Mostrando postagens com marcador américa latina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador américa latina. Mostrar todas as postagens

26 de novembro de 2016

Mitologias de Fidel






Explicação do título: falando dos complexos   
 
problemas cubanos, uma amiga francesa    
misturou os termos 'crítica' e 'política',    
inventando a palavra 'policritique'. Ao escutá-la    
pensei (também em francês) que entre 'poli' e    
'tique' situava-se a sílaba 'cri', ou seja, 'grito'.    
Grito político, crítica política na qual o grito    
aí está como um pulmão que respira; foi assim    
que sempre entendi, assim continuarei entendendo    
e dizendo. É preciso gritar uma política crítica,    
é preciso criticar gritando cada vez que se    
acredite justo: só assim poderemos acabar    
um dia com os chacais e as hienas...    

Julio Cortázar –– “Policrítica na      
hora dos chacais” (1971)      




No capítulo final de seu célebre “Mitologias”, publicado em 1957, o francês Roland Barthes alerta para o fato de que não mantemos com os mitos relações de verdade, mas de utilização. “Existem objetos míticos que são postos de lado, entregues ao sono, por uns tempos; são apenas vagos esquemas míticos, cuja carga política perece quase indiferente. Trata-se unicamente de uma oportunidade de situação, e não de uma diferença de estrutura” – destaca Barthes, antes de concluir: “O mito, como se sabe, é um valor: basta modificar o que o rodeia, o sistema geral (e precário) no qual se insere, para poder determinar com exatidão o seu alcance”.

Barthes utiliza como exemplo para suas reflexões as ocorrências e significados dos mitos apresentados na imprensa e na cultura de massa da França na década de 1950, mas suas reflexões também cabem perfeitamente para perceber a grandeza e o alcance de um mito atualíssimo como o líder cubano Fidel Castro, que morreu hoje, aos 90 anos. Dentro e fora de Cuba, Fidel há décadas já havia passado à História na condição de mito, alcançando a primeira grandeza, com todas as definições e características que tanto Barthes como outros grandes pensadores do século 20 apontam para o que seja “mitológico” – em suas questões e conjunções de representação coletiva elevada à categoria de metáfora universal.






Mitologias de Fidel: no alto, Otoño en el
Parque Almendares, fotografia de Julio
Maldonado Mourelle em Havana, Cuba, em
2006. Acima, o jovem Fidel Castro chupando
pirulito em foto com outros estudantes do colégio
Nuestra Señora de Dolores, em Santiago de Cuba,
1940; e na célebre fotografia de Alberto Korda,
que recebeu do autor o título David y Goliath,
durante a visita de Fidel ao Memorial Lincoln, em
Washington, EUA, meses depois da Revolução
Cubana de 1959. Abaixo, outro registro de
Alberto Korda, fotógrafo oficial da revolução
e de Fidel: El Comandante falando
a jornalistas em Havana, em 1961
 


 

Morto em 1980, Barthes por certo acompanhou o desfecho lendário da Revolução Cubana de 1959 e os capítulos dramáticos da Ilha de Fidel nos anos e décadas seguintes, as aproximações com a extinta União Soviética, a rejeição com equivalência e peso de declaração de guerra aos Estados Unidos – mas não chegou a visitar Cuba nem a conhecer pessoalmente El Comandante, como fizeram muitos importantes escritores e intelectuais da esquerda que foram seus contemporâneos e conterrâneos. A lista dos admiradores e convivas de Fidel entre os grandes da intelligentsia” é extensa, incluindo, entre muitos outros, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Henri Cartier-Bresson, Arthur Miller, Noam Chomsky, Ernest Hemingway, Italo Calvino, Bernard Kouchner, Régis Debray, Jorge Semprun, François Maspero, Pablo Neruda, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez, Eduardo Galeano, Octavio Paz, Carlos Fuentes, Gabriela Mistral, Violeta Parra, Fernando Birri, José Saramago, Jorge Amado, Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Chico Buarque...



