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28 de maio de 2012

Beatles em Abbey Road






Os sobreviventes Paul McCartney e Ringo Starr já assopraram as velinhas: os Beatles ultrapassaram meio século de História. A banda começou em 1960, com a formação inicial de John Lennon, McCartney, George Harrison, Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria), mas a data oficial de origem da lendária beatlemania foi marcada no dia 6 de junho de 1962, quando Lennon (guitarra rítmica e vocal), McCartney (baixo e vocal), Harrison (guitarra solo e vocal) e Ringo Starr (bateria e vocal) fizeram juntos a primeira sessão de gravação para a EMI no famoso Abbey Road Studios, no norte de Londres. Desde então, há mais de cinco décadas, a beatlemania nunca mais saiu de cena e sempre permaneceu em destaque em todos os panoramas da música e da cultura pop.

As turnês, discos, filmes, canções e polêmicas da invasão mundial capitaneada pelos quatro de Liverpool ecoam até hoje, cada vez com mais lançamentos e novidades. As mais recentes incluem documentários com cenas nunca vistas, novas versões das gravações clássicas e muitas fotos raras e inéditas. Uma das novidades é o livro “The Beatles: On the Road 1964-1966”, que reúne uma imensa coleção de imagens em preto e branco, na grande maioria inéditas, que cobre os três primeiros anos de turnês mundiais da mais popular de todas as bandas de rock da história, ou, como os beatlemaníacos preferem dizer: a maior banda de rock que já caminhou pela Terra.

Também estão anunciados os lançamentos de uma nova versão do filme de animação “Yellow Submarine” (1968), dirigido por George Dunning e inspirado na pop art de Andy Warhol, e três documentários inéditos: “What's Happening!”, dos irmãos David e Albert Maysles, que flagraram, nos idos de 1964, os bastidores e a histeria de fãs na primeira visita dos Beatles aos Estados Unidos; “The Beatles: The Concert Lost”, que registra o primeiro show na América e foi exibido em 1964 nos cinemas, mas que estava desaparecido desde aquela época; e “The Beatles: Eight Days a Week - The Touring Years”, que terá roteiro e direção do veterano cineasta Ron Howard e que vai apresentar pela primeira vez imagens que permaneceram inéditas por mais de 50 anos, da estreia do grupo com o nome The Beatles, no Cavern Club de Londres, em 1962, ao show no Shea Stadium, em Nova York, em agosto de 1965.









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Imagens da beatlemania: no alto,
a fotografia rara com a travessia de
Abbey Road "ao contrário"; acima,
a foto de Iain Macmillan, reproduzida
na capa do disco de 1969; e The Beatles
 retratados no filme "Yellow Submarine" 
e pelas lentes de Harry Benson. Abaixo,
a capa do livro de Harry Benson e uma
sequência de suas fotografias que
permaneceram inéditas desde
a década de 1960






The Beatles: Eight Days a Week”, é o projeto mais ambicioso, com estreia prevista para setembro de 2016, e vai incluir, nas três horas de duração prevista, depoimentos também inéditos e polêmicos de Paul McCartney e Ringo Starr, bem como de Yoko Ono e Olivia Harrison, viúvas de John Lennon e George Harrison. Já “The Beatles: The Concert Lost” tem duração de 92 minutos e mostra o nascimento da beatlemania, com a apresentação na íntegra do primeiro show que a banda realizou em território norte-americano, no Coliseu de Washington.

Assim como o documentário dos irmãos Maysles, "The Concert Lost" registra as performances dos garotos de Liverpool e o público que vai ao delírio com “She Loves You” e “Twist and Shout”, entre outros sucessos que fizeram história. Um mês depois das filmagens, em 1964, o filme chegou a ser exibido nos cinemas e reuniu mais de dois milhões de espectadores. Mesmo com o sucesso, o filme original desapareceu misteriosamente e só foi recuperado no final de 2011, pela Screenvision, que restaurou o material e agora prepara um lançamento mundial com pompa e circunstância.

