![]() |
O
sucesso do livro de Laurentino Gomes eram favas contadas, mas o saldo
dos números e os prêmios surpreenderam autor e editora. Menos de um
mês depois do lançamento, "1822" (Editora Nova
Fronteira), que chegou às livrarias há um ano, vendeu 200 mil
exemplares. O Prêmio Jabuti 2011 anunciado na segunda-feira para o
livro, na categoria reportagem, ainda vai garantir uma longa
permanência das reedições nas listas de mais vendidos pelos
próximos meses e talvez próximos anos.
O
livro anterior de Laurentino Gomes, "1808" – que foi
lançado em 2006 trazendo na capa o subtítulo "Como uma rainha
louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão
e mudaram a História de Portugal e do Brasil" – vendeu mais
de 600 mil cópias e permanece como best-seller nas livrarias, também
lançado em outras línguas. O segredo do sucesso? Laurentino
Gomes diz que apenas segue sua intuição, pesquisa muito e tenta
explicar o aquilo que, muitas vezes, a maioria dos historiadores acha
que não é necessário.
"Creio
que são livros bem-sucedidos comercialmente e que ficaram populares
porque, em primeiro lugar, tenho em mente um leitor modelo que é um
estudante adolescente", responde o autor, em entrevista por
telefone. Ele esteve em Belo Horizonte três vezes nos últimos 12
meses, por conta de convites do Sempre Um Papo e outros projetos para
autografar “1822” e debater com os leitores. Também tem viajado
muito por outras capitais para as sessões de autógrafos e
lançamentos, mas diz que a agenda sempre cheia de compromissos não
é uma problema.
Jornalista
profissional e pai de quatro filhos, que atualmente têm 30, 28, 24 e 17 anos, o
escritor que virou campeão de vendas também inclui entre as razões
do sucesso a experiência adquirida de mais de três décadas em
redações de jornais e revistas. "Desde o primeiro livro tento
usar uma linguagem acessível para explicar o que a maioria dos
historiadores acha que não precisa explicar", aponta. "Na
verdade, sou daqueles que aprenderam muito com a experiência dos
erros que testemunhei nas edições de jornais e revistas",
reconhece.
![]() |
O cartunista Jaguar publicou em
O Pasquim, em 1970, em plena ditadura militar, uma versão iconoclasta de um dos símbolos do patriotismo, o quadro Independência ou Morte |
Laurentino
Gomes se diz honrado com a premiação concedida pelo Jabuti e muito
orgulhoso de estar presente na lista de "best sellers" com
um livro que não é banal, como costuma ser comum entre campeões de
venda. Modesto e dedicado diariamente à pesquisa, ele também
reconhece sua condição de autodidata em questões de
historiografia, já que depois do curso superior de Comunicação
passou mais de três décadas exclusivamente atuando na imprensa.
"Para os livros não busco apenas a pesquisa bibliográfica, acadêmica. Tento apurar os fatos, vou aos locais, entrevisto pessoas", explica, enquanto rende tributo a Otávio Tarquínio de Souza e a Oliveira Lima, célebres historiadores – o primeiro foi referência para "1822", enquanto o segundo, especialista na vinda da corte portuguesa para o Brasil, foi o norte e fio condutor para "1808".
"Tento
aplicar nos livros o que aprendi como repórter durante décadas na
'Veja' e no 'Estado de São Paulo'. Nas redações de jornais e
revistas quase sempre impera a soberba do conhecimento, como se não
fosse necessário trocar em miúdos, explicar a cada edição a mesma
história, quem é cada personagem envolvido. Isso é o que o leitor
quer encontrar e é isso que tento oferecer a ele em meus livros.
Estendo para os livros o que dizia um editor que tive no 'Estadão':
a função do jornalista é colocar a papinha mastigada na boca do
leitor todos os dias".
"1822",
revela o autor, é resultado de mais de três anos de pesquisas. Em 372 páginas
ilustradas e 22 capítulos, cobre um período de 14 anos, entre 1821,
data do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, e 1834,
ano da morte do imperador Pedro I. Para Laurentino, a Independência
do Brasil resultou de uma notável combinação de sorte,
improvisação e também de sabedoria de lideranças como o patrono
José Bonifácio, incumbido de conduzir os destinos do país por
entre grandes sonhos e perigos.
