sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Inéditas de Bob Marley










Bob Marley, primeiro grande astro da cultura pop saído do Terceiro Mundo, completaria hoje seu 70° aniversário. Para comemorar a data, seus fãs recebem um presente inédito, em versões Blu-Ray, CD e DVD: “Easy Skanking in Boston '78”, com a íntegra daquele que é considerado um dos melhores shows da história do Reggae. Som e imagens foram gravados ao vivo em 8 de junho de 1978 e apresentam grandes sucessos de Bob Marley, incluindo “No Woman, No Cry”, “I Shot the Sheriff”, “Get Up, Stand Up” e duas canções que foram apresentadas somente naquela noite, em Boston, Estados Unidos – “Slave Driver” e “The Heathen”, que até agora permaneciam com a aura de inéditas.

Imagens e canções inéditas do show em Boston são os primeiros lançamentos deste 70º aniversário, mas a família do músico já anunciou uma variedade de lançamentos e eventos de comemoração. Ao longo de 2015, o legado do Rei do Reggae será lembrado por novas versões de material raro, entre elas uma edição de luxo, também em Blu-Ray, CD e DVD, de seu trabalho mais memorável, “Legend” – álbum com coletânea dos grandes sucessos que, desde o lançamento, em maio de 1984, vendeu oficialmente mais de 20 milhões de cópias e está entre os mais vendidos da história.














Uma câmera na mão



As cenas do show de 1978 em Boston, divulgadas no site oficial de Bob Marley, impressionam pela qualidade de imagem e som. A íntegra do show foi filmada com uma câmera na mão por um fã que Marley permitiu, na última hora, que pudesse subir ao palco. O resultado é notável porque consegue captar imagens do ídolo e seus músicos bem de perto, com sequências de closes e movimentos de câmera impressionantes, a apenas alguns metros de distância, levando quem assiste hoje às imagens à possibilidade de experimentar a intimidade do que acontecia no palco. 
 
Bob Marley e The Wailers, em junho de 1978, estavam na turnê internacional para divulgação do álbum “Kaya”, 11° dos 14 discos de estúdio de Marley, lançado em março daquele ano. Mas o repertório deste “Easy Skanking in Boston '78”, apresentado no Boston Music Hall, vai muito além das 10 faixas do disco, que emplacou os sucessos “Is This Love” e “Sun is Shining”, além da faixa-título. Completam as imagens de Bob Marley e banda, além de cenas da plateia, animações produzidas pela dupla S77 e Matt Reed, que realizaram videoclipes premiados para artistas como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Cee Lo Green.






No alto, Bob Marley em 1978 com a formação completa
do The Wailers e com Rita Marley (de vermelho) e as 
integrantes do I Threes. Acima, Marley ao centro,
em 1967, quando se uniu a Bunny Wailer e
Peter Tosh para formar The Wailers. Abaixo,
duas cenas do documentário de 2012
Marley, dirigido por Kevin Macdonald

 







Um dos poucos latino-americanos no Hall da Fama do Rock and Roll, Bob Marley mantém sua grande importância não apenas como o homem que colocou o Reggae no mapa global, mas também como o estadista que mudou a história de sua terra natal, a ilha da Jamaica. Quando chegou à condição de ídolo internacional da música, ele investiu seu prestígio para construir a união entre as mais radicais facções políticas de seu país, que naquela época estava às portas de uma guerra civil.



Status de mito



Com sua morte precoce, aos 36 anos, vítima de câncer, em 11 de maio de 1981, alcançou uma invejável estatura de mito, talvez só comparável, no universo da música, a John Lennon ou Elvis Presley, com equivalente popularidade internacional e também com forte apelo comercial – como comprova a extensa lista de relançamentos permanentes de sua obra, atualizada com a impressionante safra de material inédito que tem chegado ao mercado nos últimos anos. Desde 2010, foram 10 lançamentos com versões inéditas e remixes em CD e DVD, incluindo a gravação completa do último show de Bob Marley, que aconteceu em setembro de 1980 em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA) lançada em 2011, na versão em CD, com o álbum duplo “Live Forever”.




 


Acima, a capa da nova edição de luxo de Legend, com
faixas inéditas, anunciada para lançamento em 2015, 
e Live Forever, álbum de 2011 com a íntegra do
último show, em Pittsburgh, Pensilvânia, em setembro
de 1980. Abaixo, as imagens que causaram polêmica
em 1974, com Bob Marley no ritual de Cannabis em
Kings Place, Londres, fotografado por Dennis Morris












Houve, também, em 2012, o lançamento do documentário “Marley”, dirigido por Kevin Macdonald, que traz o músico em cenas do dia a dia e nos palcos, com surpreendentes depoimentos até então inéditos sobre a música, a família (especialmente sobre Rita Marley, sua esposa e companheira de palco de 1966 até a morte, mãe de quatro de seus 12 filhos, dois deles adotados), a paixão pelo futebol e a complexidade de suas crenças sobre as questões de política e religião.

Mais de 30 anos depois de sua morte, Bob Marley permanece como um dos nomes mais conhecidos no mundo inteiro, mas na Jamaica, sua terra natal, seu status de mito é insuperável. Desde sua morte, a data de seu aniversário, dia 6 de fevereiro, foi decretada como feriado nacional – e sua filosofia de vida, sintetizada no Movimento Rastafari e no culto à Cannabis, temas da maioria de suas canções, firmaram raízes definitivas dentro e também fora da Jamaica. 








Acima, Bob Marley com Chico Buarque, na única vez
que o músico jamaicano esteve no Brasil, em 1980. 
Marley, com outros músicos e Chris Blackwell, diretor
da Island Records, vieram ao Brasil para a inauguração
das atividades do selo alemão Ariola e, no Rio de Janeiro, 
encontrou Chico Buarque e outros artistas para uma
partida de futebol. Abaixo, com o filho, Ziggy Marley
durante temporada na Suécia, em 1971, e no palco,
no show em Pittsburgh, em setembro de 1978






Além da permanência firme de suas canções, que soam como matriz e referência do Reggae, a filosofia de vida de Bob Marley e seus ensinamentos também parecem a cada dia mais atuais – como se vê em seu depoimento, emocionado, que encerra o documentário de 2012 de Kevin Macdonald. “Se todos nos unirmos e dermos as mãos, quem sacará as armas?", defende o músico. "Eu só tenho uma ambição: que a humanidade viva unida. Negros, brancos, orientais, todos juntos”. Sem nenhuma dúvida, a ambição da utopia sonhada por Bob Marley continua sendo, ainda hoje, o sonho dos justos.


por José Antônio Orlando.



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Acima, Bob Marley no palco, na última apresentação

em Kingston, Jamaica, em julho de 1979, fotografado

por Adrian Boot. Abaixo, Marley no cartaz de formas

tipográficas criado por Alyssa Almeida em 2014

 




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