Além dos filmes que chegam aos cinemas, há ainda novidades reveladas com os vários e recentes leilões de objetos pessoais, gravações inéditas dos quatro em filmes domésticos, gravações de videoclipes e material publicitário que por algum motivo não foram lançados e milhares de fotografias raras dos quatro Beatles, que movimentaram pequenas fortunas e atiçaram a cobiça de colecionadores no mundo inteiro. Entre as fotos, a mais extensa coleção de inéditas está reunida em “The Beatles: On the Road 1964-1966”, lançamento da Taschen. Trata-se do acervo do fotógrafo Harry Benson, que era um amigo próximo do grupo e passou anos viajando com eles. A primeira passagem dos Beatles pelos EUA, as cenas de bastidores da gravação do filme “A Hard Day's Night” (1964), a gravação da banda no programa de TV de Ed Sullivan e até o exato momento quando John Lennon disse que "os Beatles eram mais famosos do que Jesus Cristo" estão nas fotografias do livro.











Segundo Harry Benson, seu livro traz a coleção definitiva de imagens dos Beatles. “Essas fotos cobrem um período muito feliz, para eles e para mim", comenta o fotógrafo no prefácio do livro. "No fim, tudo se resume à música. Sem dúvida eles foram a maior banda do século 20 e é exatamente por isso que essas fotos são tão importantes". O livro ainda não tem edição nacional programada, mas a primeira edição em inglês, com 1.764 cópias numeradas e autografadas por Benson, já está esgotada, menos de um mês depois do lançamento, apesar de custar nada menos que US$ 600.



Cruzando Abbey Road



Além do livro de Harry Benson, uma das últimas novidades é uma fotografia rara, autografada pelos quatro Beatles, que registra o grupo atravessando a faixa de pedestres na esquina de Abbey Road, no bairro londrino St. John's Wood, que foi vendida por 16 mil libras em um leilão em Londres no dia 22 de maio na casa Bloomsbury Auctions. Um detalhe curioso: ao contrário da versão oficial que estampou “Abbey Road” (1969), penúltimo disco do grupo, esta foto que foi a leilão mostra o quarteto cruzando a rua da direita para a esquerda da imagem, que é uma das seis variações da primeira sequência do grupo naquela que é considerada uma das poses mais emblemáticas da história da cultura pop, de autoria do fotógrafo Iain Macmillan.
 














Beatles na América, em 1964,
retratados por Harry Benson em um
passeio na praia em Miami Beach e no
programa de TV do lendário Ed Sullivan.
Abaixo, a célebre sequência de fotografias
de Iain Macmillan na esquina de
Abbey Road, em Londres. A quinta
fotografia, da série de seis, seria a imagem
escolhida para estampar a capa de
Abbey Roadpenúltimo álbum dos Beatles






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A rápida sessão de fotos em Abbey Road durou cerca de 10 minutos e foi feita em 8 de agosto de 1969. Enquanto um policial parava o trânsito, o fotógrafo Iain Macmillan, contratado porque era amigo de Yoko Ono, imortalizava a cena com John, Ringo, Paul e George cruzando a rua. Macmillan, em cima de uma escada, teve 10 minutos para fazer o ensaio e, ao que se sabe, registrou apenas uma dúzia de fotos dos quatro aguardando o momento da travessia e caminhando pela faixa de pedestres.

Na foto que agora foi a leilão, o sentido da caminhada está alterado, da direita para a esquerda, mas a ordem sequencial dos quatro não foi alterada em relação à imagem da capa do disco. Porém, há diferenças: Paul está usando sandálias (na foto oficial, ele está descalço) e não se vê nenhum cigarro em suas mãos. Os carros que ilustram a foto original na capa do disco de 1969 também não aparecem nesta versão.

A foto que estampou a capa do álbum Abbey Road ainda hoje é imitada por milhares de fãs em suas viagens a Londres. Segundo uma lenda da beatlemania, a foto também indicava que Paul estaria morto, vítima de um acidente de carro em 1966. Há algumas “pistas” que deram força ao rumor: na foto, Paul está descalço (segundo ele, naquele dia fazia muito calor) e fora de passo com os outros. Paul está de olhos fechados, tem o cigarro na mão direita, apesar de ser canhoto, e a placa do fusca (em inglês, "beetle") estacionado é "LMW", referindo-se às iniciais de "Linda McCartney Widow" ou "Linda McCartney Viúva" e abaixo o "281F", referindo-se ao fato de que Paul teria 28 anos se (“if” em inglês) estivesse vivo.

















