terça-feira, 26 de julho de 2011

Imagens do Oitocentos



São imagens impressionantes, cada uma a seu modo, retratando escravos e seus senhores no século 19. Em uma das fotografias, datada de 1899, uma criança branca está montada sobre a babá negra – criança e babá enfeitadas, endomingadas, com roupas de renda, insinuando através da brincadeira nada inocente o exato retrato de uma época. Em outra imagem, na verdade um cartão-postal datado de 1880, uma ama de leite negra traz outra criança branca, sorridente, amarrada às suas costas.

Na maioria das fotos selecionadas, os personagens trazem aquela estranha melancolia que o tempo passado confere às faces e olhares de ilustres e anônimos. A época em questão, pontuada de contrastes, era marcada pela divisão rigorosa da sociedade em duas categorias de pessoas: os senhores e seus escravos. Os primeiros, europeus em sua maioria, exerciam o poder com mão de ferro e não hesitavam em comprar, vender, subjugar, prender e reprimir o escravo ou o negro recém-libertado que ousasse contrariar suas vontades ou não se curvasse às suas exigências.



O segundo grupo, nascido na África ou descendente direto de africanos, formava a parte mais numerosa da população no Brasil de nossos avós e seus pais, há pouco mais de 100 anos. Esta sociedade dividida entre escravos e senhores havia sido retratada no exotismo da vida cotidiana nas décadas e séculos seguintes ao descobrimento pelas tintas e pinceis de artistas que integravam as várias missões de naturalistas.


Brasil em preto e branco  


Depois das míticas missões de naturalistas, quase sempre comandadas pelos europeus, que rastreavam o território coletando e documentando espécies vegetais e animais e retratando em pinturas e desenhos o povo nativo e seus costumes tropicais, entrariam em cena outros artistas com novas técnicas e maquinarias, uma delas batizada de fotografia ("photografie") por um desenhista, pintor e inventor no Brasil, pelo menos cinco anos antes da palavra e das técnicas fotográficas serem adotadas por outros pioneiros em países da Europa.

Hércules Florence: acima, autorretrato
do pioneiro das técnicas e processos
fotográficos e inventor da palavra photografie,
em daguerreótipo datado de 1875. Abaixo,
uma das aquarelas que Hércules Florence
produziu (quando acompanhava, contratado
como desenhista e pintor, a Expedição do
Barão Langsdorff pelo território nacional)
que retrata uma fazenda de café em 1829
situada na região da Serra da Mantiqueira,
na Província de Minas Gerais. Também
abaixo, três registros fotográficos sobre as
levas de escravos africanos que chegavam
ao Rio de Janeiro em navios negreiros
retratados em daguerreótipos de autores
anônimos em meados do século 19








A palavra, que vem do grego antigo φως [fós] ("luz") e γραφις [grafis] ("estilo", "pincel''), formando γραφη [grafê], que significa''desenhar com luz e contraste”, ao que se sabe teria sido usada pela primeira vez por Hércules Florence (1804-1879), francês naturalizado brasileiro. Integrante da lendária Expedição do Barão Langsdorff, Hércules Florence chegou ao Rio de Janeiro em 1824 com a tarefa de fazer o relato completo da aventura da expedição, que percorreu mais de 13 mil quilômetros do ainda desconhecido território nacional, entre os anos de 1825 a 1829.

Além de concluir o único relato completo sobre a expedição científica, Hércules Florence também produziu a maior parte da documentação iconográfica com suas habilidades incomuns de desenhista, polígrafo e incansável inventor de novas técnicas e processos – uma de suas invenções, somente reconhecida recentemente, quase dois séculos depois de suas primeiras experiências, foi o processo fotográfico.

Mais de 100 anos depois da morte de Hércules Florence, o exame detalhado de manuscritos e relíquias de acervo do pioneiro foi feito pelo especialista Boris Kossoy. As peças do acervo e os relatos registrados em sua época pelas autoridades do Império e pelo próprio Florence, levaram Kossoy a comprovar o emprego pioneiro por Hércules Florence da palavra "photographie", pelo menos cinco anos antes que o vocábulo e também o processo a que se referiam fosse utilizado pela primeira vez na Europa.
Entre as experiências impressionantes realizadas por Hércules Florence está, entre várias outras, a fotografia, em 1833, em Campinas, São Paulo, da imagem de uma janela. O pioneiro, de acordo com seus próprios relatos, registrados em documentos cartoriais, utilizou uma caixa equipada com uma lente e um papel embebido em nitrato de prata. Cinco anos depois, em 1837, em Paris, França, Louis-Jacques Mandé Daguerre aperfeiçoa o sistema, que também vinha sendo testado por Joseph-Nicéphore Niepce, e vende a patente do “daguerreótipo” para o governo da França.












