blogs.
    Mas nada disso. O que encontrei foi um ensaio brilhante, com entrevistas inteligentes e super bem fundamentadas e com um texto primoroso. E não é só isso não: comecei a navegar pelas outras páginas do seu blog e fiquei impressionado, porque cada uma é melhor que a outra. Virei fã de carteirinha. Valeu!

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  6. Guilherme Telles de Almeida23 de agosto de 2012 19:01

    Hoje, depois de ler as matérias de dois jornais de BH sobre o centenário de Nelson Rodrigues, cheguei ao seu blog por indicação de Roberto Carvalho, nosso amigo em comum. O que constatei é que há um abismo de qualidade entre seu trabalho e os outros, José. Sua matéria sobre Nelson e o centenário está a anos-luz em tudo: texto, informações, edição. Tudo aqui é impecável. Será que repórteres e editores ficam vermelhos de vergonha quando leem estas páginas do blog Semióticas?

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    Respostas
    1. Fico muito feliz com seus elogios, Guilherme. Nosso amigo Roberto Carvalho me disse que a dissertação de mestrado que você apresentou sobre as crônicas esportivas do Nelson Rodrigues é de alto nível, por isso seus elogios para esta página do blog têm um valor muito especial.
      Mas sobre a comparação com as matérias publicadas nos jornais impressos de BH há controvérsias. Não cheguei a ver as matérias que você menciona, só que por mais que eu concorde com você que eles estão cada vez mais medíocres, é preciso levar em conta que o blog não tem as limitações de tempo e espaço que condicionam a publicação impressa. E isso, em alguns casos, faz muita diferença. Um abraço para você e seja sempre bem-vindo!

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  7. Rita de Cássia D'Alessandro9 de setembro de 2012 11:41

    Professor, que maravilha é o seu blog! Fiz a descoberta hoje e estou encantada. Tudo lindo e da maior inteligência, mas cada página vale por um curso. O que é muito bom. Aprendo demais, tanto quando fui sua aluna na pós da Fumec. Este perfil sobre o Nelson Rodrigues está fantástico e a entrevista com o Jacó Guinsburg tem tudo a ver com meu trabalho de “tradução” do vestido de noiva, lembra? Também amei a página "A Fala da Moda". Lendo, quase que eu conseguia ouvir sua voz falando aquele texto sobre Baudelaire e Barthes e Man Ray nas fotos do "Câmara Clara". Suas aulas foram as melhores. Muitas saudades. Um beijo no seu coração.

    Rita de Cássia D'Alessandro

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    Respostas
    1. Sim, minha querida Rita de Cássia. É claro que eu me lembro de seu belo trabalho e das belas imagens que você analisou com tanto senso crítico e sempre com referências de Barthes, Baudelaire, Poe e outros mestres. Lembro também do "pulo do gato" que foi aquela conclusão com as imagens desta primeira montagem do "Vestido de Noiva". Seu trabalho é daqueles que merecem ser publicados, como eu disse desde aquela época. Dê notícias no e-mail semioticas@hotmail.com
      Muito bom receber sua mensagem. Seja sempre bem-vinda!...

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  8. Preciso registrar aqui os parabéns por este artigo belíssimo e por todo o blog Semióticas, sofisticado em tudo e em cada detalhe. Este senhor chamado Nelson Rodrigues foi um reacionário, um direitista que chegava ao absurdo de usar sua popularidade para defender os abusos da ditadura militar. Mas também produziu alguns dos momentos geniais da cultura brasileira, como você tão bem retrata no texto. Elogios unânimes é o que você merece por este blog Semióticas.
    Antonio Luiz

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  9. Bom contar que a foto pro cartaz de "A Dama do Lotação" foi feita pelo Antonio Guerreiro, que, em 1982, reuniu num livro fotos que ele tirou da Sônia Braga. No prefácio, Nelson Rodrigues escreveu: "Os idiotas da objetividade vão rosnar: 'Mas é gordinha'. Não importa, nada importa, só importa não apenas a sua plasticidade como a voluptuosidade que dela emana. Será que ela não percebe o desejo anônimo e geral que a persegue? O desejo do homem desconhecido, sobretudo quando é obsessivo, é uma vertigem para a mulher bonita".

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  10. Gilberto Figueiredo1 de julho de 2013 10:31

    Show total, José! Sapiência em cena: uma geral sobre a complexidade de um dos nossos gênios da raça apresentada com domínio total sobre o mestre e sobre a obra do mestre. Não sei nem qual dos seus textos brilhantes neste blog Semióticas elogio primeiro. São todos inteligentes e perfeccionistas até a última palavra, mas começo por este aqui, que foi minha porta de entrada neste paraíso de beleza e sabedoria. Preciso registrar o seguinte: parabéns demais, demais!!!

    Gilberto Figueiredo

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  11. Nunca gostei de Nelson Rodrigues porque ele era reaça e moralista demais. Mas confesso que este seu texto sobre ele balançou minhas certezas. Agora já acho que ele foi mesmo importante, talvez genial. Grato pelos toques de sabedoria, meu querido autor do blog Semióticas. Sou sua fã.

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  12. Não concordo quando dizem que o grande Nelson Rodrigues era reaça e moralista. Toda a obra genial que ele produziu permite leituras variadas, inclusive de crítica violenta aos conservadores e aos moralista s. Parabéns pelo blog. Altíssimo nível!

    Paulo Cardoso

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  13. Marcelo Caetano Martins23 de novembro de 2015 09:16

    Maravilhoso. Apenas isso. Grande ensaio sobre Nelson e todas as outras páginas que visitei neste blog são um espetáculo. Parabéns. Ganhou outro fã de carteirinha.

    Marcelo Caetano Martins

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