Há ainda um contra-argumento de que Paul tinha somente 27 anos no momento do lançamento de Abbey Road – mas isso também reforça outra lenda, a de que Paul estaria incluído no “Clube dos 27”, como outros grandes artistas, poetas e astros do rock que morreram nesta idade. Os quatro Beatles na capa, segundo o mito "Paul está morto", representam o Padre (John, cabelos compridos e barba, vestido de branco), o responsável pelo funeral (Ringo, de terno preto), o Cadáver (Paul, de terno, mas descalço, como um cadáver em um caixão), e o coveiro (George, em jeans e uma camisa de trabalho).

Além disso há um outro carro estacionado, de cor preta, de um modelo usado para funerais e eles andam em direção a um cemitério próximo a Abbey Road. Na foto também é possível perceber que somente atrás de Paul há um carro, como se o carro tivesse passado pelo mesmo lugar em que ele está. Outra suposta pista da “morte” de Paul seria que, na contracapa do álbum, ao lado esquerdo da palavra Beatles, há oito pontos formando o número três (sendo, então, somente "três Beatles"). As evidências sobre a lenda e belas canções renderam um sucesso comercial imbatível a “Abbey Road”, que há mais de 40 anos se mantém como o álbum mais vendido dos Beatles.












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Penúltimo depois do último



A venda da fotografia dos Beatles cruzando Abbey Road “ao contrário” é o segundo leilão de fotos raras dos Beatles em menos de um mês. Em abril, duas imagens em preto e branco de John Lennon e Yoko Ono posando nus foram vendidas em outro leilão muito disputado na casa Duke de Dorchester, sul da Inglaterra. O vendedor, que não quis ser identificado, declarou à casa de leilões que encontrou as fotos no sótão da casa de sua mãe após ela ter morrido. Registradas por John e Yoko com um temporizador, as fotos ilustram a capa do álbum “Unfinished Music No. 1: Two Virgins”, que o casal gravou em 1968.

Abbey Road”, o 12° álbum lançado pelos Beatles, é um acontecimento desde que chegou às lojas, em 26 de setembro de 1969. Apesar de ter sido o penúltimo álbum lançado pela banda, foi o último a ser gravado e é considerado um dos melhores e mais cuidadosamente produzidos, comparável somente a “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band”. A estrutura de “Abbey Road” é um primor e, segundo os biógrafos dos Beatles, além do uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época, como o sintetizador Moog, os desentendimentos e as visões discordantes dos integrantes da banda só contribuíram para a riqueza da criação final.







Os polêmicos autorretratos de John e Yoko,
que recentemente foram a leilão em Londres,
ilustram a capa do álbumUnfinished Music
No. 1: Two Virgins”, lançado em 1968



Também foi em “Abbey Road” que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos vivendo sob a sombra de Lennon e McCartney, ele finalmente emplacou dois grandes sucessos com este álbum: “Here Comes the Sun” e “Something“. Ambas foram regravadas incessantemente ao longo dos anos e “Something” foi apontada em uma pesquisa recente da revista “Time” como a melhor música de “Abbey Road” e a segunda música mais interpretada no mundo, atrás somente de “Yesterday“, também dos Beatles.

Entre os tributos à beatlemania também está em destaque a coleção do selo Discobertas do carioca Marcelo Fróes, que já foi chamado de Indiana Jones da música brasileira pelo seu trabalho intensivo de arqueologia nos arquivos dos estúdios das gravadoras brasileiras. Nome de destaque no meio musical, Fróes lançou um presente dos sonhos para os fãs dos Beatles:um conjunto de três discos em que bandas, cantores e cantoras nacionais apresentam versões livres e inéditas para as canções que os quatro rapazes de Liverpool gravaram ou criaram em 1969 – ano de lançamento do legendário “Abbey Road”.






A foto mais reproduzida da era do rock 
e suas cópias: em 2009, para comemorar
os 40 anos do disco "Abbey Road", a
BBC de Londres promoveu um concurso
entre os fãs dos Beatles para escolher
a melhor homenagem. No alto, a imagem
que ficou em primeiro lugar, com os
fãs anônimos atravessando a esquina
de Abbey Road. Acima, a montagem
em photoshop que refaz a "véspera"
da travessia e foi classificada em
segundo lugar pela BBC. Abaixo,
uma das raras fotografias produzidas
por Richard Hamilton em 1968 para
a capa de The White Album e depois
descartadas pelo grupo; e uma versão
irônica da capa do álbum Abbey Road
produzida pela agência de web design
Aptitude, de Bedfordshire, Inglaterra









O outro lado de Abbey Road



Fã e colecionador dos Beatles desde a infância, Marcelo Fróes reúne três de suas paixões com o projeto “Abbey Road” – a música brasileira, as canções dos Beatles e o resgate de pérolas e preciosidades esquecidas em antigos arquivos. Os três CDs, intitulados “Beatles’69” e com subtítulos “Get Back –De Volta aos Beatles”,“Abbey Road Revisited” e “O Outro Lado da Abbey Road”, reúnem mais de 60 novas gravações produzidas entre janeiro e julho de 2009, todas em inglês.