A fotografia no fim do mundo 
 


Escravos e seus senhores foram registrados pelos pioneiros da fotografia no Brasil – à maneira do que fizeram antes artistas como o alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858) e o francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), como aponta a pesquisadora Sandra Sofia Machado Koutsoukos, autora de um extenso dossiê intitulado "Negros no Estúdio do Fotógrafo", preciosidade lançada pela Editora Unicamp. 

Graduada em Belas Artes pela UFRJ, mestre em Artes e doutora em Multimeios, Mídia e Comunicação pelo Instituto de Artes da Unicamp, com pesquisa de pós-doutorado apoiada pela Fapesp, Sandra Koutsoukos apresenta em seu livro-tese um acervo de documentos pouco conhecidos e imagens raras, belas e impressionantes, garimpado em diversas instituições pelos quatro cantos do Brasil.

 
 


Acima, imagem reproduzida na capa do
livro Negros no Estúdio do Fotógrafo:
senhora da família Costa Carvalho na
cadeirinha, com dois escravos descalços
a seu serviço, em daguerreótipo anônimo
datado de 1860. Abaixo, daquerreótipos
registram o trabalho de escravos em
fazendas de café, na região da Serra da
Mantiqueira, nas províncias dos estados
de Minas Gerais e São Paulo













"Negros no Estúdio do Fotógrafo" surge como um estudo pioneiro, reunindo imagens que permaneciam inéditas sobre as representações de pessoas negras, livres, forras e escravas, produzidas em estúdios de fotografia, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. “As cenas construídas nos estúdios, com os símbolos que expunham, eram 'narrativas', mensagens facilmente entendidas pelos parentes e amigos que recebiam os retratos dos entes queridos ou dos conhecidos”, explica Sandra Koutsoukos. “Os retratos deviam deixar explícita a posição que a pessoa ocupava, ou que pretendia demonstrar que ocupava. Embora fossem cenas 'construídas', ou por isso mesmo, costumavam deixar claro o papel de cada um”.

A pesquisadora também destaca em cada fotografia os sinais legíveis, a “narrativa construída” sobre o que o corpo de um escravo ou ex-escravo podia conter, das marcas e cicatrizes às mutilações pelo trabalho ou por açoites, até indicativos simbólicos como o sapato, que em pé de negro costumava indicar liberdade. O livro está organizado em três capítulos, tão breves quanto reveladores. São eles "A fotografia no Brasil no século 19", "Entre liberdade e escravidão, na fotografia" e "Na casa de correção da corte, a Galeria dos Condenados". Em cada capítulo, Sandra Koutsoukos enumera fotografias e estudos de fontes agrupadas em três categorias.



Na primeira categoria listada por Kotsoukos, fotos de escravos domésticos que foram levados aos estúdios por seus senhores, os quais queriam aquelas fotos em seus álbuns de família; na segunda, fotos que foram exploradas na chave do "exótico" e vendidas como souvenir a estrangeiros; na terceira, fotos etnográficas, produzidas para servir de suporte a teorias racistas então em voga. 

Acervo de escravos e libertos



A Galeria dos Condenados representou a maior surpresa para Sandra Koutsoukos, autora de "Negros no Estúdio do Fotógrafo". Na extensa trajetória de anos de pesquisas e viagens pelo Brasil e por acervos do exterior, relata a autora, foi um susto a descoberta das fotos de negros escravos na condição de presos em dois álbuns.












Assombra o relato de Sandra Koutsoukos não só pelas minúcias descritivas mas também pelas fotos que ilustram o texto sobre a tal Galeria dos Condenados – impressionante também pela curiosidade adicional da feitura dos álbuns na época, decorrentes do fato de que o próprio fotógrafo era um dos prisioneiros. Os motivos que levaram à montagem dos álbuns, entretanto, permanecem como enigmas.