Herói mítico



Nenhum minuto da história é igual a outro; nenhuma ideia ou acontecimento humano pode ser julgado fora de sua própria época” – escreveu o próprio Fidel em 2004, em carta endereçada a outro líder revolucionário da América Latina, o venezuelano Hugo Chávez (1954-2013), reproduzida em “Fidel para Principiantes”, livro dos argentinos Néstor Kohan e Nahuel Skerma publicado em 2006 pela Era Naciente, editora de Buenos Aires. Herói mítico de sua própria época, desde o final da década de 1950 Fidel passou a representar a expressão máxima das rebeliões anti-imperialistas e socialistas do Terceiro Mundo – na América Latina, na África, na Ásia. Não é pouco.






Mitologias de Fidel – El Comandante em
fotografias de Alberto Korda: acima,
a prisão de Fidel em 1953, após a invasão
que ele liderou ao Quartel Moncada; e com
seus companheiros na guerrilha em 1957 em
Sierra Maestra. Abaixo, Fidel e Che Guevara
na guerrilha, em 1957 e na foto histórica em 1961








No comando de sua ilha, “tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos” – como diz a frase lendária e irônica atribuída a outra personalidade polêmica latino-americana, Porfírio Díaz, presidente do México no final do século 19 – Fidel sobreviveria a nada menos que 11 presidentes norte-americanos e a mais de 600 tentativas de assassinato, segundo informam seus biógrafos. El Comandante resistiu e continuou enfrentando por décadas o Grande Império, cujos dirigentes não conseguiram derrubá-lo, nem eliminá-lo, nem modificar os rumos da Revolução Cubana, até que em dezembro de 2014, com Barack Obama na Casa Branca, tiveram que admitir o fracasso e a derrota diplomática para, enfim, iniciar um processo de normalização das relações com o sistema político cubano.

Na exata medida de nossa alienação, não conseguimos ultrapassar uma apreensão instável do real: vagamos incessantemente entre o objeto e a sua desmistificação, incapazes de lhe conferir uma totalidade” – conclui Barthes em “Mitologias”. Novamente, o raciocínio serve como uma luva para o caso Fidel Castro, porque avaliar a figura mítica de Fidel não é tarefa fácil. Seu lugar é o do líder revolucionário que dividiu com outra figura mítica, Che Guevara (1928-1967), o enfrentamento contra o regime brutal e corrupto instalado em Cuba pelo ditador sanguinário Fulgêncio Batista, subserviente aos EUA, mas seu apoio a muitas guerrilhas do Terceiro Mundo e sua aliança posterior com Moscou também fizeram dele uma referência libertária e personagem-chave da Guerra Fria em escala planetária.







Mitologias de Fidel: acima, cenas da Revolução
Cubana em fotografias do inglês Lee Lockwood.
Abaixo, a capa do livro Fidel para Principiantes,
editado na Argentina; e a fotografia de Alberto Korda
de 1961 que registra a travessia de Fidel com
Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir
pelo pantanal de Cienaga de Zapata, durante a
visita do casal de intelectuais franceses a Cuba

 





Ação internacional



Para seus detratores, Fidel, em sua necessidade estratégica de fazer vingar a Revolução Cubana, atropelou direitos humanos e liberdades individuais, principalmente de opositores associados aos governos dos EUA e saudosos das práticas do antigo regime – ao que a imensa maioria da população da ilha responde com a salvaguarda dos avanços sociais, com a reforma agrária, com os sistemas de educação e saúde pública reconhecidos como exemplares no mundo inteiro, com a inexistência de analfabetismo e de desnutrição infantil e com a expectativa de vida que alcança 79 anos, muito além de qualquer país das vizinhanças.

Aos detratores de Fidel, muitos deles exilados e entrincheirados em Miami, a intelectualidade de Cuba vem repetindo o questionamento: como seria possível uma democracia formal com embargo comercial, econômico e financeiro? Durante décadas, Fidel resistiu bravamente e a revolução vingou em Cuba – e sua influência avançou muito além das fronteiras da ilha: ano após ano a reputação internacional do mito Fidel Castro foi construindo uma política externa de apoio a outras lutas no Terceiro Mundo, incluindo campanhas de alfabetização e de saúde pública, com destaque para a reputação humanitária da medicina e dos médicos cubanos – no caso brasileiro e também em vários outros países.