Com belo projeto gráfico, a cargo de Ricardo Leite e da Crama Design, os CDs trazem nas capas fotografias de Kenjo Mayama registradas na esquina de Abbey Road, em Londres, a mesma que tornou-se ponto de peregrinação para beatlemaníacos do mundo inteiro. Nas versões do primeiro CD, nomes que vão de Capital Inicial (“Don’t Let me Down”) e Jota Quest (“Get Back”) a Fagner (“The Long and Winding Road”) e Maria Gadu (“Let It Down”) resgatam o repertório de “Get Back” – projeto gravado em janeiro e fevereiro de 1969 pelos Beatles e só lançado em 1970, quando a banda oficializou a separação.

O segundo disco,“O Outro Lado da Abbey Road”, traz canções dos Beatles do disco homônimo, de 1969, em versões de Kleiton & Kledir (“Every Night”), Mallu Magalhães (“How D’You Do”), Lafayette & Os Tremendões (“I Lost My Little Girl”), Zé Ramalho (“Because I Know You Love me So”) e Sérgio Reis (“Behind That Locked Door”), entre outras. O terceiro, “Abbey Road Revisited”, traz as músicas feitas pelo grupo em 1969, mas que não chegaram a ser gravadas e foram para os primeiros discos solo de cada um dos quatro. Destaque absoluto para o “dueto eletrônico” entre Milton Nascimento e Elis Regina na suíte que reúne “Golden Slumbers”, “Carry That Weight” e “The End”.












Em 1971, no disco “Ela”, com produção de Nelson Motta, Elis gravou as três canções dos Beatles, que receberam agora acréscimo da participação especial de Milton, com produção inspirada de Marcelo Fróes e Clemente Magalhães. “Todo mundo curtiu fazer. E o Milton também ficou muito emocionado. O canal de voz de Elis estava isolado na fita matriz de quatro canais de 1971, então foi possível tratá-lo e a voz dela soa tão cristalina e atual quanto a que Milton gravou agora”, destacou Fróes na entrevista que fiz com ele na época da comemoração dos 40 anos de “Abbey Road”.

Segundo o produtor, o “dueto eletrônico” entre Milton e Elis foi uma experiência grandiosa. “Foi um dueto perfeito, com um arranjo elegante e até adição de arranjo de cordas. Ficou à altura de Elis e Milton, à altura dos Beatles, à altura da canção e à altura do que o público merece ouvir”. Além das canções com Milton e Elis, outras faixas dos três CDS do projeto “Abbey Road” reservam surpresas, como as participações especiais de Joyce (que recriou “Here Comes the Sun”), Roberto Frejat (“Oh! Darling”), Flávio Venturini & Aggeu Marques (“Something”) e Detonautas Roque Clube (“Come Together”), entre vários outros.

Tem muita coisa surpreendente”, destacou Fróes. “João Donato & Paula Morelenbaum em ‘Mean Mr. Mustard’, por exemplo, é algo único. A versão dos Beatles tinha poucos segundos”. Sobre a discografia dos Beatles, Fróes fez uma revelação surpreendente: “Abbey Road” não é seu preferido. “Meu favorito é o ‘Álbum Branco’, embora eu ouça mais o 'Abbey Road', que acaba sendo o segundo mais importante pra mim. O ‘Álbum Branco’ é maravilhoso, levanta o astral de qualquer pessoa, mas é um disco longo e que exige tempo pra curtir”.