"No decorrer do trabalho de pesquisa nos arquivos, bibliotecas e coleções, a surpresa maior foi quando pus as mãos nos dois álbuns da Galeria dos Condenados, com fotos de presos que estavam na Casa de Correção da Corte na década de 1870, constantes da Coleção Dona Theresa Christina na Dividão de Manuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro", destaca Koutsoukos.










Memórias da escravidão: as amas
de leite negras eram encomendadas e
compradas pelos nobres e senhores de
engenho para servir à casa grande e para
cuidar de suas crianças brancas


 


 


"Surpresa, pela riqueza, qualidade e quantidade de fotos. Susto, pelo trabalho que não contava que iria ter. Como falar daquelas fotos? Falar o quê, se eu nem sequer imaginava para que os álbuns haviam sido montados? Por onde começar", ela recorda, reconstituindo os passos que levaram à conclusão da pesquisa e à sua posterior transformação no livro agora lançado pela Unicamp.

Koutsoukos também destaca a importância do estudo na abordagem pioneira entre liberdade e escravidão no universo da fotografia: para uma pessoa negra livre ou forra "parecer livre", havia a necessidade de se fazer aceita (ou, ao menos, tolerada) pela sociedade e, dessa forma, tentar abrir nela o seu espaço.







"Comparo, no livro, algumas fotos de negros livres e de negros forros com fotos de escravos domésticos. Nas fotos, os pés, calçados ou descalços, costumavam expor a condição social do retratado. Pelo menos, os símbolos pé descalço ou sapato eram dessa forma exibidos e entendidos", explica a autora.



Amas de leite e amas-secas



Sobre as amas de leite e amas-secas, Sandra Koutsoukos destaca que elas são maioria no acervo enumerado ao longo dos anos de pesquisa. "No texto, tento traçar a complexidade do tema da amamentação (por mãe, por ama, por animal, por objeto) à época, e os problemas que advinham dele para as partes envolvidas: o bebê branco é o interesse da fotografia encomendada", aponta.





A questão, ela explica, volta-se para o entendimento dos motivos pelos quais as amas foram retratadas sempre de forma que se pretendia tão "positiva" - tentando passar ideias de intimidade, harmonia e afeto, num período em que já se condenava o uso de amas de leite e se tentava estimular a construção da imagem da "nova mãe", a mãe branca que amamentava seus próprios filhos.

Aos raros e pioneiros estúdios fotográficos do século 19, destaca Koutsoukos, iam pessoas de todas as camadas sociais, desde a alta sociedade até os mais humildes. No livro, o que se vê são retratos impressionantes de uma época: negros libertos e escravos domésticos, além da sequência final com as fotos de presos da primeira penitenciária do Brasil.



Por meio de vasta pesquisa, a autora traça o caminho daqueles retratos, sua significação, sua circulação e seu armazenamento em álbuns. Ao explorar as histórias por trás das imagens, o livro dá vida a cada um dos personagens – trazendo à memória do leitor seus próprios álbuns e retratos.

Ou, como conclui a autora ao final de seu relato em "Negros no Estúdio do Fotógrafo", trata-se de um acerto de imagens que não só impressionam, mas que são também reveladoras sobre as dimensões dos problemas do Brasil atual, na medida em que as lições do passado costumam equacionar as melhores soluções para os desafios do presente.


Arturos, um tributo à tradição


Enquanto “Negros no Estúdio do Fotógrafo” resgata os primórdios da fotografia no Brasil, uma trabalho de pesquisa registrado em belas imagens em preto-e-branco pelo fotógrafo e pesquisador Mário Espinosa apresenta a beleza e a tradição da Comunidade Negra dos Arturos em Minas Gerais. Uma seleção de 20 belas imagens de Espinosa ganhou uma exposição recente e incomum na praça do Big Shopping, em Contagem, Minas Gerais. 
 



Nascido em 1943 em Montevidéu, Uruguai, e naturalizado brasileiro desde 1974, quando se casou com uma brasileira, Mário Espinosa, que é afro-descendente e professor universitário, pesquisa há décadas as manifestações culturais que ele define como "afro-diaspóricas" – aquelas que sobrevivem em remanescentes de comunidades quilombolas.