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
Próximo
projeto? "1889, porque é definitivamente inevitável",
reconhece Laurentino, de pronto, anunciando que já iniciou as
pesquisas para o novo livro, terceiro da trilogia, ainda sem data
prevista para o lançamento. Em 1889, ele diz, pretende detalhar a
situação do Brasil no Império que culminou com a proclamação da
República. Curiosamente, a obra vai se iniciar exatamente no ponto
em que termina "1822".
Com
"1889", Laurentino vai encerrar uma trilogia que cobre toda
a história do Brasil do século 19, iniciada com seu "best
seller" que recebeu o título preciso de "1808" pela
editora Planeta e que já vendeu 600 mil exemplares desde o
lançamento em 2007. "Assim como '1822' é consequência natural
ao '1808', posso dizer o mesmo deste '1889' que virá. Quase fui
obrigado a escrevê-lo", completa, feliz da vida com o sucesso
que chegou de surpresa quando "1808" surgiu em destaque nas
listas dos mais vendidos.
por
José Antônio Orlando.
ORLANDO, José Antônio. Dom Pedro ficou. In: ______. Blog Semióticas, 20 de outubro de 2011. Disponível no link http://semioticas1.blogspot.com/2011/10/dom-pedro-ficou.html (acessado em … /… /...).
Como
citar:
ORLANDO, José Antônio. Dom Pedro ficou. In: ______. Blog Semióticas, 20 de outubro de 2011. Disponível no link http://semioticas1.blogspot.com/2011/10/dom-pedro-ficou.html (acessado em … /… /...).
![]() |
![]() | |
Trecho da apresentação do livro:
"Quem observasse o Brasil em 1822 teria razões de sobra
para duvidar de sua viabilidade como país. Na véspera de sua
independência, o Brasil tinha tudo para dar errado. De cada três
brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou
mestiços. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria
branca como um pesadelo. Os analfabetos somavam 99% da população.
Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O
isolamento e as rivalidades entre as diversas províncias
prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na fragmentação
territorial, a exemplo do que já ocorria nas colônias espanholas
vizinhas.
Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, no ano anterior, o rei D João VI, havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas ou munições para sustentar uma guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. Nesta nova obra, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, sobre a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, relata como o Brasil de 1822 acabou dando certo por uma notável combinação de sorte, improvisação, acasos e também de sabedoria dos homens responsáveis pelas condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos.
O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória, mas de modo algum significa que os problemas foram resolvidos. Ao contrário. A Independência foi apenas o primeiro passo de um caminho que se revelaria difícil, longo e turbulento nos dois séculos seguintes. As dúvidas a respeito da viabilidade do Brasil como nação coesa e soberana, capaz de somar os esforços e o talento de todos os seus habitantes, aproveitar suas riquezas naturais e pavimentar seu futuro persistiram ainda muito tempo depois da Independência. Convicções e projetos grandiosos, que ainda hoje fariam sentido na construção do país, deixaram de se realizar em 1822 por força das circunstâncias."
Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, no ano anterior, o rei D João VI, havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas ou munições para sustentar uma guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. Nesta nova obra, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, sobre a fuga da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, relata como o Brasil de 1822 acabou dando certo por uma notável combinação de sorte, improvisação, acasos e também de sabedoria dos homens responsáveis pelas condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos.
O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória, mas de modo algum significa que os problemas foram resolvidos. Ao contrário. A Independência foi apenas o primeiro passo de um caminho que se revelaria difícil, longo e turbulento nos dois séculos seguintes. As dúvidas a respeito da viabilidade do Brasil como nação coesa e soberana, capaz de somar os esforços e o talento de todos os seus habitantes, aproveitar suas riquezas naturais e pavimentar seu futuro persistiram ainda muito tempo depois da Independência. Convicções e projetos grandiosos, que ainda hoje fariam sentido na construção do país, deixaram de se realizar em 1822 por força das circunstâncias."
![]() |