Mitologias de Fidel: acima, a entrada de
Fidel e Che com o Exército Rebelde em
Havana, em 1959; e El Comandante em
seu gabinete de trabalho, fotografado em
1959 por Burt Glinn. Abaixo, Fidel com
o líder soviético Nikita Khrushchev em
1963, durante a visita oficial a Moscou;
e Fidel no Brasil: poucos meses após a
Revolução Cubana, em 1959, com o
presidente Juscelino Kubitschek e seu
vice, João Goulart, fotografados no
Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro;
e com dona Marisa Letícia Lula da Silva,
com o líder sindical Jair Meneguelli e
com Lula, em 1989, em São Paulo,
durante um encontro de lideranças
de esquerda da América Latina












.


No passado recente, o mito Fidel paira sobre casos e números que impressionam: atualmente, mais de 51 mil profissionais de saúde de Cuba trabalham em 66 países do mundo, tanto como voluntários como em missões remuneradas. Depois do maior acidente nuclear da História, em Chernobyl, em 1986, a medicina cubana tem se destacado no tratamento a mais de 25 mil vítimas da radiação, entre adultos e crianças, que são recebidas em Cuba e atendidas no centro de atenção especial instalado no território cubano em Tarara desde 1990, tornando-se um complexo médico de referência internacional. Em 2010, o governo cubano enviou 1.200 médicos para combater a epidemia de cólera no Haiti após um terremoto, quando todas as outras missões estrangeiras de apoio à saúde haviam partido. Também recentemente, quando o pânico decorrente do Ebola assolava a África Ocidental, Cuba liderou os esforços de ajuda humanitária, enquanto as missões oficiais da Europa e dos EUA mantinham distância.

Além da ação surpreendente contra a epidemia de Ebola, os povos de países da América Latina, da África e da Ásia também devem a Fidel esforços de guerra contra ditaduras, pela soberania nacional e pela libertação das antigas colônias em processos de independência contra países europeus e contra os regimes de Apartheid. Os registros oficiais mais conhecidos destacam, entre outros casos, ações de Cuba para impulsionar movimentos de esquerda em países latino-americanos, em apoio a brasileiros, argentinos, venezuelanos, bolivianos, colombianos, uruguaios, paraguaios, nicaraguenses, salvadorenhos, chilenos.




Mitologias de Fidel: acima, Fidel em 2010,
durante as celebrações do 50º aniversário da
criação dos Comitês para a Defesa da Revolução,
em Havana, fotografado por Desmond Boylan.
Abaixo, Fidel recebe Nelson Mandela em Cuba,
em 1991, em fotografia de Omar Torres; e com
Vladimir Putin, presidente da Rússia, durante
a visita oficial de Putin a Havana, em 2000








Há, também, o apoio cubano à Argélia, na guerra contra o colonialismo francês, em 1961, e em 1963, na guerra contra o Marrocos; em 1965, quando Che Guevara e guerrilheiros cubanos passaram um ano no Congo, em Angola e em Guiné-Bissau; a participação direta de Fidel nos conflitos e nos acordos que levaram ao fim da Guerra do Vietnã, em 1973; o envio da força expedicionária de Cuba, através do Atlântico, em 1975, para ajudar a salvar Angola, na época recém-independente, de uma invasão sul-africana; e o apoio à libertação de Nelson Mandela e sua escalada de resistência rumo à presidência e à pacificação na África do Sul.

Com o Brasil os laços diplomáticos de Cuba seriam retomados em 1985 e sinalizaram a retomada da Democracia: a primeira ação internacional da ditadura militar que tomou o poder em 1964 havia sido o rompimento das relações oficiais entre o governo brasileiro e o governo cubano. O receio de que o Brasil seguisse o exemplo da Revolução Cubana e se alinhasse à União Soviética foi um dos pretextos para o apoio decisivo do governo norte-americano ao golpe de Estado que levou à deposição do presidente João Goulart e implantou a ditadura que duraria décadas.