A mostra, que ele define como ''um estudo sobre a abolição da escravatura no Brasil'', destacou as tradições culturais de um dos mais importantes patrimônios históricos de Contagem. As 20 fotografias, que registram a festa da Abolição da Escravatura realizada pela comunidade em maio de 2007, foram doadas pelo próprio Mário Espinosa para os Arturos. 
 



"Foi um jornalista de Minas Gerais quem me passou a sugestão para visitar os Arturos. Fui conferir e foi paixão à primeira vista. Desde então tenho viajado a Contagem com muita frequência e pelo menos duas vezes por ano com data marcada: na festa do Rosário e na festa da Abolição da Escravatura. Não tem mais jeito de evitar: além da relação de pesquisa, também já estabeleci com a comunidade uma relação afetiva muito forte", destaca o fotógrafo.

Nas fotos de Mário Espinosa, a música e as danças religiosas do congado estão representadas em cenas expressivas que revelam a intimidade dos Arturos, remanescente de um antigo quilombo que é considerado um dos patrimônios históricos e cartão postal de Contagem.

 
Escravos e seus descendentes


A comunidade dos Arturos foi fundada há cerca de 120 anos, em meados do século 19, pelos escravos Artur Camilo Silvério e sua esposa Carmelinda Maria da Silva. Seus descendentes, filhos, netos e bisnetos, constituem cerca de 70 famílias que preservam a identidade cultural de origem africana, transmitida de geração em geração.

"Estas fotos que doei para a comunidade dos Arturos fazem parte de um acervo muito maior, que hoje soma mais de 5 mil imagens", destaca Espinosa, que tem planos de realizar uma grande exposição itinerante sobre o tema e um livro com uma seleção representativa do acervo.



"Já encaminhei o projeto completo para um edital de incentivo e agora estou aguardando o resultado. Se tudo der certo, começaremos em breve a apresentar esta grande exposição itinerante que deve reunir cerca de 70 fotografias ampliadas em grande formato, com um catálogo que registre a exposição e uma amostragem geral sobre estes anos de pesquisa e contato com a comunidade dos Arturos", explica o fotógrafo, que para a publicação do catálogo já conta com parceria com o jornalista Oswaldo Faustino.

"Em comum a todas as fotos está a memória das tradições de origem africana que sobreviveram até os nossos dias. E tudo registrado em preto-e-branco, porque só o preto-e-branco traduz a beleza e a melancolia de um tema como este. A cor é muito festiva. Prefiro o preto-e-branco pelo resultado plástico e porque é a técnica sobre a qual tenho mais domínio. Creio que imagens coloridas não conseguiriam jamais alcançar o efeito que tenho procurado", completa.

por José Antônio Orlando.



Para comprar o livro Negros no Estúdio do Fotógrafo,  clique aqui.








Imagens do Oitocentos: foto datada
de 1899, extraída do álbum de família
do autor do Blog Semióticas, mostra
uma criança branca montada a cavalo
sobre as costas de uma babá negra



28 comentários:

  1. Hércules Florence me fazendo lembrar das maravilhosas aulas ; de teoria da comunicação e daquele belo livro: História da fotorreportagem no
    Brasil...
    Saudades...

    ResponderExcluir
  2. Fotos comoventes...
    Elemara Duarte

    ResponderExcluir
  3. Nossa, estou emocionada. São imagens como diz Elemara "comoventes".
    Patrícia Silva

    ResponderExcluir
  4. Rubem S. Toledo Lara27 de julho de 2011 08:04

    Fotos marcantes de nosso triste passado colonial. Se pode sentir a tristeza nos olhos dessa gente. Oxalá esse projeto vingue!!!
    Até os dias de hoje existem escravos e mucamas no Brasil...
    Parabéns pelo blog meu grande maestro José Antônio Orlando!!!

    ResponderExcluir
  5. Que trabalho espetacular! As imagens emocionam muito, por transparecer a verdade. Parte importantîssima da nossa história que deve ser amplamente divulgada. Obrigada por compartilhar conosco tudo isso!