The Beatles em imagens lendárias: nas
capas dos discos White Album e
Sgt. Pepper's  Lonely Hearts Club
Band, dois projetos assinados pelo
designer e artista plástico Peter Blake.
Abaixo, as capas do projeto de Marcelo Fróes
produzido pelo selo Discobertas; The Beatles no
encarte do álbum Sgt. Pepper’s; outra cena da
célebre sequência de fotografias de Iain Macmillan
na esquina de Abbey Road, em Londres; a última
fotografia da última sessão fotográfica que reuniu
George, Paul, John e Ringo –– fotografados
por Linda McCartney em 22 de agosto de 1969
em Tittenhurst Park, Londres, onde na época
moravam John Lennon e Yoko Ono; e as imagens
que abrem o livro de Harry Benson


 
Mas o que ouve um produtor musical no dia a dia? “Eu não uso música como fundo para nada, se coloco um disco é pra ouvir. O ‘Álbum Branco’ nunca emplacou nenhum hit nas rádios na época – por mais que ‘While My Guitar Gently Weeps’ e ‘Back In The USSR’ sejam clássicos dos Beatles até hoje”. Segundo Fróes, os Beatles foram a maior de suas influências. “Posso dizer que foi a maior referência que tive na vida, independente de ficar ou não ouvindo discos ou usando camisetas da banda. É algo que norteou o desenrolar da minha vida profissional e que me trouxe até aqui”, confessa.

Faço muita coisa com música brasileira, o tempo todo, mas volta e meia curto fazer algum projeto com a música dos Beatles”. Os três CDs do projeto “Beatles 69” chegaram ao mercado pelo selo “Discobertas”, criação de Fróes que também lançou inéditos de Zé Ramalho, Jackson do Pandeiro e Renato Russo, entre vários outros. Autor de livros como “Bob Dylan por Ele Mesmo” e “Jovem Guarda em Ritmo de aventura”, grande conhecedor do repertório dos Beatles e da cena musical brasileira, Fróes teve um antecedente bem sucedido para “Beatles 69” em 2008: o projeto de CDs que marcou os 40 anos do “Álbum Branco” dos Beatles.

Assim como o tributo a “Abbey Road”, o projeto de 2008 reunia artistas diversos, com versões dos Beatles por Zé Ramalho, Cachorro Grande, Pato Fu, Flávio Venturini, Raimundo Fagner, Lobão, Paulo Ricardo, Zélia Duncan e outros. “Na maioria dos casos procurei os intérpretes que se encaixassem bem nas canções", recorda Fróes. Mas também houve caso de ter que encontrar a música que se encaixasse melhor a este ou aquele determinado artista. E também houve um ou outro caso de artista que escolheu sua canção”.






Depois desta entrevista o selo de Marcelo Fróes lançaria vários outros projetos dedicados aos Beatles, entre eles os dois CDs “Beatles' 67”, com bandas nacionais em novas versões das canções que os quatro de Liverpool dos Beatles que eles gravaram durante o ano de 1967 (o primeiro volume da série foi dedicado a "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" e o segundo volume às canções lançadas no "Magical Mystery Tour", alem de outtakes e faixas mais tarde usadas nos discos solo dos ex-Beatles), e mais dois CDs que homenageiam “Let It Be”, derradeiro álbum lançado pelos Beatles. Confira alguns trechos da entrevista.


O que foi mais difícil: reunir tantos nomes importantes para o projeto “Abbey Road” ou conseguir autorização para gravar os Beatles?

Marcelo Fróes – Reunir mais de 60 artistas, bandas e produtores num projeto como este, em apenas seis meses de produção, realmente foi uma gincana, mas não me lembro de ter sido “difícil”. Foi emocionante descobrir as canções inéditas e aguardar até meu pedido de autorização para gravação ser finalmente atendido. Este projeto traz coisas preciosas, como as canções inéditas gravadas em disco pela primeira vez no mundo. São elas “Suzy Parker”,“Taking a Trip To Carolina”, “How D’You Do”, “Fancy My Chances With You” e “Because I Know You Love Me So”. Elas foram apenas ensaiadas pelos Beatles, mas jamais gravadas em disco por eles ou qualquer outro artista ou banda.

Entre as mais de 60 canções de “Beatles’69”, quais você destaca e por quê?

Destaco as inéditas e, é claro, a produção do dueto de Elis Regina e Milton Nascimento, que foi uma das coisas mais importantes que já idealizei e consegui por em prática. Devo retornar à experiência no futuro, mas no momento não posso falar a respeito – até por questões contratuais. Mas teremos muitas surpresas em breve.





E os Beatles virarem conteúdo de videogame? Você aprova?