Depois da retomada oficial das relações diplomáticas, uma missão oficial do Brasil visitou Cuba em 1987 e, em 1989, o presidente Fidel Castro visitou o Brasil e teve participação importante, ao lado do futuro presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um encontro de lideranças de esquerda da América Latina que aconteceu em São Paulo. Depois da eleição de Lula para a Presidência da República, as relações entre Brasil e Cuba ficaram mais próximas com acordos de cooperação em diferentes áreas. Lula realizou visitas oficiais a Cuba em 2003, em 2008 e em 2010. Em 2014, a presidenta Dilma Rousseff implantou um programa importante na área da saúde: o Mais Médicos, com participação ativa dos médicos cubanos no atendimento à população de baixa renda e também às comunidades mais afastadas dos grandes centros urbanos. 



Um mito e suas variações



Com o desfecho de sua trajetória mítica, as glórias e as polêmicas sobre Fidel proliferam. Herói revolucionário que enfrentou os EUA? Ditador que em nome da revolução ignorou os direitos humanos? Estrategista que treinou e armou guerrilheiros em lutas pela liberdade política em vários países de vários continentes? Tudo isso junto e misturado? Provavelmente sim: tudo isso e mais. Um mito é a soma de suas variações – explicaria Roland Barthes, nas reflexões reunidas em “Mitologias” – pois todas as possíveis variações são expressão da verdade última do mito.






Mitologias de Fidel: acima, El Comandante
no Brasil, em 2003, na posse do ex-presidente 
Lula; e com a ex-presidente Dilma Rousseff 
durante encontro em Havana em 2014. Abaixo,
Gabriel García Márquez com Fidel em Havana
em 1982, ano em que ganhou o Prêmio Nobel;
Fidel com o Papa Francisco, também em Havana,
em 2015; e as homenagens póstumas ao líder 
revolucionário nas ruas e na Universidade de
Havana, em três fotografias de Alejandro Ernesto







A História me absolverá” – declarou certa vez o próprio Fidel, na época um jovem revolucionário de 26 anos, preso depois de liderar em julho de 1953 a invasão ao quartel militar de Moncada, em Santiago de Cuba, uma ação de resistência contra o golpe de Estado em que Fulgêncio Batista tomou o poder e instalou uma ditadura sangrenta. A invasão terminaria de forma trágica, com a morte da maioria dos manifestantes e com a prisão do líder Fidel. A história, porém, nunca tem fim: é um constante vir a ser, como destaca o cientista político Moniz Bandeira em "De Martí a Fidel  A Revolução Cubana e a América Latina", livro de referência em que analisa a evolução do regime revolucionário de Cuba e as conquistas sociais desde os antecedentes da Revolução de 1959.

Depois de passar 76 dias preso em um cela solitária, Fidel, recém-formado em Direito, apresentou-se em 1953 para fazer sua própria defesa no julgamento. As palavras com que encerrou seu discurso de defesa no tribunal têm um caráter premonitório, quase de profecia – antecipando uma trajetória que estava apenas no início: “Sei que a prisão será dura como nunca foi para ninguém, cheia de ameaças, de enfurecimento ruim e covarde, mas não a temo, como não temo a fúria do tirano miserável que arrancou a vida de 70 dos meus irmãos. Condene-me, não importa, a História me absolverá.”


por José Antônio Orlando.


Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Mitologias de Fidel. In: ______. Blog Semióticas, 26 de novembro de 2016. Disponível no link http://semioticas1.blogspot.com/2016/11/mitologias-de-fidel.html (acessado em .../.../...).


Para comprar De Martí a Fidel, A Revolução Cubana e a América Latina,  clique aqui.











6 de fevereiro de 2015

Inéditas de Bob Marley







O reggae tem a mesma raiz,
o mesmo calor e o mesmo ritmo
do samba. Nós estamos próximos.

––   Bob Marley no Rio de Janeiro   
em 19 de março de 1980   

   





Bob Marley, primeiro grande astro da cultura pop saído do Terceiro Mundo e o mais conhecido músico de Reggae de todos os tempos, completaria hoje seu 70° aniversário. Para comemorar a data, seus fãs recebem um presente inédito, em versões Blu-Ray, CD e DVD: “Easy Skanking in Boston '78”, com a íntegra daquele que é considerado um dos melhores shows da história do Reggae. Som e imagens foram gravados ao vivo em 8 de junho de 1978 e apresentam grandes sucessos de Bob Marley, incluindo “No Woman, No Cry”, “I Shot the Sheriff”, “Get Up, Stand Up” e duas canções que foram apresentadas somente naquela noite, em Boston, Estados Unidos – “Slave Driver” e “The Heathen”, que até agora permaneciam com a aura de inéditas.