    ResponderExcluir
  6. nossa!... forte!
    Me prendi completamente nas fotografias...
    cada uma mais fascinante que a outra.
    Sinto falta no dias de hoje de uma fotografia tão significativa, com tanta carga cultural, expressão social também.
    beijo

    ResponderExcluir
  7. Muitíssimo interessante sua postagem, texto e fotos perfeitas e o assunto é muito atual, falar de nosso passado escravagista e suas consequencias no dias de hoje é pensar em um futuro mais justo para todos os Brasileros e tocar nesse assunto junto com a arte da fotografia é iluminar os fatos.eu sou seu fã. valeu José Antônio

    ResponderExcluir
  8. OLHA A TRISTESA NO OLHAR DOS "MOUROS", GOSTARIA DE TER VIVIDO ESSA ÉPOCA E TER SIDO UM LIDER REVOLUCIONÁRIO E TER MORRIDO PELA CAUSA.

    BELAS FOTOS, E COM GRANDE QUALIDADE AINDA EM.. O.o

    ResponderExcluir
  9. Imagens maravilhosas que falam por si.Me deliciei com o texto e o blog em geralque ja está aqui adiconado nos meus favoritos.Prabéns pelo belíssimo trabalho.
    vida eterna!!!

    ResponderExcluir
  10. Imagens belíssimas! Me lembrei de Roland Barthes... ele adoraria essas fotos. Nosso Brasil como sempre, com muito a revelar. Gosto muito da forma esclarecedora que você escreve professor. Pretendo acompanhar o blog, para enriquecer ainda mais meus estudos sobre a semiótica. Um abraço.

    ResponderExcluir
  11. Olá José Antônio Orlando, trabalho muito interessante de divulgação do nosso passado fotográfico, entre outras pesquisas. A cultura fotográfica não pode prescindir do conhecimento da história da fotografia, base para a compreensão da importância do papel da fotografia como documento histórico e social. Parabéns!! Abs

    ResponderExcluir
  12. Fantástico trabalho, Zé! Cada imagem dessas nos remete uma emoção diferente. Semioticidades inerentes, não!? Grande abraço, visitarei sempre...

    ResponderExcluir
  13. Estas fotos e o texto me fizeram lembrar, por incrível que possa parecer, o livro Homens de preto, de John Harvey(Editora Unesp). Ele começa com uma foto, trabalha o contraste entre as cores e os seres... Depois aborda a cor negra das vestimentas na sociedade - enquanto cor do luto, da ocultação da sujeira, etc e tal... Se relacionarmos o vestir com o despir, a cor e a raça... Dá até para fazer um excelente ensaio a partir dessas relações intersemióticas...

    ResponderExcluir
  14. Rafael Magalhães29 de julho de 2011 01:04

    Imagens muito fortes, mas, permita-me dizer, evito apreciar imagens como estas, me parecem sempre perigosas. Por exemplo, é possível que nenhuma destas imagens significaria muito para um negro escravo pelo fato de ser sua realidade de vida, como um retrato do cotidiano, mas para um aristocrata elas poderiam adquirir uma beleza associada a trabalho, dor, injustiça e outros sentimentos distantes de suas próprias experiências. Para mim, brasileiro e ser humano com os olhos ainda saudáveis, este símbolo de beleza me parece artificial, ainda que eu admita que o material seja um registro histórico de muito valor.
    A última imagem é bastante cômica, e seria ainda mais se a criança fosse negra e a escrava branca.
    Lembrei de você esses dias, vi um filme de Orson Welles, chamado F for Fake. Muito bom!

    ResponderExcluir
  15. ...com comentários de mestres pesquisadores, dentre todos, Boris Kossoy! Parabéns!

    Os pensamentos são unânimes: um artigo recheado de imagens fortíssimas, de pessoas ou projetos de um povo designado a atender os caprichos de uma raça soberana na época vigente... a última imagem me comove muito, imagina uma criança montada numa negra! E o que passou pela cabeça daquela criança se não a pré aceitação de uma distinção de raças e castas?

    Tristezas a parte, fiquei muito feliz de conhecer o trabalho do fotógrafo e retratista Seydou Keita, no qual faz uma espécie de documentação dos africanos do oeste desde 1948. Aqui o registro ganha uma outra vertente, uma documentação 'passiva' e parceira de um povo que agora conta com um poder maior sobre suas vidas, orgulhosos em serem registrados com suas posses e acessórios...