Eu acho que sim, porque com a banalização do áudio, seja por download de MP3, seja pela facilidade de cópia digital de CDs, é fundamental que se tenha alguma coisa a mais para se justificar as vendas e a permanência no repertório na mídia. A música, para girar como conteúdo, tem que estar lado a lado com outros bens de consumo.

Você tem outro projeto relacionado aos Beatles?

Acabo de lançar pelo selo Discobertas a trilogia “4ever – Os Beatles por seus amigos”, com as gravações originais das canções que Lennon e McCartney fizeram para Gerry and The Pacemakers, Cilla Black, The Fourmost, Billy J. Kramer etc, todos eles eram contratados do empresário Brian Epstein e produzidos por George Martin, e ganhavam canções inéditas que John e Paul faziam e os Beatles nem gravavam. É a primeira vez que este material é compilado com gravações originais e a melhor masterização. É fundamental para o fã dos Beatles que quer tudo, e certamente um belo complemento para a discografia da banda.


por José Antônio Orlando.


Como citar:

ORLANDO, José Antônio. Beatles em Abbey Road. In: ______. Blog Semióticas, 28 de maio de 2012. Disponível no link http://semioticas1.blogspot.com/2012/05/travessia-em-abbey-road.html (acessado em .../.../…).


Para comprar Abbey Road em edição especial (2 CDs),  clique aqui.
















8 de dezembro de 2011

A viagem de Woodstock







O que a noite tem a ver com o sono?
(What hath night to do with sleep?) 

John Milton (1608-1674)   



  

O norte-americano Michael Wadleigh tinha 27 anos quando decidiu filmar os shows do lendário Festival de Woodstock em 1969. Foi o único cineasta a registrar o evento. No ano seguinte, o cineasta então desconhecido tornou-se celebridade internacional ao lançar nos cinemas "Woodstock - Onde Tudo Começou". Filmado por cinco câmeras sob o comando de Wadleigh – que chegou a ser chutado para fora do palco durante o show do The Who – o documentário teve o desconhecido Martin Scorsese como assistente de direção e propagou imagens que fariam história pelo mundo afora.
Intercalando celebrações e delírios da plateia de meio milhão de pessoas a performances definitivas de Janis Joplin, Jimi Hendrix, Joe Cocker e uma galeria de nomes e bandas mitológicas, naquele chuvoso fim de semana de agosto de 1969, o filme de Wadleigh venceu o Oscar em 1971 e marcou época. Em 1994, o mesmo Wadleigh foi o centro das atenções quando, nos 25 anos do festival, lançou nova versão de seu documentário com preciosos 40 minutos que não estavam na versão exibida nos cinemas – que tinha 154 minutos e foi lançada em VHS nos anos 1980.






A viagem de Woodstock: acima, cartaz
original do festival em 1969; uma cena
de Aconteceu em Woodstock, filme
de Ang Lee; e a feira hippie que ainda
hoje permanece montada em Bethel,
no estado de Nova York, EUA,
cidade que passou a constar no mapa
depois que foi sede do festival.
Abaixo, o caminho para a fazenda de
Max Yasgur, onde aconteceu o festival,
em fotos de Henry Diltz, que foi o
fotógrafo oficial do evento. Diltz também
era músico, integrante da banda Modern
Folk Quartet, e conseguiu o emprego de
fotógrafo oficial do mais lendário dos
festivais por conta de sua amizade com
Crosby Stills & Nash, Joni Mitchell,
Janis Joplin, Jimi Hendrix e outros
astros e estrelas que ocuparam o
palco em 1969 em Woodstock










Mais de 40 anos depois do lançamento do primeiro filme, Wadleigh surgiu com uma nova "versão do diretor" para o documentário que já parecia completo na versão original. "Woodstock - 3 Dias de Paz, Amor e Música" (Warner) chegou às lojas em quatro DVDs e em Blu-Ray. O novo filme traz as 32 bandas e suas 250 canções em mais de quatro horas – com quase duas horas de cenas nunca vistas, incluindo documentário sobre a década de 1960, novas performances, entrevistas saborosas e depoimentos emocionados da época.
Wadleigh selecionou o que havia de melhor em seu arquivo para editar a nova versão. São cenas surpreendentes, para deleite dos apaixonados pelo melhor do rock'n'roll: das festas da plateia às sequências inéditas de alguns dos maiores mitos da música em seus melhores momentos – entre eles, a íntegra de atuações nunca exibidas de 13 bandas e artistas como Janis, Hendrix, Joan Baez, Santana, The Who, Grateful Dead e outras performances inspiradas. 