Imagens e canções inéditas do show em Boston são os primeiros lançamentos deste 70º aniversário, mas a família do músico já anunciou uma variedade de lançamentos e eventos de comemoração. Ao longo de 2015, o legado do Rei do Reggae será lembrado por novas versões de material raro, entre elas uma edição de luxo, também em Blu-Ray, CD e DVD, de seu trabalho mais memorável, “Legend” – álbum com coletânea dos grandes sucessos que, desde o lançamento, em maio de 1984, vendeu oficialmente mais de 20 milhões de cópias e está entre os mais vendidos da história.







.


Inéditas de Bob Marley: no alto e acima,
fotografado por Esther Anderson nas
praias da Jamaica, em 1973. Também acima,
a capa do mais recente álbum com o show
realizado em Boston, EUA, em 1978,
e que permanecia inédito. Abaixo,
Bob Marley and The Wailers no palco
do Crystal Palace Park, em Londres, em
junho de 1980, durante a Uprising Tour









.









Uma câmera na mão



As cenas do show de 1978 em Boston, divulgadas no site oficial de Bob Marley, impressionam pela qualidade de imagem e som. A íntegra do show foi filmada com uma câmera na mão por um fã que Marley permitiu, na última hora, que pudesse subir ao palco. O resultado é notável porque consegue captar imagens do ídolo e seus músicos bem de perto, com sequências de closes e movimentos de câmera impressionantes, a apenas alguns metros de distância, levando quem assiste hoje às imagens à possibilidade de experimentar a intimidade do que acontecia no palco. 
 
Bob Marley e The Wailers, em junho de 1978, estavam na turnê internacional para divulgação do álbum “Kaya”, 11° dos 14 discos de estúdio de Marley, lançado em março daquele ano. Mas o repertório deste “Easy Skanking in Boston '78”, apresentado no Boston Music Hall, vai muito além das 10 faixas do disco, que emplacou os sucessos “Is This Love” e “Sun is Shining”, além da faixa-título. Completam as imagens de Bob Marley e banda, além de cenas da plateia, animações produzidas pela dupla S77 e Matt Reed, que realizaram videoclipes premiados para artistas como Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers e Cee Lo Green.







Acima, Bob Marley em 1978 com
a formação completa do The Wailers
e com a esposa Rita Marley (de
vermelho) e as integrantes do I Threes;
e em 1967 (ao centro), quando se uniu
a Bunny Wailer e Peter Tosh para
formar The Wailers. A partir do alto
da página, Bob Marley na praia de
Hellshire, na Jamaica, fotografado
em 1973 por Esther Anderson; a capa
do novo álbum, Easy Skanking in
Boston '78; e no palco do Crystal Palace
Concert Bowl, em Londres, em junho de
1980, com The Wailers e I Threes. Abaixo,
duas cenas do documentário de 2012
Marley, dirigido por Kevin Macdonald

 







Um dos poucos latino-americanos no Hall da Fama do Rock and Roll, Bob Marley mantém sua grande importância não apenas como o homem que colocou o Reggae no mapa global, mas também como o estadista que mudou a história de sua terra natal, a ilha da Jamaica. Quando chegou à condição de ídolo internacional da música, ele investiu seu prestígio para construir a união entre as mais radicais facções políticas de seu país, que naquela época estava às portas de uma guerra civil.



Status de mito



Com sua morte precoce, aos 36 anos, vítima de câncer, em 11 de maio de 1981, alcançou uma invejável estatura de mito, talvez só comparável, no universo da música, a John Lennon ou Elvis Presley, com equivalente popularidade internacional e também com forte apelo comercial – como comprova a extensa lista de relançamentos permanentes de sua obra, atualizada com a impressionante safra de material inédito que tem chegado ao mercado nos últimos anos. Desde 2010, foram 10 lançamentos com versões inéditas e remixes em CD e DVD, incluindo a gravação completa do último show de Bob Marley, que aconteceu em setembro de 1980 em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA) lançada em 2011, na versão em CD, com o álbum duplo “Live Forever”.