    Fica aqui a dica de leitura para o final de semana!
    http://www.amazon.com/Flash-Afrique-Photography-West-Africa/dp/3882436387/ref=pd_sim_b_4

    Beijos e até a próxima,

    Raquel

    ResponderExcluir
  16. já está na hora de nós conhecermos mais e melhor essa tradição que tem suas raízes em Minas e continua viva e pulsante, apesar de ainda não ter o valor que merece. Arturos e o Congado são patrimônio cultural de Minas Gerais!
    Parabéns,Zé, seu blog tá um deleite!
    Beijos,
    Daniella Zupo

    ResponderExcluir
  17. Muito bom reiterar a história pela fotografia, pelo realismo e estética podemos emocionar e pensar!Belas fotos que retratam a história do Brasil com um olhar diferente...História Que infelizmente as instituições insistem em perpetua-la a partir do lugar dos dominantes...
    Parabéns! Gostaria muito de ser sua aluna um dia....!
    Ludmila Correa

    ResponderExcluir
  18. Emocionantes essas imagens. E seu texto, sempre tão bem escrito e poético, faz a gente viajar nessa história. Amo seu Blog, José Antônio Orlando. Nem sempre escrevo mensagens nas páginas que visito, mas essa realmente me deixou emocionado. Abração pra você e muito obrigado por sua generosidade em compartilhar por aqui seu trabalho encantador.

    Rodrigo Leão

    ResponderExcluir
  19. O Basil tem ainda uma grande dívida por pagar. O sofrimento causado ainda sangra e não há remédio para tanto, mas o abandono causado pela libertação que na verdade foi largá-los a própria sorte, este sim há como reparar.
    Suely Parente Souza

    ResponderExcluir
  20. Parabéns pelo blog, que é excelente em todos os detalhes. Seu texto é impecável e as imagens são impressionantes. Entre tantas páginas incríveis, escolhi esta para deixar um comentário porque ela toca em questões que formaram a identidade do Brasil e porque ela deveria ser visitada e lida por todos os que fomentam sentimentos racistas. Será que quem enche a boca para falar contra as cotas para negros nas universidades não tem vergonha quando se depara com este registro sobre o Brasil de pouco mais de 100 anos atrás?

    ResponderExcluir
  21. Bom acervo, as imagens são impressionantes, mas muitos de nós ainda tem um grande problema dizer-se descendentes de escravos, não somos descendentes de escravos e sim de pessoas que foram escravizadas. E esse reconhecimento faz toda a diferença.

    ResponderExcluir
  22. Silvana Araújo Portela26 de maio de 2013 22:15

    Que maravilha! Amei. Todos os textos e todas as páginas de Semióticas são show, mas esta página me deu arrepios e lágrimas nos olhos. Só posso agradecer. Gostei demais e aprendi demais. Que delícia de aula! Vou ter que voltar sempre. Beijos e de novo muito obrigada por tudo isso.

    Silvana Araújo Portela

    ResponderExcluir
  23. Geraldo Oliveira13 de maio de 2014 20:30

    Seu blog é realmente muito bom. Este ensaio sobre os negros e a fotografia no Brasil até agora é dos meus preferidos, das páginas que já visitei. Semióticas, virei seu fã. Parabéns por esta beleza. / Geraldo Oliveira

    ResponderExcluir
  24. Adorei mais esta super demonstração de consciência e amor ao próximo. Muito obrigado.

    ResponderExcluir
  25. Que beleza de artigo, José! Que imagens mais maravilhosas e, ao mesmo tempo, tão tristes! Este seu blog Semióticas é um espetáculo. Fico emocionada em cada visita que faço. Parabéns e muito obrigado por compartilhar beleza e sabedoria.
    Maria Selma Marin

    ResponderExcluir
  26. Maravilhoso tudo: o blog, esse artigo sensacional chamado Imagens do Oitocentos, todos os textos, todas as imagens. Parabéns pelo alto nível. Nunca encontrei nada tão bom e tão lindo na internet. Ganhou mais uma fã.

    Gabriela Haeser

    ResponderExcluir

( comentários anônimos não serão publicados )

Todas as páginas de Semioticas têm conteúdo protegido.

REPRODUÇÃO EXPRESSAMENTE PROIBIDA.

Contato: semioticas@hotmail.com

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Páginas recentes