A viagem de Woodstock: imagens
que se tornaram lendárias, registradas
por Henry Diltz. Abaixo, dois beijos
que fizeram história, o primeiro
fotografado por Henry Diltz e o
segundo por Elliott Landy, outro
fotógrafo que fez registros antológicos
sobre o festival em 1969







 
A "versão do diretor" traz ainda comentários de Wadleigh, que lança luzes sobre os bastidores de produção do festival que mudou a história do rock – revelando que os organizadores pensaram em desistir de tudo, na última hora, por causa do desconforto das chuvas e dos congestionamentos gigantescos que os milhares de sortudos e corajosos enfrentaram para chegar à fazenda que seria sede do evento mais mítico da era da contracultura.
Nos extras da nova versão do documentário, Wadleigh comenta seu próprio trabalho diante do que define como o melhor show da história. "O certo é que todas essas pessoas estavam lá por algo mais que uma música maravilhosa e foi isso o que retratamos", explica Wadleigh, que manteve os irreverentes cabelos longos que usava nos anos 1960, quando embarcou em uma história que, segundo ele próprio comenta, soava a "ecologia, comunismo e cultura". 









Cenas de Woodstock: acima, flagrantes da plateia
registrados por Bill Eppridge. Abaixo, quatro
momentos do palco e dos anônimos na
plateia em fotografias de John Dominis.
Também abaixo, Jimi Hendrix no palco
registrado por diversos fotógrafos
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Woodstock, lembra o diretor, é uma unanimidade como mais importante evento de música da história e um marco em nossa civilização: é quando o rock'n'roll, que surgiu na década anterior, chega ao poder. Pelas imagens flagradas por Wadleigh, é possível acompanhar a felicidade da multidão que viveu "três dias de paz, amor e música" – palavras que ganharam corações e mentes por traduzir a juventude em uma época marcada por desilusões.
O tom de fim da utopia transparece no show que encerra o festival, com Hendrix tirando sons torturados da guitarra e improvisando na microfonia "Star Spangled Banner", o hino nacional norte-americano. Enquanto no Brasil surgia o movimento tropicalista e a ditadura militar atingia seu momento mais repressor, com o Ato Institucional Nº 5 cassando as liberdades individuais, a juventude de outros países também vivia momentos sombrios, ainda que instigantes – com lutas históricas pela liberdade e pelos direitos civis.





Nos Estados Unidos, Luther King e Robert Kennedy são assassinados em 1968, enquanto explodia a guerra do Vietnã, o mais longo conflito armado desde a Segunda Guerra. Nos cenários de Woodstock, porém, como define no novo filme de Wadleigh um dos organizadores do festival, tudo alcançaria a dimensão de paraíso – apesar das filas gigantes para tudo, da chuva que não parava e do barro acumulado. Foi o auge da liberação e do "paz e amor" – como indica o gesto de indicar dois dedos em riste, imagem que se tornaria o símbolo de uma época e síntese poética dos novos tempos no mundo inteiro.
O lendário encontro de tribos que colocou Woodstock no centro e na vanguarda da consciência de cidadãos do mundo todo, quatro décadas depois ganharia outros tributos, além da nova versão do documentário de Michael Wadleigh. De todos os tributos ao festival, alguns merecem atenção especial, entre eles os livros “Woodstock” (editora Agir), de Pete Fornatale, e “Aconteceu em Woodstock” (editora Best Seller), de Elliot Tiber, que foi a base do roteiro do filme "Aconteceu em Woodstock” (“Taking Woodstock”, 2009), de Ang Lee. Há, ainda, o registro do show quase inacreditável de Hendrix no encerramento do festival, lançado em DVD duplo. 





















Jimi Hendrix – Live in Woodstock” (Sony), que havia sido lançado nos cinemas nos anos 1970, em versão reduzida de 80 minutos, agora recebeu nova edição, com câmeras alternativas e uma versão inédita da íntegra do show, filmado em sua sequência original, sem cortes, com cada gesto e acorde do maior guitarrista de todos os tempos entoando “Foxey Lady”, “Message To Love”, “Hey Joe”, “Spanish Castle Magic” e “Lover Man”, entre outros clássicos da era do rock.