 


Acima, a capa da edição de luxo de
Legend, com faixas inéditas, lançamento
de 2015, e Live Forever, álbum de 2011
com a íntegra do último show, em Pittsburgh,
Pensilvânia, em setembro de 1980. Abaixo,
as imagens que causaram polêmica em 1974,
com Bob Marley no ritual de Cannabis
 em Kings Place, Londres, fotografado
por Dennis Morris












Houve, também, em 2012, o lançamento do documentário “Marley”, dirigido por Kevin Macdonald, que traz o músico em cenas do dia a dia e nos palcos, com surpreendentes depoimentos até então inéditos sobre a música, a família (especialmente sobre Rita Marley, sua esposa e companheira de palco de 1966 até a morte, mãe de quatro de seus 12 filhos, dois deles adotados), a paixão pelo futebol e a complexidade de suas crenças sobre as questões de política e religião.

Mais de 30 anos depois de sua morte, Bob Marley permanece como um dos nomes mais conhecidos no mundo inteiro, mas na Jamaica, sua terra natal, seu status de mito é insuperável. Desde sua morte, a data de seu aniversário, dia 6 de fevereiro, foi decretada como feriado nacional – e sua filosofia de vida, sintetizada no Movimento Rastafari e no culto à Cannabis, temas da maioria de suas canções, firmaram raízes definitivas dentro e também fora da Jamaica. 














Acima, Bob Marley com Chico Buarque,
na única vez que o músico jamaicano esteve
no Brasil, em março de 1980. Bob Marley,
com outros músicos e Chris Blackwell, diretor
da Island Records, vieram ao Brasil para a
inauguração das atividades do selo alemão
Ariola. Não subiu aos palcos, mas não resistiu
à sua paixão pelo futebol. No Rio de Janeiro,
encontrou Chico Buarque e outros artistas para
uma pelada em um quintal na Barra da
Tijuca. No grupo, de pé, o músico da banda
The Wailers, Junior Marvin, o cantor e
compositor Toquinho e o jornalista João Luiz
de Albuquerque. Agachados, Jacob Miller (The
Wailers), Chico Buarque, o craque Paulo César
Caju e Bob Marley. Abaixo, com o filho,
Ziggy Marley, durante temporada na Suécia,
em 1971, e no palco, no show em Pittsburgh,
em setembro de 1978, fotografado
pelo dinamarquês Jan Persson












Além da permanência firme de suas canções, que soam como matriz e referência do Reggae desde suas primeiras gravações nos anos 1960, e mais ainda desde "Catch a Fire", de 1973, primeiro disco depois do contrato com a gravadora Island Records de Chris Blackwell, que apresentou sua música ao mundo, a filosofia de vida de Bob Marley e seus ensinamentos também parecem a cada dia mais atuais – como se vê em seu depoimento, emocionado, que encerra o documentário de 2012 de Kevin Macdonald:

“Se todos nos unirmos e dermos as mãos, quem sacará as armas?", defende o músico. "Eu só tenho uma ambição: que a humanidade viva unida. Negros, brancos, orientais, todos juntos”. No dia 11 de maio de 1981, em um hospital nos Estados Unidos, em Miami, Flórida, Bob Marley morreu. Mas aquela ambição da utopia humanista sonhada por ele, sem nenhuma dúvida, continua sendo, ainda hoje, o sonho dos justos.


por José Antônio Orlando.


Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Inéditas de Bob Marley. In: ______. Blog Semióticas, 6 de fevereiro de 2015. Disponível no link http://semioticas1.blogspot.com/2015/02/bau-de-ineditas-de-bob-marley.html (acessado em .../.../...). 



Para comprar o CD + DVD Easy Skanking in Boston '78,  clique aqui.





Para comprar o livro Bob Marley por ele mesmo,  clique aqui.


Para comprar o DVD Bob Marley, Legend,   clique aqui.






Para visitar o site oficial de Bob Marley,  clique aqui.



  


Acima, Bob Marley no palco, na última

apresentação em Kingston, Jamaica,

em julho de 1979, fotografado por

Adrian Boot. Abaixo, o cartaz de

formas tipográficas criado por

Alyssa Almeida em 2014

 

 






Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Páginas recentes