O documentário de Hendrix em Woodstock também inclui material bônus exclusivo como as coletivas de imprensa com o guitarrista falando a respeito do festival, entrevistas com os organizadores e muitas e muitas cenas de bastidores. Numa das entrevistas, Hendrix faz breves comentários sobre a infância e sobre sua avó materna, descendente de índios Cherokee, que incutiu no jovem Jimi um forte sentido de orgulho por seus ancestrais. Também recorda em poucas palavras que descobriu a música aos 16 anos, quando ganhou de presente um ukelele.








Hendrix aos 19 anos, no início
de 1962, quando alistou-se no
Exército, em Fort Campbell, Tennesse;
e em cenas do documentário filmado
em Woodstock, que havia sido
lançado nos cinemas nos anos 1970,
em versão reduzida de 80 minutos, e
que agora recebeu nova edição, com
câmeras alternativas e uma versão
inédita da íntegra do show










Aos 19 anos, no início de 1962, Hendrix alistou-se no Exército, em Fort Campbell, Tennesse, e foi convocado para uma brigada de paraquedistas. No exército ele descobriria a guitarra e receberia dispensa médica pouco tempo depois do início do treinamento, após fraturar o tornozelo em um salto. Nos bastidores, Hendrix recorda suas primeiras experiências com a música e comenta que o som do ar assobiando no pára-quedas, durante sua temporada em Fort Campbell, foi uma das fontes de inspiração para seus solos na guitarra. 



Aconteceu em Woodstock



No Festival de Cannes, em 2010, quando seu filme concorreu à Palma de Ouro, Ang Lee explicou que sua proposta não foi reconstituir as cenas históricas de Woodstock. "Este filme não é sobre rock. É sobre o rito de passagem de um garoto que faz descobertas importantes sobre sua família e sua sexualidade. Seria impossível reconstituir a magia daquele palco. Para isso já existe o documentário de Michael Wadleigh”, alertou Ang Lee, cineasta taiwanês que ganhou notoriedade depois de "O Segredo de Brokeback Mountain", de 2005. Em “Aconteceu em Woodstock”, os lendários 32 concertos de rock nunca aparecem na tela. Em uma das cenas, a multidão de mais de 500 mil pessoas que lotou os campos é vista, mas somente à distância.
 









Aconteceu em Woodstock: imagens
registradas pelo fotógrafo Henry Diltz
foram reproduzidas no álbum duplo
em vinil duplo com uma seleção das
performances do festival. Abaixo,
três cenas de banho coletivo no lago
da fazenda de Max Yasgur
registradas por John Dominis,
Bill Eppridge e Barry Z. Levine

















 

Enquanto Pete Fornatale, que era locutor de rádio na época do festival, reúne em seu livro dezenas de depoimentos de artistas e anônimos que viveram aqueles três dias de rock, no outro livro – que inspirou o filme de Ang Lee – Elliot Tiber, o inventor do Festival de Woodstock, revela os bastidores do evento que marcou uma geração. Até a realização do festival, Tiber lutava para evitar a falência do decadente hotel da família na pequena cidade de Bethel, no estado de Nova York.

Parecia uma missão impossível, pois a clientela que frequentava o local durante as férias havia descoberto a Flórida, e a indústria do turismo na região estava praticamente falida. Woodstock, segundo Tiber, aconteceu quase por acaso. Para salvar o hotel dos pais da falência, ele ofereceu o terreno para promover um show de rock e arrecadar dinheiro. Tiber só não sabia das proporções que o evento tomaria.

por José Antônio Orlando.


Como citar:

ORLANDO, José Antônio. A viagem de Woodstock. In: ______. Blog Semióticas, 8 de dezembro de 2011. Disponível no link https://semioticas1.blogspot.com/2011/12/viagem-de-woodstock.html (acessado em .../.../...).


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Acima, Janis Joplin, a musa principal
do Festival de Woodstock, aos 17 anos,
em 1960, e no meio da plateia do festival.
Abaixo, Janis no palco em Woodstock,
fotografada por Rowland Scherman, e 
uma das muitas imagens que fizeram
história: o casal Nick e Bobby Ercoline,
na época anônimos, na  plateia, naquele
final de semana de chuva, em agosto de
1969, fotografados por Burk Uzzle








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